Intercâmbios ou longas viagens muitas vezes são tratados como os melhores momentos de uma vida. Quem não conhece alguém que já morou no exterior para estudar, trabalhar ou até mesmo para um período sabático e na volta olha pra trás como se aquela fosse a única parte da vida que valeu a pena viver? Eu conheci várias pessoas assim, desde a época da escola, e na maioria das vezes essas pessoas não falavam outra coisa senão que queriam voltar pra lá, porque viver no Brasil não era tão bom.

Ciente de que esse sentimento poderia tomar conta de mim no mochilão de cinco meses que fiz pela África e pela Europa, saí do Brasil com uma meta além de turistar: observar o que faz a vida lá fora parecer mais atrativa. Não fiz isso com o propósito de me preparar ou antecipar o “possível sofrimento” que seria minha volta, mas sim para tentar extrair a verdadeira essência da vida no exterior e entender melhor o que faz dela mais interessante.

E o que será que torna a vida no exterior tão atrativa? Bom, escolhi três dos pontos que considerei mais evidentes durante meus dias de mochilão.

1 O fato de se estar longe de casa traz a sensação de que ninguém está lhe julgando. Mas mesmo considerando a possibilidade de que estejam, você consegue lidar com isso melhor. Afinal de contas, aquelas “não são suas pessoas”, então por que o julgamento delas deveria ser motivo de preocupação? Logo, você se sente à vontade em qualquer lugar. Isso traz bem-estar;

2 Qualquer lugar diferente dos lugares com os quais você está habituado é, em si, uma grande atração, mesmo não sendo ele algo grandioso. No exterior, até mesmo uma estrada com placas de sinalização diferentes ou árvores de espécies não pertencentes à flora de nossa região atraem o olhar atencioso. Estar atento à vida e às pequenas coisas trazem boas sensações, mas por algum motivo as pessoas param de fazer isso quando deixam de ser crianças;

3 Ao viajar ou fazer um intercâmbio, você lida com o fato de que nada dura pra sempre, e por isso cada momento deve ser aproveitado. A tendência é tirar disposição e fôlego mesmo nos momentos mais cansativos para conhecer mais e mais coisas. A vida está sendo vivida intensamente, como deve ser;

Vivendo a vida intensamente
Vivendo a vida intensamente. Créditos: Thomas Frost Jensen / Fonte: Flickr

Repare que em nenhum momento falei das características de algum país em específico. Afinal de contas não existe país melhor que o outro. Se essa não é a sua opinião, me perdoe, mas entrar na onda de que o Brasil é um lugar ruim pra se viver é desperdiçar uma grande oportunidade de ser feliz num país maravilhoso, que tem seus problemas, assim como qualquer lugar do mundo.

Agora reflita um pouco sobre os três pontos que citei anteriormente. Você consegue identificar conclusões semelhantes durante a vivência de seu intercâmbio? Se a resposta for sim, então acredite em mim: você já experimentou o prazer na vida, e sabe que ele existe. Mas por que ele deveria existir só lá fora?

Além disso, você consegue identificar algo em comum nas três conclusões apresentadas? É um desafio. Pare sua leitura, pense por alguns minutos e depois continue.

O que os três pontos acima têm em comum é muito simples: o princípio de que a felicidade não está no ambiente externo, mas sim dentro de você! A vida se torna interessante quando você aprende a enxergá-la com atenção.

O aprendizado mais valioso que um intercâmbio ou uma longa viagem podem trazer é o “saber estar no presente”, aproveitando cada momento, sem deixar que outras preocupações existam em paralelo. E é por isso que temos a falsa impressão de que o mundo lá fora é muito melhor do que a nossa casa, pois lá vivemos assim. Não são sistemas de transportes de qualidade, governos sem corrupção ou bons empregos e salários os responsáveis por fazerem da vida uma maravilha, mas sim a forma como você a vive. E é com essa cabeça que você precisa desembarcar na volta pra casa.

A vida, assim como um intercâmbio, tem duração limitada. Seu lugar, assim como num intercâmbio, é o Planeta Terra. As pessoas que fazem parte de sua rotina, assim como no intercâmbio, podem ser interessantes se você estiver disposto a se relacionar bem com elas. O sol, assim como num intercâmbio, nasce cedo e se põe à tarde, trazendo belas paisagens em qualquer lugar que você esteja. Mas será que sua cabeça consegue enxergar tudo isso aqui, como num intercâmbio?

Avião no aeroporto de Barcelona que aguardava nosso embarque para Viena
Aquela clássica imagem que vemos ao voltar pra casa. Créditos: Adriano Castro

O desespero que a volta causa é normal, não se preocupe. E não tente se preparar pra isso. É ilusão achar que existe algum controle sobre o que você vai sentir no futuro. Além disso, se há preocupação, significa que você já está vivenciando as sensasões ruins. Sem perceber, você está antecipando um sofrimento, que por si só já é sofrimento.

No momento em que pensamentos ruins começarem a assombrar seus últimos dias de intercâmbio (ou de uma longa viagem), procure não antecipar nada. Aproveite como nunca seus últimos dias. Torne-os proveitosos, trazendo sua cabeça para o presente e não mantendo-a no passado ou no futuro. E, por fim, no lugar de imaginar que tudo isso vai acabar quando você estiver de volta ao Brasil, que tal pensar de outra forma: eu consigo enxergar minha vida como enxerguei o mundo nos últimos meses?

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

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Créditos da imagem de capa: Thomas Frost Jensen / Fonte: Flickr

7 comentários em “Existe vida após o intercâmbio?”

  1. Oi, Adriano. Entendo que a intenção do seu texto é motivar as pessoas a tentarem enxergar o lugar onde moram de forma diferente e treinar o olhar para apreciar as coisas boas também na volta ao Brasil. Concordo com algumas coisas, como o do porquê da experiência de viajar e conhecer outros lugares ser tão boa, mas acredito que você comete dois erros no texto. O primeiro, e menos grave, já que a intenção do blog é aconselhar a partir da sua bagagem pessoal, é o de generalizar a sua experiência. Cada país e tipo de intercâmbio proporciona uma experiência completamente diferente da outra.

    O segundo é comparar uma viagem de mochilão – por maior que seja a duração – com um intercâmbio. Acho – e aqui também generalizando a partir das minhas experiências pessoais, o que acredito não seja a melhor forma de argumentar – que as suas observações valem mais para longas viagens do que para intercâmbios como sugere o título do texto. Acredito que a diferença fundamental é que em intercâmbios – ao menos os de duração razoável – experimentamos como é VIVER em um determinado local, ao invés de simplesmente CONHECER.

    Quando se está simplesmente viajando, pulando de país em país, você dificilmente cria uma rotina minimamente parecida com a qual viveria aqui, também é mais difícil criar laços afetivos, o que intensifica as sensações que você descreve, como que ninguém está lhe julgando, que nada dura para sempre e como você está conhecendo, você está atento a todas as coisas ao seu redor, porque tudo é uma atração.

    Quando você vai para ficar 6 meses, um ano ou mais, em um lugar só, a coisa é um pouco diferente…. Você cria laços afetivos com as pessoas daquele lugar, o que faz desaparecer a sensação de que ninguém está lhe julgando. Depois de um tempo as coisas deixam de ser novidade, e o mais importante, você passa a fazer daquele lugar seu LAR durante esse tempo, e quando você torna aquele lugar a sua nova casa, cria uma rotina, é que “transportes de qualidade, governos sem corrupção ou bons empregos e salários” passam a fazer uma GRANDE diferença. É aí que o retorno se torna ainda mais frustrante.

    Eu amo o Brasil, mas acredito que não devemos ser complacentes com os seus defeitos. São vários os fatores que você citou que significam qualidade de vida, que se varia de cidade para cidade, de país para país, então, nem se fala. E qualidade de vida, se não faz automaticamente ninguém ser mais feliz, ao menos torna a vida bem fácil.

    1. Olá Felipe, primeiramente muito obrigado pelo comentário. Suas palavras acrescentam muito ao texto e espero que os outros leitores tenham chegado até aqui embaixo.

      Entendi seu ponto de vista perfeitamente e tenho de concordar: minha experiência não foi a de um intercâmbio, por mais que eu tenha experimentado longos períodos em um mesmo lugar, como Praga, onde passei 1 mês inteiro já nos últimos dias da viagem. De qualquer forma, nada que se possa comparar em intensidade.

      Antes de escrever o artigo, tive o cuidado de conversar com alguns amigos e amigas que recentemente concluíram o processo de intercâmbio, inclusive com uma parente que ainda está pelo Ciência sem Fronteiras e várias das reflexões foram surgindo nessas conversas, o que me fez perceber que havia alguns sentimentos em comum, os quais eu coloquei no texto. Minha intenção não era a de generalizar uma experiência, mas fico feliz que você tenha apontado o que percebeu. Isso fica como aprendizado para as próximas postagens. =)

      Espero que você continue acompanhando os textos e compartilhando suas experiências com o blog!

      Grande abraço!

      1. Imagina! A intenção é contribuir. A beleza da internet está no compartilhamento e debate de ideias.

        A verdade é que no fundo é difícil a gente se despir totalmente das experiências pessoais quando falamos desses assuntos – e aí me incluo. Só fiz questão de comentar porque notei uma certa impaciência com os retornantes que consideram melhor viver lá fora e por entender que nem sempre esses três fatores que você cita no texto sejam os fatores pela felicidade durante o intercâmbio e a posterior dificuldade da volta.

        Como eu disse os fatores de qualidade de vida como “bom salário, transporte publico de qualidade, um bom sistema de saúde, educação e mesmo sua relação com a cultura local” impactam mais em um intercâmbio do que em uma viagem e podem tornar a volta bem mais difícil no retorno, nem sempre por considerar aqui pior, mas por desejar que aqui também fosse assim – isso quando o intercâmbio é para países com a qualidade de vida supostamente melhor. Tenho amigos, por exemplo, que foram fazer intercâmbio em Ghana, índia e Egito e a relação de comparação é totalmente diferente da minha que morei nos EUA e na Espanha.

        Quando você mora em um lugar onde seu esforço é recompensado por um salário compatível, que permite você comprar o que precisa, viver bem e viajar; a mobilidade urbana é tamanha que você não precisa se preocupar em ter carro, e nem se estressa com isso; e ainda, quando fica doente tem um atendimento descente por um preço justo, ou de graça; voltar pra cá e ver que isso tudo acabou é imensamente frustrante. É como se você tivesse ganhado na loteria e de repente perdesse tudo e fosse pobre novamente. Agrava-se quando você cria laços de amizade e mesmo relacionamentos amorosos e tem que deixar pra trás.

        Claro que tudo é intensificado pela sensação de deslumbramento que a gente têm quando vai pra um lugar novo, mas acredite, eventualmente ela passa no intercâmbio e aí as coisas boas – e é preciso dizer, também as ruins – de cada lugar passam a impactar mais a sua estadia ali.

        Quando li seu texto consegui identificar quase tudo do que senti quando viajava, incluindo os primeiros momentos nos países que morei, mas não o sentimento da volta dos intercâmbios, mas mais uma vez só posso falar baseando na minha própria experiência. Pode ser que outros intercâmbistas se identifiquem mais. No fundo, o que eu quero dizer é: Tente ter mais paciência com seus amigos que dizem que querem voltar ou que lá é melhor, porque os motivos e experiência deles pode ser diferente do que você está pensando.

        Um abraço e parabéns pelo blog! Continuarei acompanhando, sem dúvidas!

  2. Cara, mandou bem! de verdade! Tava precisando ler isso nesse momento. Realmente me deu um “up” no astral. às vezes a gente não sabe como o nosso texto atinge as pessoas, nesse caso saiba que pra mim foi uma ajuda que caiu como luva. Abraço 🙂

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