Dirigindo nas estradas do Pantanal

Dirigir nas estradas do Pantanal é uma experiência única. A mistura de longos trechos em linha reta, planícies até onde a vista alcança e belas paisagens durante o pôr do sol fazem com que até mesmo os deslocamentos entre cidades se tornem parte interessante de uma viagem pelo Mato Grosso do Sul.

Estivemos por lá entre os dias 29 de maio e 09 de junho de 2015 percorrendo 1.400 quilômetros num roteiro que iniciava em Campo Grande e Bonito, adentrando o Pantanal pelos municípios e fazendas nos arredores de Bodoquena, Miranda e Aquidauana. Mas qual é a parte boa disso tudo pra você, caro leitor? Coletamos material para vários artigos, e damos o pontapé inicial dessa série com um post inteiro sobre as estradas pantaneiras! Nos próximos parágrafos você verá dicas de segurança, itinerários, fotografias inspiradoras e algumas de nossas histórias.

Pronto pra pegar a estrada com a gente? Então já começamos respondendo a uma pergunta que muita gente se faz quando está de malas prontas para Bonito: devo ou não alugar um carro?

Devo alugar um carro em Bonito?

Essa foi nossa primeira decisão após a compra das passagens aéreas para Campo Grande/MS, semanas antes da viagem. Durante a montagem de nosso roteiro, levantamos uma das necessidades básicas da viagem: ter liberdade. Sabíamos que em Bonito as próprias agências de turismo disponibilizavam transporte até os locais das atrações, mas isso não aconteceria no Pantanal.

Fizemos alguns orçamentos nas agências que conseguimos encontrar na internet – isso é importante para que você tenha, pelo menos, uma noção dos preços – e levamos os valores impressos conosco. Chegando em Campo Grande, fomos de balcão em balcão, ainda no saguão do aeroporto, apresentando as propostas até conseguir o melhor preço. Saiba que mesmo tendo em mãos os valores do site, é possível chorar descontos diretamente com os atendentes. Nessa função, conseguimos reduzir o valor de 11 diárias, que inicialmente era de R$1.333,00 reais, pra R$840,00! Ou seja, economizamos quase 500 reais! Vale destacar que o desconto foi em cima da categoria B, isto é, pagamos mais barato do que pagaríamos em um veículo de categoria A.

A dica aqui é perguntar às agências quais são seus convênios. Várias delas têm promoções para clientes de bancos, bandeiras de cartões de crédito e até com programas de milhagem. Numa dessas você acaba se enquadrando e conseguindo reduzir o valor total da locação. Basta ter força de vontade e um pouco de paciência.

Nosso carrinho descansando enquanto tirávamos algumas fotos da fazenda

Nosso carrinho descansando enquanto tirávamos algumas fotos da fazenda. Créditos: Gisele Rocha

Pra nos convencer de que alugar um carro foi uma boa ideia, ao longo dos dias, descobrimos que isso acabaria refletindo também no preço das atrações contratadas em agências de turismo. Alguns dos passeios em Bonito têm o preço drasticamente reduzido se você disser que não quer contratar o serviço de transporte da agência. Por isso, sempre avise que você está indo em carro próprio, pois muitas das vezes o valor total do passeio já inclui o deslocamento, coisa que você acabará pagando mesmo sem usar.

Agora você nos pergunta: o único ganho disso é no financeiro? Óbvio que não. E você verá nos próximos tópicos do que estamos falando.

As estradas de chão

Na saída da locadora de veículos em Campo Grande, perguntamos a um dos funcionários qual era o melhor caminho até a cidade de Bonito, nosso primeiro destino. Uma das opções envolvia um “atalho” de quase 100km por estradas de chão. O trecho asfaltado era mais longo, porém mais rápido. Adiantou de nada fazer a pergunta, pois o rapaz nos disse que pela estrada asfaltada era melhor, mas o GPS nos indicou o trecho não-asfaltado, e acabamos decidindo por ele.

Estrada de chão que liga Campo Grande e Bonito, Mato Grosso do Sul

Estrada de chão que liga Campo Grande e Bonito, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

O que parecia ter sido uma decisão ruim e que aumentaria a duração total do deslocamento em pouco tempo nos deu certeza de ter sido a ser a melhor coisa a se fazer. Nosso percurso demorou mais, mas não por causa das condições da estrada de chão (que eram boas), mas porque parávamos o tempo todo para fotografar as várias espécies de animais que encontrávamos no caminho.

E esses encontros são ponte para algumas questões de segurança. Motoristas precisam dirigir com atenção redobrada nas estradas pantaneiras: além da distração que os animais podem causar ao serem avistados nas grandes planícies, é muito comum encontrá-los atravessando a pista. Somam-se a esse risco a redução do alcance de visão causado pela poeira e pelo fato das estradas serem compostas de longas retas. Longas retas significam maior velocidade, mesmo em estrada de terra… lembre-se que em uma estrada de terra e cascalho, o tempo de frenagem é muito maior.

O Pantanal é um território dominado por animais selvagens. Somos apenas meros visitantes e devemos respeitar o espaço deles. Por isso, nada de pressa. Faça como nós fizemos: pare quantas vezes forem necessárias para observá-los e dirijam prezando tanto por sua vida quanto pela vida das espécies que andam livremente por lá.

A atenção precisa ser maior ainda durante a noite. Há várias espécies de animais cujos hábitos são noturnos como lobinhos, cervos, jaguatiricas e onças. Por mais que essas espécies se assustem facilmente com barulhos e fujam, nunca se sabe se elas estarão correndo na direção errada e apareçam de repente na frente do carro. Por isso verifique sempre os faróis antes de escurecer e reduza a velocidade, por mais que a tentação de acelerar nas longas retas que somem à vista exista.

As estradas asfaltadas

Minutos antes de pousar no aeroporto de Campo Grande notamos algo muito curioso visto do alto: as estradas e limites das fazendas pareciam desenhos geométricos em um papel.

Quando colocamos os pés no chão e nos pedais do nosso veículo alugado pudemos ver isso de perto. É incrível como após pequenas curvas a estrada se esticava até sumir no horizonte. De certa forma isso é um pouco perigoso, pois você às vezes perde a noção da velocidade que está dirigindo. Nada que um pouco de atenção e algumas chamadas do “co-piloto” não resolvam.

É muito comum o encontro com caminhões enormes transportando madeira (triste também). Por serem longos, se o veículo é 1.0 como o nosso, a ultrapassagem é demorada, porque até mesmo eles andam rápido. Assim, é necessário ter muita paciência. Pense que logo logo você terá mais uma longa reta (e bota longa nisso!) para ultrapassá-los.

Vale a dica de prestar bastante atenção nos vários radares espalhados pelas estradas. Eles são bem sinalizados, mas por experiência própria, longas estradas podem reduzir a atenção por serem, de certa forma, monótonas. De repente todo mundo no carro está dormindo, o sol batendo forte e você mantendo todas as suas energias na tentativa de se manter acordado, focando na estrada. Quando percebe, um radar acabou de passar.

De Bonito à Lagoa Misteriosa

Agora que você já sabe um pouco mais sobre as duas faces das estradas pantaneiras, aqui vai uma das várias histórias que temos pra contar nos dias em que estivemos perambulando por lá.

Um dos passeios que fizemos nos últimos dias em Bonito foi a flutuação na Lagoa Misteriosa. De cara recebemos um aviso da agência: já que estávamos indo em veículo próprio, se chovesse na noite anterior, não deveríamos pegar a estrada de chão, mas ir pela estrada asfaltada que faz a volta pela cidade de Jardim. A distância praticamente dobra, mas não haveria riscos de atolamentos e deslizamentos, obviamente.

Agora pense: o que nós mineiros gostamos mais de levar para todos os lugares? Chuva! Acordamos de madrugada ouvindo os barulhos da chuva e botamos o despertador pra nos acordar mais cedo, afinal de contas precisaríamos pegar o caminho mais longo. Foi o que fizemos.

Durante a manhã o sol apareceu e participamos da flutuação como agendado. A hora do almoço já havia passado e optamos por almoçar somente em Bonito, uma vez que o preço do prato era inviável na fazenda onde estávamos. Ambos estávamos famintos e começamos a cogitar pegar o caminho “menor”, pela estrada de chão. Ora, já parou de chover há muito tempo, a estrada deve ter secado. A ideia de pegar todo aquele desvio enorme com fome não agradava muito. Eram apenas 47 km de estrada de chão contra 110 km de asfalto e perímetros urbanos.

Metemos nosso carrinho 1.0 nessa loucura! No início da estrada já notávamos que talvez não havíamos tomado a decisão certa. Cruzávamos apenas com caminhonetes, todas elas banhadas a lama. Nenhum carro popular vinha no sentido contrário. O marcador de quilometragem já marcava 30 km rodados. Faltavam apenas 17 km. E até aquele momento, nada demais, apenas alguns buracos e trechos escorregadios. Estávamos indo muito bem.

Ao avistar uma ponte mal acabada descobrimos um dos motivos pelo qual os funcionários da agência nos disseram pra não pegar essa estrada: uma poça enorme de água, ocupando grande parte da pista, era o “desvio” ao pedaço de concreto enorme que futuramente será uma ponte. A princípio era o fim da linha.

Por ideia da Guria, pegamos um pedaço de pau e fomos andando pelas laterais, tentando checar a profundidade da poça. Ao testar o lado esquerdo, pensamos que seria impossível atravessar. Não era tão profundo, mas o chão estava muito macio e o pedaço de pau afundava na lama.

Testando a profundidade da grande poça d'água que ocupava alguns metros de estrada próximo à Bonito, Mato Grosso do Sul

Testando a profundidade da grande poça d’água que ocupava alguns metros de estrada próximo à Bonito, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

Já o lado direito parecia mais consistente, digamos assim. Então resolvemos arriscar. A fome incomodava, e não estávamos dispostos a voltar os 30 km pra pegar outros 110 km de desvio. Fomos até ali e precisávamos continuar! No vídeo abaixo vocês podem ter a noção do que passamos.

Logo após essa poça, a estrada piorou muito e em alguns trechos o carro escorregava levemente, mesmo nas retas. Quando acreditávamos que tudo estava acabando e já avistávamos as primeiras casas de Bonito, eis que surge outra ponte inacabada com um trecho muito pior misturando poças, valas e buracos… é… agora sim era o fim da linha.

Não havia nem como pensar demais. O carro com certeza agarraria naqueles buracos! Faltavam apenas 5 km! Manobramos e começamos a voltar. Misteriosamente, a fome desistiu e não incomodava mais. Misteriosamente nada… a Biologia explica. Enfim… durante os minutos iniciais só havia silêncio e frustração no carro. Foi triste ir tão longe e precisar voltar todo o caminho pra depois pegar uma estrada mais longa ainda pra chegar, praticamente, do outro lado dessa maldita ponte!

Até que surge na paisagem um carro vindo em nossa direção. Fizemos sinal para que ele parasse e avisamos que a estrada estava impossível de atravessar há alguns quilômetros a frente. A reação do motorista foi de desconfiança: “mas eu passei ali ontem, e dá sim pra passar” – disse ele. Será? Por sorte, foi muito solícito e disse que poderíamos segui-lo. Se agarrássemos ele daria uma mão.

E não é que o carro passou?! Foi uma chuva de lama, traseira escorregando, bancos pulando como se estivéssemos em uma turbulência, limpador de para-brisa ligado na pressão com o jatinho d’água limpando o que dava pra limpar e de repente: asfalto! Aumentamos o som, agradecemos ao nosso anjo da guarda enquanto o ultrapassávamos e fomos direto para o primeiro restaurante que encontramos pela frente.

Balanço dessa tarde: se viéssemos pelo asfalto, teríamos chegado muito mais cedo. Mas, de forma alguma nos arrependemos. Não há sensação melhor do que chegar ao restaurante com as botas cheias de barro, o carro praticamente marrom e aquele cansaço físico gostoso pra terminar o dia.

Falando em terminar o dia…

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O que você encontra na estradas pantaneiras

Para encerrar este artigo, não menos importante do que falar a respeito dos perigos e situações que você pode encontrar ao dirigir nas estradas do Pantanal é apresentar uma palhinha do é possível ver e se encantar!

#1 Alguns dos pores do sol mais bonitos do Brasil

#2 Imensos rebanhos de bois ocupando a estrada

Rebanho de bois sendo conduzido por estrada que corta o Pantanal, Mato Grosso do Sul

Rebanho de bois sendo conduzido por estrada que corta o Pantanal, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

#3 Estabelecimentos que pararam no tempo

Posto de gasolina desativado no meio de uma estrada pantaneira em direção à Bonito, Mato Grosso do Sul

Posto de gasolina desativado no meio de uma estrada pantaneira em direção à Bonito, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

#4 Longas planícies

Planície pantaneira cortada por uma estrada pantaneira, Mato Grosso do Sul

Planície pantaneira cortada por uma estrada pantaneira, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

#5 Cenários inspiradores para fotografias

Cabana no meio de uma das estradas que corta a Fazenda San Francisco, Pantanal, Mato Grosso do Sul

Cabana no meio de uma das estradas que corta a Fazenda San Francisco, Pantanal, Mato Grosso do Sul. Créditos: Gisele Rocha

Para encerrar o artigo sobre as estradas pantaneiras, nada mais importante do que reforçar: respeitem a sinalização. As placas não estão espalhadas à toa. Siga nosso exemplo.

Placa de Agachi, Mato Grosso do Sul... levamos as leis de trânsito "a sério"!

Placa de Agachi, Mato Grosso do Sul… levamos as leis de trânsito “a sério”! Créditos: Gisele Rocha

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Um grande abraço e até o próximo!

Leia mais sobre nossa viagem por Bonito e pelo Pantanal

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Viajei Bonito

Somos duas pessoas apaixonadas por movimento. Para nós, cair na estrada é mais importante do que um projeto futuro de estabilidade e quaisquer oportunidades de novas viagens, por mais remotas e loucas que pareçam ser, a gente tá pegando! Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha
  • Paulo Stéffano

    Curtindo a pagina do facebook de vocês para receber automaticamente novas publicações, quanta qualidade em um site só. =

  • Gisele Rocha

    Paulo. que alegria receber esse comentário. É um grande incentivo, você não faz ideia. Ficamos muito felizes por você ter gostado. Lá no Facebook, abaixo do botão de curtir, tem a opção “ver primeiro”ou “notificações > todas ativadas”, clicando em alguma das duas você recebe todas as atualizações. É que o Facebook não mostra nem 10% das páginas que curtimos e você pode acabar perdendo alguma coisa.
    Mais uma vez, obrigada pelo seu comentário tão estimulante. Abraços!