Volta ao mundo de gole em gole: conheça as bebidas típicas de vários países

Quando visitamos outro país, podemos dizer que conhecemos bem o lugar se, além de visitarmos os pontos turísticos consagrados, procuramos conhecer a cultura local, conversando com os moradores, entendendo os seus hábitos e, claro, provando da sua culinária. Mas, e sobre as bebidas típicas? Dessas quase ninguém fala.

Nós do Viajei Bonito, como bons mineiros boêmios que somos, não poderíamos deixar esse assunto passar batido. Trazemos pra vocês este artigo com as origens de algumas bebidas conhecidas – outras nem tanto – que a maioria não faz ideia de onde vêm.

Prepare o Engov e venha conhecer o mundo de gole em gole. Só não se esqueça: se beber não dirija! Seja prudente!

Vamos começar pela nossa favorita. Ela mesma, a branquinha, marvada pinga, a água que passarinho não bebe:

Brazil flag
Cachaça

Várias garrafas de cachaça, no Brasil

Várias garrafas de cachaça, no Brasil. Créditos: Vi Neves / Fonte: Flickr

A origem da cachaça é incerta. Várias histórias já foram criadas em tordo dele e a única coisa que se sabe é que ela surgiu aqui no Brasil depois que os portugueses trouxeram a cana-de-açúcar lá da Ilha da Madeira, já conhecendo as técnicas de destilação.

Pesquisando na vastidão da internet, achamos do um relato do historiador Luís da Câmara Cascudo indicando que a primeira cachaça foi produzida em São Vicente em 1532, poucos anos após a chegada dos europeus no nosso território. Nessa versão, foram os próprios portugueses que destilaram a bebida pela primeira vez, não os escravos, como muitos pensam.

Quem começou com isso é difícil saber, mas é certo que o líquido era muito apreciado e consumido pelos escravos e até virou moeda de troca na Europa e na África. Depois foi proibida aqui no Brasil porque estava atrapalhando a comercialização da bagaceira, bebida feita com uva fermentada que era vendida pelos portugueses. Deu o maior quebra-pau, que ficou conhecido como Revolta da Cachaça, mas isso é outro papo.

O fato é que durante muitos anos a bebida foi alvo de preconceito, vista como uma bebida de baixa qualidade, associada a pessoas de baixa renda e viciadas. Com o aprimoramento das técnicas de produção, ela passou a ser bastante apreciada e respeitada, inclusive internacionalmente. A cachaça representa a nossa cultura lá fora, junto com o futebol e a feijoada. Se acrescentar limão e açúcar, temos a Caipirinha, o delírio dos gringos!

Se estiverem curiosos para saberem mais sobre essa delícia, indicamos o site Mapa da Cachaça.

Agora é a vez da preferência nacional, quiçá mundial. Estupidamente gelada para nós e em temperatura ambiente pra eles. Loira, morena, mulata ou ruiva, só não dá para ficar sem:

Cerveja

Copos de cerveja enfileirados

Copos de cerveja enfileirados. Créditos: Quinn Dombrowski / Fonte: Flickr

Vou ficar devendo a informação de onde ela foi produzida pela primeira vez, até porque ninguém tem certeza sobre isso. Só se sabe que ela é uma das bebidas mais antigas da história (se não a mais antiga) e que, segundo informações do Wikipedia, já era conhecida pelos antigos sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos, remontando, pelo menos, a 6000 a.C. Hoje em dia é a terceira bebida mais consumida no mundo, perdendo só para o chá e a água.

Quanto ao consumo, nós brasileiros estamos no topo do pódio, né? Nãããão! Nós somos bebezinhos perto dos países europeus. Segundo uma pesquisa divulgada pela InfoMoney, são os tchecos que ocupam o primeiro lugar, com o consumo anual de 143 litros por pessoa (nossa mãe do céu!), o segundo lugar fica com a Alemanha, com 110 litros por pessoa e o Brasil tá lá embaixo, pingando 63 litros por pessoa.

Russia flag
Vodca

Garrafas de Vodca

Garrafas de Vodca. Créditos: Karola Riegler / Fonte: Flickr

A favorita das baladas no Brasil! Quem acha que a vodka teve origem na Rússia, acertou! Ainda que a Polônia conteste a sua autoria, a bebida é russa e tem nome russo. Vodka significa “aguinha”. Singelo, né? Mas não se sabe se esse nome foi dado intencionalmente ou se foi só coincidência.

Sabiam que a produção da bebida foi proibida na Rússia em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial e só foi retomada em 1925 para acabar com o mercado ilegal? Sim, senhores!

Existem vários tipos de vodka. O sabor e a qualidade dependem da fórmula e dos ingredientes utilizados. O correto é que ela seja incolor e sem odor. Por isso que algumas marcas fazem versões aromatizadas, como pêssego, limão, baunilha e tudo mais que a criatividade permitir.

A tradição russa manda bebê-la pura, bem gelada, numa virada só. Não fiquem inventando moda de misturá-la com energético, isso aumenta a pressão arterial e dá arritmia cardíaca. Existe um mundo a ser descoberto, então cuidem da saúde de vocês.

Scotland flag
Uísque

Whiskey on the rocks, bebida nascida na Escócia

“Whiskey on the rocks”, bebida nascida na Escócia. Créditos: Dominick / Fonte: Flickr

Eu escreveria whiskey, mas o editor de texto me corrigiu. Enfim, o nome dela vem de Uisgue, abreviação de uisge beatha, que na língua dos Celtas – um dos povos que fundou a Escócia – quer dizer “água viva”. Isso diz muito sobre sua origem, que segundo alguns documentos históricos surgiu nos monastérios durante a Idade Média. Contam que ela foi criada por um frei de nome John, que tinha a intenção de usar a bebida com fins medicinais, para curar os doentes.

Os irlandeses dizem que a bebida começou a ser fabricada de acordo com tradições introduzidas por São Patrício na Irlanda ainda no século IV, bem antes dos escoceses. Isso não importa agora, a única coisa que eu sei é que essa é a bebida dos fortes, que e é vendida com teor de 40% de álcool etílico, segundo a Sociedade Brasileira de Whisky.

Você toma com ou sem gelo? O Adriano é purista e diz que o gelo derrete e muda o gosto da bebida. Eu já prefiro com gelo, mas se não tiver eu tomo sem nada mesmo (e estou tomando neste momento em que vos escrevo). Só não misturo com outras bebidas. Deus me livre de uísque com energético. Além de ser danoso ao coração, altera completamente o gosto. Cada coisa de uma vez!

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Switzerland flag
Absinto

Absinto servido em um copo, bebida nascida na Suíça

Absinto servido em um copo, bebida nascida na Suíça. Créditos: Michael Korcuska / Fonte: Flickr

Foi criado na Suíça por volta de 1790 pelo médico francês Pierre Ordinaire e utilizado como remédio. A receita original é à base de anis, losna e funcho, mas hoje em dia alguns fabricantes acrescentam outras ervas e até flores. Ao contrário do que muita gente pensa, absinto não é um licor, mas uma bebida destilada.

Foi proibida em vários países no início do século XX por supostamente causar efeitos alucinógenos, o que rendeu à bebida o apelido de Fada Verde. Como isso não foi comprovado, a comercialização foi liberada após alguns anos.

No Brasil ela saiu da ilegalidade em 1999, mas atenção, essa é uma bebida extremamente forte, alguns tipos podem chegar a 90% de teor alcoólico, então pegue leve. É gostosinho, mas engana.

Como beber: Tradicionalmente ele é servido com um pouco de água gelada derramada sobre uma colher vazada com um torrão de açúcar. A água derrete o torrão e os dois se misturam com a dose de absinto, que fica com um aspecto leitoso. Outra forma de prepará-lo é colocando fogo no cubinho de açúcar, que diminuindo o teor alcoólico e dando um gostinho de açúcar torrado.

Spain flag
Tequila

Shot de Tequila, bebida nascida na Espanha

Shot de Tequila, bebida nascida na Espanha. Créditos: Lloyd Morgan / Fonte: Flickr

Arriba, abajo, al centro y adentro!” e dá-lhe tequila goela abaixo! Apesar de Guadalajara ser conhecida como “a cidade da tequila”, a bebida é de origem espanhola, não mexicana como eu mesma pensava antes de apurar informações para esse post.

Bom, a minha roommate mexicana me disse é que no país dela não tem muito essa onda de virar tequila. Eles até fazem isso, mas o mais comum é bebê-la aos poucos. Ao que parece, essa história de tomar lamber o sal, tomar a tequila e morder o limão começou por causa de um surto de gripe. “Este é o modo como os americanos tomam porque não aguentam a bebida”, me disse ela em tom de desdém. O mais comum é misturar com sangrita (um suco de tomate com temperos).

O gostinho peculiar vem de uma planta cultivada na América Central, o agave. São três tipos diferentes: Jovem, Reposado ou Añejo, de acordo com o tempo de envelhecimento, do maior para o menor. Todas elas tem teor alcoólico em torno de 35%, então beba com muita moderação.

Japan flag
Saquê

Garrafas de Saquê, bebida típica do Japão

Garrafas de Saquê, bebida típica do Japão. Créditos: halfrain / Fonte: Flickr

O saquê é uma bebida milenar de origem japonesa, mais especificamente de Nara, a antiga capital do Japão. É uma bebida tão especial que é ofertada aos deuses xintoístas e servidas em solenidades como casamentos, aniversários e sempre que houver motivos para celebrar.

A página Cultura Japonesa explica que o saquê é feito basicamente com água e arroz de boa qualidade, que é lavado e cozido a vapor. Feito isso, vai ser misturado ao fermento, água e ao koji, que é um arroz previamente fermentado em um ambiente com umidade e temperatura meticulosamente controlados e o processo se repete por 5 dias. Depois fica fermentando por mais tempo, entre 18 e 32 dias até que a pasta que sai disso é cuidadosamente amassada e filtrada. Após esse processo, o saquê é pasteurizado para acabar com as bactérias. Por fim, ele fica em repouso por mais seis meses e aos poucos vão acrescentando água para diminuir o teor alcoólico até atingir 16%.

O processo é bem trabalhoso, então beba com carinho.

Se você tá acostumado a tomá-lo junto com aquele rodízio de comida japa, pode parar! Se quiser fazer como os japoneses, terá de beber de estômago vazio, antes de o alimento ser servido. E quando eu digo “ser servido”, é para esperar que alguém coloque o líquido no seu massu (copinho quadrado, feito de maneira). No Japão é falta de educação servir a si mesmo. Enquanto estiver sendo servido, segure o copo com a mão direita e coloque a esquerda por baixo, apoiando o recipiente.

A temperatura também influencia no gosto. Se for servido quente, fica com um sabor mais forte e uma textura mais encorpada. Quando tomado frio, fica com um gostinho mais frutado. Delícia!

Para dar uma trégua na manguaça, vamos de leve com um refrigerante:

Peru flag
Inca Kola

Várias garrafas de Inca Kola, no Peru

Várias garrafas de Inca Kola, no Peru. Créditos: Gisele Rocha

O bom desse aí é que já tem cor e gosto de Epocler, então serve de placebo contra a ressaca e ainda refresca, pois é servido geladinho.

Muita gente torce o nariz pra ele, mas saibam que este refrigerante peruano desbanca a venda de Coca-Cola no país. Ele começou a ser comercializado em 1935 e ao longo dos anos a marca construiu uma identidade fortemente atrelada à cultura peruana. Notem que há um índio estampado no rótulo, que é todo trabalhado com desenhos temáticos. Além disso, eles usaram durante muito tempo os slogans “Celebre o Peru” e “O sabor do Peru”. Um prato cheio para arrancar risadinhas dos brasileiros.

Independente das opiniões que já tenham ouvido sobre o gosto do refrigerante, não deixem de experimentá-lo quando estiverem lá.

Bem, por hoje é só.

Contem pra gente: Quais delas você já provou? De qual gostou mais? Recomenda alguma que não está na lista? Adoramos receber os comentários dos nossos leitores!

Créditos da imagem de capa: Quinn Dombrowski / Fonte: Flickr

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Sobre Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.