Há menos de um ano, comemorei a virada de 2017 para 2018 assistindo à uma singela queima de fogos em Juiz de Fora, Minas Gerais. E apesar desse “show” não ter a magnitude do espetáculo que acontece anualmente nas areias de Copacabana, foi lindo de se ver. Posso dizer ainda que em menos de cinco anos, durante duas viradas, eu mesmo estava lá no papel de soltador de foguete.

Desde a infância até os dias atuais, perdi a conta de quantas vezes vi meus cães correndo pra baixo da cama quando um foguete estourava nos céus em dias e horários aleatórios. Já cheguei, inclusive, a vê-los chorando durante festas na cidade, comemorações de torcedores quando seus times eram campeões, resultados de eleições, celebrações religiosas e outros grandes eventos em que queimas constantes de fogos acontecem ininterruptamente.

E se tem uma coisa que me assusta hoje é olhar para esses 33 anos que se passaram e ver que eu achava isso tudo normal.

Comecei a imaginar como seriam dolorosos esses momentos se nós, humanos, tivéssemos a audição apurada como os cães e gatos, mas sem discernimento algum para saber o que está acontecendo. A sensação de se esconder e não conseguir evitar o barulho constante de explosões que parecem estar acontecendo a um metro do ouvido deve ser desesperador.

Nós do Viajei Bonito celebramos as mudanças que resultam no fim de atrações que exploram animais em quaisquer circunstâncias senão as de observação em seus habitats naturais. Um exemplo claro disso que estou falando foi o plebiscito que decidiu pelo fim da tração animal nas charretes em Petrópolis, RJ. Turismo com consciência é muito mais enriquecedor.

O ser humano evolui (mesmo a passos lentos). Já fomos muito piores com os animais em gerações passadas, isso é fato. Mas não estamos nem perto do ideal. Ainda maltratamos os bichinhos, muitas vezes por inocência, por simplesmente não perceber o quão desgastante para eles é uma tradição nossa. Como disse anteriormente, não via nada demais na minha cachorrinha correndo pro quarto quando começavam a soltar foguetes perto de casa. Era completamente indiferente quanto aquilo que estava acontecendo.

Mas desde o início do ano passado, tive o privilégio de poder cuidar de dois gatos – que felizmente nos deixam morar em casa com eles, convivendo de forma pacífica. E neste ano que se acaba em breve, pude presenciar o quão desesperados eles ficam quando foguetes estouram nos céus da cidade. E com um pouco de senso crítico evoluindo aos poucos, toda a beleza das queimas de fogos foi se acabando.

Decidi não só parar com essa prática, mas também parar de apreciá-la. Não consigo mais contemplar algo que coloca os animais em um nível alto de estresse, podendo até matá-los em alguns casos. Não consigo mais curtir uma celebração que só deixa claro pra mim como nossa extravagância é prejudicial a quem nos ama incondicionalmente.

Ao mesmo tempo, recomendo que se você também compartilha desse sentimento, não tente mudar a cabeça daquela pessoa que você sabe que soltará foguetes no próximo dia 31. Levar até ela um discurso de que isso é errado e que faz mal aos animais pode às vezes deixá-la ainda mais incentivada. Mas uma coisa é possível fazer: convidá-la a pensar. Mostrar seu ponto de vista de uma forma não intrusiva poderá ser muito mais eficaz, especialmente se essa pessoa também cuida de algum animal.

Finalizo aqui na esperança de que você pensará um pouco sobre isso nas duas semanas que faltam para entrarmos em 2019. E se um dia eu descobrir que este artigo fez com que alguém trocasse a queima de fogos por um réveillon amigável aos animais, cada segundo gasto nele vai ter valido a pena.

Feliz 2019!

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

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Créditos da imagem de capa: Adriano Castro