A importância do cafezinho no trabalho

Sempre fui uma pessoa viciada em café. Desde criança, pra falar a verdade. Não o encarava como vício, obviamente, mas ao longo dos anos comecei a observar o hábito de tomar muito café ao longo do dia.

A primeira vez que parei para pensar no café como vício foi na empresa que trabalhei logo depois de formado. Um grande amigo que também trabalhava na mesma sala me acompanhava três, quatro, cinco vezes ao dia na cozinha durante o expediente. Aquele momento de descontração era essencial para minha produtividade.

Café no trabalho

Café no trabalho. Créditos: Unsplash / Fonte: Pixabay

Os anos se passaram e a minha insatisfação com a vida no mercado de trabalho crescia cada vez mais. A quantidade de cafés por dia que eu tomava era enorme. Aos poucos fui percebendo que o vício no café não era simplesmente químico. Não era só a dependência de açúcar e cafeína, mas sim o ritual. Levantar da mesa, pausar o que quer que eu estivesse fazendo e caminhar até a máquina de café era na verdade uma fuga.

Eu sabia que era uma fuga porque aquele vício era prejudicial. O café não me trazia nada de prazeroso. Muito pelo contrário, meu estômago ficava arregaçado e à noite era difícil pegar no sono.

Fazendo uma associação com outros vícios, as coisas foram fazendo mais sentido. Há pessoas que levantam da mesa várias vezes ao dia para sair do escritório e fumar um cigarro na rua. Outras ligam para suas esposas e maridos e também precisam se ausentar da sala nesses momentos.

Perceba que esses mecanismos de fuga são aceitos pelas empresas. O patrão dificilmente vai ficar enchendo o saco de funcionário que sai para tomar café, fumar cigarro ou ligar para a família. Mas experimente levantar da mesa, parar em frente à janela, colocar as mãos no bolso e passar os próximos 10 minutos olhando para a paisagem para você ver o que acontece. É questão de tempo até alguém chamar sua atenção ou perguntar o que você está fazendo ali.

Anos depois quando eu finalmente larguei o mercado de trabalho e passei a trabalhar de casa, percebi que minha vontade de tomar café diminuiu drasticamente. Pelo menos nos primeiros meses. Eu gastava grande parte do tempo sem precisar levantar da mesa. Estava totalmente focado e empolgado com meu trabalho. Até que aos poucos notei que a necessidade do café estava ficando forte novamente.

Café no trabalho

Café no trabalho. Créditos: picjumbo_com / Fonte: Pixabay

Meses depois, mesmo trabalhando de casa ou pelo mundo, fazendo o que gosto ainda preciso das pausas para o café. Será que os vícios são apenas formas de fuga disfarçadas? Comecei a me perguntar.

Eu sempre acreditei que o corpo nos dá sinais de que algo está errado das formas mais primitivas: doenças, tensão, ansiedade, raiva, etc. Passar horas e horas ininterruptas em frente ao computador é agressivo a seu corpo. Seus olhos ressecam, seu sangue não circula bem quando você passa muito tempo sentado e os movimentos repetitivos podem ser danosos aos braços e mãos.

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Em artigos passados sobre home-office falei sobre a necessidade de pausas durante o trabalho e em como elas são importantes para a produtividade.

Cada pessoa tem uma dinâmica, isso é óbvio. Mas uma coisa é certa: todos precisam de descanso. Uns mais, outros menos. É importante sempre dosar o trabalho e tirar de uma vez por todas da cabeça que “produtividade é proporcional ao tempo que você gasta produzindo” (ou tentando).

Seu corpo precisa de descanso. Precisa de freios. Precisa ser desacelerado, e se a linguagem do café você entende, ele continuará se comunicando por ela.

E o que você faz? Vai parar de tomar café só porque ele é uma fuga? Eu não faria isso. Muito pelo contrário. Quando a vontade do café chegar, no lugar de trazê-lo para o computador, experimente saboreá-lo olhando para a longe, de preferência em um ambiente externo. Tente livrar sua cabeça de pensamentos que podem estar focados ainda no trabalho e faça daquele momento uma breve meditação antes de voltar ao computador.

E lembre-se sempre: ser produtivo não é passar o dia inteiro produzindo, mas trabalhar com precisão nos momentos em que a criatividade tiver espaço. Esse espaço a gente cria com a cabeça limpa. E nessas horas o café pode sim ser um grande aliado.

Até o próximo artigo!

Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá. Créditos da imagem de capa: picjumbo_com / Fonte: Pixabay