A pergunta que dá título a este artigo provavelmente já passou pela sua cabeça alguma vez. Se ainda não passou, pode ser que ainda vá passar, principalmente se você também é uma pessoa apaixonada por explorar cidades, países, continentes, oceanos, mundos e o que mais for possível alcançar. Mas por que digo que a pergunta acima é algo que surge naturalmente na cabeça das pessoas uma hora ou outra?

Porque acredito que viajar sozinho é uma espécie de evolução na forma de pensar numa viagem. Afinal de contas, praticamente ninguém fez seu primeiro movimento por conta própria. Você evoluiu pra ele desde que era uma criança e viajava com seus pais. Depois disso, você cresceu e provavelmente viajou com seus amigos da escola e da faculdade, alguns anos depois viajou com seu namorado e ex-namorados, até que um dia você para e pensa: é hora de fazer isso sozinho.

Coreano em Skogafoss, Islândia, que decidiu viajar sozinho para o país

Coreano em Skogafoss, Islândia, que decidiu viajar sozinho para o país. Créditos: Adriano Castro

Mas daí uma série de questões e medos surgem em sua cabeça e na cabeça dos que estão ao seu redor. São várias perguntas, às vezes sem muito fundamento, do tipo: e se acontecer isso? E se acontecer aquilo? Vou estar sozinho e haverá ninguém pra me socorrer numa emergência? Vou morrer? Sua mente pode ser traiçoeira, às vezes, e possui vários mecanismos que o impedem de fazer um movimento grandioso como esse. Viajar sozinho é sim um movimento grandioso e se você não pensa assim é porque ainda não extraiu a verdadeira essência de ter como único companheiro você mesmo.

Mas por que é que as pessoas resistem tanto a essa evolução?

Acredito que seja pelo fato de que desde cedo elas são condicionadas a viver em grupo, sob a proteção das pessoas com quem vivem próximas:

  • Elas criam uma dependência enorme com qualquer coisa que está ao redor delas, seja ela um carro, um apartamento ou um bem utilizado como desculpa pra se lançar em uma longa viagem: não posso viajar e deixar isso aqui empoeirando;
  • Elas se acostumam a ter o café da manhã as esperando todo dia em casa ou na padaria da esquina.
  • Elas têm alguém pra lavar suas roupas, ou para levá-las ao hospital quando necessário, alguém pra conversar quando estão precisando de ajuda e por aí vai.

Ao fazer uma viagem acompanhado ou em grupo, você acaba levando um pouquinho dessas dependências e bloqueios junto com seus acompanhantes. Viajar sozinho é abrir mão disso tudo e de uma só vez. É um grande exercício ao desapego.

Indiano em Vik, Islândia, que optou por viajar sozinho

Indiano em Vik, Islândia, que optou por viajar sozinho. Créditos: 김기한

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O que pode acontecer se você viajar sozinho pelo mundo?

Bom, minha resposta pra essa pergunta é: você vai gostar, e muito! A sensação de liberdade que acompanha uma viagem solitária é indescritível e é a primeira sensação real que você percebe. Você não está ligado a nenhuma pendência, de qualquer espécie, muito menos a qualquer pessoa. Você acorda e toma café a hora que quiser, você sai pro almoço a hora que quiser, explora os lugares que você quer explorar, pelo tempo que quiser. Você cansa e descansa sem precisar esperar por ninguém, você dorme a hora que quiser, e quando estiver cansado da solidão, basta olhar pro lado, pois sempre haverá um grupo de pessoas disposto a recebê-lo de braços abertos.

A facilidade para se enturmar que você desenvolve estando sozinho é algo fantástico. Por alguma razão, vários dos bloqueios que você carrega e que lhe mantêm tímido se desligam naturalmente em situações onde não há alguém lhe acompanhando. Depois de certo tempo, puxar papo com um ser estranho se torna a coisa mais fácil do mundo. Somado a isso, há também um fenômeno que acho interessantíssimo em ambientes como os de albergues e em outros ambientes onde várias pessoas estão no mesmo movimento: por alguma razão, talvez pela sua mente entender que você não tem muito tempo com aquela pessoa, o nível de amizade que você desenvolve evolui de uma forma rápida e muito natural. Dois dias com a pessoa e é como se vocês fossem amigos de longa data. A impressão que tenho é que viajando em grupo você meio que limita a capacidade desse tipo de relação acontecer, pois existe uma zona de conforto com relação a se relacionar com quem está ao seu redor.

Amigos recém-conhecidos na Islândia que se juntaram para uma road trip pelo litoral do país

Amigos recém-conhecidos na Islândia que se juntaram para uma road trip pelo litoral do país. Créditos: Adriano Castro

Em minha road trip pela Islândia, fiz amizades de um ou dois dias que foram suficientes pra que eu continuasse mantendo contato com essas pessoas, seja por e-mail, Facebook etc. E a sensação é que eu as conheço há anos, pelas piadas, a forma de conversar etc. Tenho certeza de que se eu as conhecesse em meu ambiente de trabalho, na cidade em que vivo etc, não seria a mesma coisa, pois, naturalmente, eu esperaria a amizade evoluir pra entrar em certos assuntos. Mas durante uma viagem você não tem tempo pra isso, você só vai ter aquelas pessoas por poucas horas, então só lhe resta conhecê-las melhor e viver intensamente com elas.

O fenômeno que citei acima é mais nítido ainda quando você está sozinho e encontra pessoas que também estão viajando sozinhas. É aí que as rápidas amizades realmente se tornam intensas. O sentimento parte de ambas as partes. Mas o melhor disso é que, como eu disse, as amizades são rápidas e logo você está sozinho novamente, pra fazer o que quiser a hora que bem entender. E um novo ciclo de sua jornada começa. Não há laço nenhum amarrando você a qualquer tipo de rotina.

Voltando a falar dos medos, eu lhe garanto: é um mecanismo de defesa inútil falando, cujo único objetivo é o de impedir que você seja feliz. Tenho um amigo que foi atropelado na Espanha, outro que pegou malária no Vietnã, outro que pedalou por horas debaixo de sol quente até um vilarejo depois de perder sua única garrafa d’água em uma viagem solitária de bicicleta, e todos estão vivos pra contar. Se algo de ruim realmente acontecer com você, acredite, estando em grupo não faz diferença alguma. Agora, você é mulher e tem medo de viajar sozinha? Veja as dicas escritas pela Luiza do blog Olhos de Turista para fugir do assédio durante uma viagem.

Viajantes "solitários" voltando pra casa ao final de uma road trip pela Islândia

Viajantes “solitários” voltando pra casa ao final de uma road trip pela Islândia. Créditos: Adriano Castro

Seja em uma viagem dentro ou fora do Brasil, seja ela de dois dias ou de um ano, o importante é captar sua essência. No momento mais inesperado, quando a ficha cai e você entende que está sozinho, começa a perceber a carga de boas energias que isso tudo proporciona e então você tem a certeza de que tomou a decisão certa.

Acredito que a parte mais importante de viajar sozinho não é somente a sensação de liberdade proporcionada. A sensação existe, sim, muito forte e provavelmente será o primeiro sentimento com o qual você fará contato. Mas a parte grandiosa do processo é o simples fato de que nessa estrada seu único amigo de verdade será você mesmo, e acredito que antes de querer estar com qualquer pessoa, seja em uma viagem, seja em qualquer parte da vida, você precisa aprender a estar com você mesmo.

Adoraria saber a respeito de suas experiências ao viajar sozinho, que tal falar sobre elas nos comentários abaixo?

 

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

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Créditos da imagem de capa: 김기한

10 comentários em “O que pode acontecer se você viajar sozinho pelo mundo?”

  1. Quase todas as minhas viagens foram sozinho. Na primeira eu tinha dores de barriga só de imaginar o que vinha pela frente, eu ia para Londres pela primeira vez e ainda tinha um inglês péssimo. Ficava sofrendo por antecipação, com medo de absolutamente tudo. Bom, a viagem foi incrível e depois disso, viajo 3,4,5 vezes por ano sozinho. Eu já falei muito sobre isso no meu blog (vounajanela.com.br) e eu aprendi a me conhecer melhor, jogo de cintura em situações complicadas, a me relacionar melhor e a valorizar mais as coisas simples da vida.

    1. Olá Fabrício. Realmente, lembro de minha primeira longa viagem sozinho. Na primeira noite que eu estava no Marrocos eu deitei pra dormir, olhei pro teto e pensei: “que que eu tô fazendo aqui?” Hahahaha! Rola uns frios na barriga mesmo, mas depois que você pega o espírito da coisa você fica muito a vontade e a “solidão” passa a ser natural.

    1. Olá Renata. É normal ter medo. A gente imagina várias coisas que podem dar errado, mas fique tranquila pois dificilmente elas acontecerão. 🙂

      Nos artigos que escrevi pros 134 Dias de Mochilão pela África e Europa https://viajeibonito.com.br/134-dias-de-mochilao-pela-africa-e-europa/ há várias situações que aconteceram comigo, mas se você ver bem, estando lá, precisando enfrentá-las, é possível se virar.

      Você volta com uma bagagem única pro Brasil.

  2. Estou partindo para minha primeira viagem sozinha, mês que vem, sinto frio na barriga, o medo me consome e as incertezas só aumentam com a chegada da viagem, mas a vontade de ir é muito maior, o desejo de evoluir e aprender a lidar com a solidão me da em empurrão para seguir. Sei que não será fácil, mas tenho certeza que será indescritível.

  3. Já fiz algumas viagens ao exterior mas sempre em companhia de amigos. Ano que vem será a minha primeira viagem solitária. Como o colega Fabricio, meu inglês também não é grande coisa e por isso resolvi explorar os países da peninsula Baltica primeiro(ESTONIA, LETONIA E LITUANIA) por aparentemente serem bem mais tranquilas. Dá um frio na barriga, mas espero que dê tudo certo….

    1. Olá Pedro! Parabéns pela iniciativa!! Vai dar tudo certo sim!

      Se precisar de dicas, aqui vão alguns posts no blog sobre a viagem que fizemos pelos bálticos: https://viajeibonito.com.br/tag/lituania/ https://viajeibonito.com.br/tag/estonia/ https://viajeibonito.com.br/tag/letonia/ e também esse artigo sobre quanto custa viajar por lá: https://viajeibonito.com.br/quanto-custa-viajar-pelos-balticos-russia-e-finlandia/. Qualquer dúvida é só chamar.

  4. Olá… ano passado eu fiz minha primeira viagem com amigos. Pois é já com 22 anos eu fui viajar pra outro estado pela primeira vez com amigos, ficamos em um hostel, e de cara me apaixonei pela sensação de “viajar” eu sempre fiquei na minha mesa no escritório olhando os mais doversos destinos e suapirando por vontade de sair e desbravar esse mundão, logo 1 mes depois dessa viagem com meus amigos eu voltei pra o mesmo lugar RJ sozinha ? Pois é um mês depois já estava eu indo viajar sozinha. E me apaixonei, já estou planejando a próxima viagem alone rs. Tudo o q eu lí no seu texto eu me identifico, sempre fui muito timida mas depois de viajar sozinha eu desenvolvi uma habilidade de fazer amizades com estranhos. 3 dias emum hostelbo RJ e já fiz grandes amigos ❤️

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