Uma grande viagem está por vir. Falta pouco. Você não vê a hora dela chegar, de ficar longe do trabalho e da rotina, de relaxar e aproveitar a vida. Os planos são feitos, o roteiro é montado e muito antes do primeiro dia já se sabe o que será visitado, o que será comprado e também o que será feito. Nada pode dar errado, afinal de contas tudo está muito bem planejado.

O dia chega e a partir desse momento todas as expectativas acumuladas ao longo dos meses serão colocadas à prova.

Até que alguns imprevistos começam a dar as caras: um pneu furado, um voo atrasado, um desentendimento com a conta do restaurante, um morador que não sabe receber bem turistas em sua cidade, um resfriado, um tempo nublado, um mar de ressaca, um assalto, um passaporte perdido, entre vários outros que se fossem listados aqui gerariam um artigo de tamanho inimaginável.

O imprevisto, por menor que seja, é capaz de gerar uma reação em cadeia que coloca toda sua viagem em risco. Seu estado de espírito muda, sua paciência para lidar com certos assuntos começa a se esgotar e o que era para ser um período feliz acaba não sendo, dando lugar a um sentimento que é separado da expectativa por uma linha muito tênue: a frustração.

No geral, somos muito sensíveis a qualquer coisa que possa ferir nosso planejamento. Muitas vezes não estamos preparados para os vários eventos que podem estragar os planos que foram confeccionados com muitas horas de nosso valioso tempo. Não damos o espaço devido aos imprevistos e os tratamos como inimigos, afinal de contas, nossas expectativas já foram bem claras no início: vai ser uma viagem fantástica.

Mas onde nós erramos?

Nós erramos justamente no momento em que decidimos viajar e permitimos toda a fantasia criada pelos filmes, fotos e histórias dos destinos que visitaríamos. Pensamos que tudo estará completamente estático, idêntico e previsível. Nos esquecemos de que o princípio da impermanência nos diz que nada no universo dura para sempre, por que então insistimos em criar falsas expectativas a respeito de algo que foge totalmente ao nosso controle?

As coisas são muito diferentes quando temos a compreensão de nada é previsível e de que por mais que tenhamos planos A, planos B e planos C, todos podem dar errados. Todos os roteiros de sua viagem podem estar indisponíveis em um dia chuvoso ou quando o país acabou de ser alvo de um atentado terrorista. São infinitas variáveis, infinitas combinações de eventos em cada cantinho do mundo, e nós esperamos que todos eles aconteçam do jeito exato que imaginamos.

Uma linda praia, e está começando a chover

Uma linda praia, e está começando a chover. Créditos: David Vega / Fonte: Flickr

Em duas semanas estarei na praia, com o sol a todo vapor, minha cervejinha do lado, as ondas do mar em perfeito estado e sem pensar em mais nada. Até que uma chuva vem, ou então o chefe liga no celular para pedir ajuda em um assunto que exige horas e horas de conversa. Nenhuma ocasião é completamente blindada a imprevistos, e mesmo assim nós insistimos em criar expectativas.

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O segredo é então criar expectativas ruins?

Há quem pense assim: no lugar das boas expectativas, vou imaginar que tudo dará errado, que tudo será ruim para que então, quem sabe, tudo seja bom, já que as coisas tendem a acontecer na direção contrária à nossa imaginação. Houve uma vez em que você faria uma viagem mas esperava que fosse nada demais e acabou se surpreendendo, não é? Então se no lugar de permanecer neutro você for ao outro extremo e imaginar que seu roteiro será uma aberração de ruim, a tendência é que ele seja maravilhoso. Acredite, isso não passa de uma carga enorme de expectativa completamente mascarada, e não vai funcionar.

No final das contas, qualquer tentativa de prever o futuro e se ele será bom ou ruim é a expectativa em si. Ela sim é seu inimigo, e não o imprevisto, como estamos acostumados a pensar. Esse é o papel da expectativa: o de vilão.

Então como lidar com a expectativa?

A viagem já está marcada e a ansiedade vai aumentando dia após dia? Então não tente evita-la: isso pode não ser muito saudável e você ficará correndo atrás do rabo enquanto trabalha, estuda ou executa seus afazeres diários. Quando os pensamentos sobre ela vierem, converse com você mesmo e diga para que o futuro pro futuro, e que você terá muito tempo para sentir as boas sensações que uma viagem traz, mas agora é hora de pensar em onde você está. Só isso.

Planejamento é importante sim. Cuidar de um visto, de um passaporte e fazer as reservas de passagens e hospedagens são necessárias e devem ser tratadas com carinho. Mas qualquer coisa que fuja disso, isto é, qualquer tentativa de imaginar como tudo será maravilhoso nesses lugares é muito perigoso e as chances para a frustação são cada vez mais ampliadas.

Lembre-se sempre: tudo muda, a todo tempo e foge ao nosso controle. Não devemos pensar que tudo será lindo nem pensar que tudo dará errado. Devemos permanecer abertos, somente isso. Enquanto agora faz sol na praia que você estará indo, amanhã pode estar chovendo enquanto você estiver lá. E se isso acontecer, dance na chuva. Se o pneu furar no caminho, aproveite para fotografar as paisagens de beira de estrada que costumam ser lindas. Se uma das atrações que você gostaria de conhecer está fechada, aproveite esse tempo precioso para conhecer uma parte aleatória fora do roteiro. Sempre há uma opção, contanto que você esteja de cabeça bem aberta e lembrando sempre a respeito da impermanência das coisas.

Se o pneu furou, aproveite pra tirar boas fotos

Se o pneu furou, aproveite pra tirar boas fotos. Créditos: Christiaan Triebert / Fonte: Flickr

No final das contas, você percebe que não está fazendo nada mais do que aproveitando o presente. E é exatamente nesse presente que você se encontra antes daquela viagem na qual você está criando várias expectativas. E essa é a melhor forma de lidar com as tentativas rasteiras da mente em criar cenários e possibilidades para tudo.

Dizer que esse é o segredo e a fórmula para que sua viagem seja livre de frustrações eu não posso. Afinal de contas, eu estaria de fato criando uma nova expectativa. Por isso apenas recomendo que no lugar de imaginar o quão boa sua viagem será, apenas sinta-se agradecido por ter a oportunidade de conhecer lugares novos, mas sempre com os pés no chão, no agora.

E boa viagem!

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

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Créditos da imagem de capa: Pacheco / Fonte: Flickr

2 comentários em “Qual é o papel da expectativa em uma viagem?”

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