O lado B de Lavras Novas, em Minas Gerais

Lavras Novas, distrito de Ouro Preto (MG), ganhou fama e status de destino para casais apaixonados em busca de dias de puro romance – daqueles que você não sai do quarto e só curte a preguiça. Mas a vila tem muito mais a oferecer do que o combo pousada sofisticada, restaurantes caros e shows “um barzinho, um violão”.

Margeada pelas serras do Trovão e da Chapada, qualquer fim de semana em Lavras Novas proporciona um passeio sensacional tanto pela beleza natural quanto pela riqueza cultural. Não é à toa que é meu destino predileto sempre que sobra um fim de semana sem compromissos.

As caras hospedagens ainda existem, mas há alguns anos dividem espaço com um novo filão de negócio encontrado pela população local: o aluguel de simples chalés ou suítes. Quase todos os moradores construíram em seus quintais pequenas habitações para locação com valores acessíveis. Nenhum tem muito luxo, mas todos contam com água quente e cama macia. Com a vantagem de estarem sempre localizados nos melhores pontos da Vila – já que as grandes pousadas encontraram espaço apenas em terrenos mais afastados do centrinho.

Os preços das diárias nessas novas empreitadas variam entre R$ 80 e R$ 150, dependendo da época, e muitas das opções incluem farto café da manhã. Difícil é encontrá-los na internet. Mas é possível localizar alguns e, caso não tenham vaga, já que cada morador tem dois ou três quartos, puxar um dedo de prosa para conseguir novas indicações. O coleguismo impera na vila.

A parte da comunidade que não vive do turismo, vive do artesanato em taquara – que é ensinado até mesmo na escola. Esculturas em madeira e cerâmica também são facilmente encontrados em lojinhas da rua principal e numa feirinha que se instala todos os fins de semana no canteiro central gramado.

Em dias ou feriados religiosos, a população, de pouco mais de 1500 habitantes, se movimenta e segue as tradições locais centenárias. Na minha última estada na cidade, os moradores acenderam fogueiras na porta das casas em homenagem aos santos de junho: Antônio, Pedro e João. Bonito de ver e sentir.

De qualquer cantinho de Lavras Novas é possível avistar belo pôr do sol

De qualquer cantinho de Lavras Novas é possível avistar belo pôr do sol. Créditos: Juliana Xavier

O que tem para fazer?

Se você chegou até aqui é porque demonstra interesse em fazer um passeio a Lavras Novas na próxima oportunidade. Então é importante saber que, além de passear pelas ruelas e degustar o que a comida mineira tem de melhor para oferecer, o vilarejo ainda tem inúmeras opções voltadas para o ecoturismo sem gastar nenhum centavo. Se a grana está curta, faça como eu. Evite o aluguel de quadriciclos, caiaques e todas as invenções humanas e se divirta apenas com suas próprias pernas.

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Quem quer andar pouco pode apostar nos dois melhores mirantes da vila. O mirante da pedra está a apenas 500 metros do fim da rua principal. De dia é possível observar as serras e à noite observar a lua – com sorte encontrará alguém tocando violão ou gaita. Já o mirante da Rua da Fonte, voltado para a Serra da Chapada, oferece um pôr do sol digno de filme.

Do mirante da pedra dá para curtir a vista da Serra do Trovão e outras cadeias

Do mirante da pedra dá para curtir a vista da Serra do Trovão e outras cadeias. Créditos: Rafael Barletta

Com um pouco mais de disposição, mas nem tanta assim, dá para chegar às cachoeiras locais. A mais próxima, a Cachoeira do Pocinho, está a pouco mais de 1 km de caminhada do ponto de partida, o final da Rua do Chá. A trilha segue por um campo aberto até o curso d’água. Várias pequenas quedas compõem o complexo que possui vários poços excelentes para nado.

Sem muito esforço, num trajeto de 4 quilômetros a partir do fim da rua principal, também é possível chegar à Cachoeira dos Três Pingos. Nela não conseguimos nadar porque o poço é rasinho, mas dá para se refrescar nas três pequenas quedas que dão nome ao lugar e tomar sol nos bancos de areia cercados por mata nativa. Como é possível chegar bem próximo de carro, nem sempre está vazia.

Outro ponto com acesso de veículos é a Represa do Custódio. Situada num Vale, na encosta do Pico do Itacolomi, a barragem costuma receber campistas e pescadores, mas é proibida a prática de esportes náuticos, o que a habilita como um excelente ponto para nado.

Cá entre nós, eu prefiro ir até lá andando. Mas fica a 1h30 de caminhada do centro de Lavras Novas. Prepare-se, pois, o visual compensa. É na cabeceira da represa que está outra cachoeira local, a dos Prazeres. Mas com tantas opções e pouco tempo, ainda não consegui conhecê-la.

Como em qualquer outro lugar, quanto mais perto e mais fácil o acesso, maior a probabilidade de ter a companhia de muitos estranhos. Por conta disso, sempre aposto nas opções da Cachoeira dos Namorados como garantia de ter sossego. São 5,5 quilômetros de distância da vila, que podem até ser percorridos de carro, mas a estrada é MUITO ruim. Se eu fosse você não arriscava e encarava uma trilha agradável de 3 horinhas. Por lá é possível nadar e sentar nas pedras abaixo da queda. Só não se esqueça de levar água e comida, pois não há infraestrutura de bares por lá (e em nenhuma outra cachoeira de Lavras Novas).

Nada contra quem opta por não abandonar o carro nos dias em que passeia pelo vilarejo, mas a vila é pequena e andar a pé contribui, e muito, para curtir a vibe do local. A rua principal não é tão longa e usar o carro até para ir jantar gera um caos desnecessário.

Represa do Custódio tem espaço suficiente para receber inúmeros visitantes sem superlotar

Represa do Custódio tem espaço suficiente para receber inúmeros visitantes sem superlotar. Créditos: Juliana Xavier

Decidiu que é hora de conhecer o distrito? Tenha em mente que Lavras Novas não tem banco, caixa eletrônico, nem posto de gasolina e a única farmácia funciona apenas em horário comercial.

A Chapada é logo ali

Estar em Lavras Novas ainda permite dar um pulo na Chapada, vilarejo com menos de 70 habitantes e 500 metros de extensão. O povoado fica a 9km do distrito e parece ter parado no tempo. Guarda na fachada das poucas casas e na capela do século 19 histórias de um tempo remoto. Já perdi as contas de quantas vezes acampei por lá – tão próximo da capital e tão longe do agito.

Cercada pelas mesmas serras de Lavras Novas, a vila tem fauna e flora preservados. Com no máximo 30 minutos de caminhada é possível alcançar a Cachoeira do Castelinho, com águas geladas e poço excelente para banho. Devido ao fácil acesso, há apenas uma forte descida no caminho, fica cheia nos fins de semana de sol.

Também é possível se refrescar de maneira mais sossegada subindo o riozinho que passa atrás da única área de camping da Chapada. Formam-se vários pocinhos que estão sempre vazios. No final do rio ainda existe uma caverna com três quedas. Mas prepare-se, pois o caminho é mais acidentado e contém muitos obstáculos. Se não tem preparo e costume, contrate o dono do camping

A hospedagem no vilarejo se resume a um camping (do Xará) e a poucos chalés construídos por moradores locais.

Onde se hospedar em Lavras Novas

Pousada Vila de Gaia

Rua do Chá, 280

Descrição obtida de Booking

Oferecendo uma sauna, a Pousada Vila de Gaia está situado em Lavras Novas. O alojamento disponibiliza uma piscina exterior, comodidades para churrascos e um terraço. Os hóspedes podem desfrutar de uma refeição no restaurante.

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Créditos da imagem de capa: bolapiercing / Fonte: Flickr

Sobre Juliana Xavier

Formada em Comunicação Social, após 10 anos empreendendo seus conhecimentos em grandes empresas, decidiu que era hora de empreender em si mesma e ser livre para criar o que quiser.