Aviões podem parar no ar?

Você saberia responder a essa pergunta com toda a certeza do mundo ou lhe restaria alguma dúvida? Pode parecer um pouco óbvio demais, mas quando paramos pra pensar, surge a curiosidade. Afinal de contas, existe alguma potência aplicada nas turbinas ou nas hélices que fizesse o avião ter ar suficiente passando pelas asas para se manter no ar, sem que ele se movesse para frente?

Recentemente publicamos um artigo que respondia a uma outra pergunta não muito óbvia, mas que é constantemente levantada em conversas sobre aviação: turbulências podem derrubar aviões? O Viajei Bonito responde mais uma vez.

Um avião parado sobre a cidade movimentada

Arte: um avião parado sobre a cidade movimentada. Adaptação. Créditos: 夏天 e SuperJet International / Fonte: Flickr

Ao contrário do que muitos pensam, a pergunta não é idiota. São várias as situações em que se tem a impressão de que o avião está parado. Pra quem está dentro da aeronave, a velocidade constante em cruzeiros, principalmente à noite, quando não há como ver o chão, passa a impressão de que o avião está simplesmente estacionado.

Também é comum olharmos para um avião decolando e termos a impressão de que ele está devagar, quase parando, por conta do ângulo em que nos encontramos perante a pista de decolagem. Quem frequenta a Linha Vermelha no Rio de Janeiro sentido Zona Norte após passar pelo Fundão, provavelmente já presenciou esse efeito com os aviões decolando do Galeão.

Avião pousando visto de baixo

Avião pousando visto de baixo. Créditos: Pedro Ribeiro Simões / Fonte: Flickr

Afinal de contas, os aviões podem parar no ar?

Agora vamos aos fatos. Os aviões voam por conta da sustentação gerada pelo ar que passa pelas asas. Isto é, para que eles se mantenham no alto, é necessário que as turbinas estejam ligadas e criando um grande fluxo de ar pela fuselagem da aeronave. Caso não haja esse fluxo, o avião perde sustentação e despenca.

Logo, é possível ir reduzindo essa velocidade até que ele não se mexa, mas continue sustentado no ar? Na prática isso não acontece, pelo menos na aviação civil. Nos aviões aos quais estamos acostumados a viajar, existe a chamada Velocidade de Estol, que é a velocidade mínima de uma aeronave para que ela se sustente no ar.

Por mais que os aviões reduzam drasticamente sua velocidade durante o pouso, eles ainda mantêm essa Velocidade de Estol. Para quem está olhando para a pista de pouso de longe, a impressão é que o avião está chegando bem devagarinho até pousar suavemente, mas saiba que ele está se deslocando a uma velocidade que varia em torno dos 300 km/h, mas cada modelo trabalha de uma forma.

Se a velocidade mínima para que um avião comercial se mantenha no ar é alta, como dita a Velocidade de Estol, quem dirá reduzí-la a 0 km/h. Seria insustentável mantê-lo assim.

Se você está gostando do artigo até o momento, que tal curtir nossa página no Facebook?

E fim de papo?

Não. Repare que durante o texto fizemos questão de reforçar o fato dos aviões comerciais não terem sustentação suficiente a 0 km/h mesmo com as turbinas ligadas, entretanto, alguns modelos da aviação militar podem, sim, parar no ar!

Um exemplo é o Harrier, da família de jatos militares, capaz de realizar decolagens e pousos verticais. Por ter empuxo vetorado, isto é, um sistema onde suas turbinas apontam para baixo (dica do leitor Juliano Lisboa), ele consegue manter a sustentação através do equilíbrio entre a potência de suas turbinas e a quantidade de ar fluindo por ele.

O vídeo abaixo mostra um Harrier pousando verticalmente.

Esperamos que o Viajei Bonito tenha matado sua curiosidade. Fique ligado no blog, pois sempre trataremos de assuntos assim. Se você tem alguma sugestão ou se gostaria de colaborar com o que dissemos no artigo, deixe nos comentários abaixo.

Até a próxima!

Créditos da imagem de capa: 夏天 e SuperJet International / Fonte: Flickr

Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.