Em meu último artigo, “Seu trabalho não é inimigo de sua viagem“, mostrei a você que o trabalho muitas vezes é apenas uma desculpa para o constante adiamento de uma viagem maior, mais completa e rica espiritualmente. Além do próprio trabalho, o dinheiro se mostra um dos grandes culpados. Ou melhor, a falta dele.

Mas por que trato o trabalho e o dinheiro como desculpas? Eles são essenciais à vida de qualquer um? Sim, mas viajar não é sinônimo de gastar dinheiro, e um viajante não necessariamente é um completo vagabundo. Apenas saiba que você pode viajar e ganhar dinheiro viajando!

Artista de rua

Artista de rua. Créditos: Garry Knight / Fonte: Flickr

É difícil assimilar uma coisa dessas. Hoje em dia quem larga o emprego pra dar a volta ao mundo é tido como louco, mas não deveria ser assim. É possível viajar e manter uma condição financeira razoável que lhe permita se hospedar, comer e se deslocar. Precisa mais do que isso?

A primeira dica que eu dou é: seja criativo! Você não vai entrar nessa por um plano de carreira, muito menos para ter salários exorbitantes, mas sim para ter o suficiente pra sobreviver. Entenda isso e você já terá dado o primeiro passo. Agora pense em algo que as pessoas dão valor onde quer que você esteja e alie ao fato de que você será uma pessoa de fora num possível emprego informal. Para qualquer estabelecimento ou empresa, contratar estrangeiros enriquece culturalmente o ambiente e isso é um ponto em seu favor.

Preparado para conhecer algumas das muitas formas de se ganhar dinheiro no exterior?

Aulas particulares de idiomas

Se você é brasileiro, tem como língua nativa o português. Se você é americano, tem o inglês. E assim por diante. Seja onde você estiver, haverá pessoas interessadas em aprender o seu idioma e é possível tirar proveito disso. Tudo o que você precisa é de alguns poucos estudantes e sua reputação pode crescer a partir daí.

Caderno com anotações de idiomas

Caderno com anotações de idiomas. Créditos: George Redgrave / Fonte: Flickr

Ao sair do Brasil, imprima alguns panfletos e espalhe pelos albergues e estabelecimentos ao seu redor, converse com as pessoas e faça um trabalho de divulgação nos primeiros dias de sua viagem. Aos poucos a clientela vai aparecer e você já terá alguns trocados pra pagar seu primeiro mês de hospedagem. Lembre-se, o básico para executar esse trabalho você já tem: seu idioma!

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Distribuição de panfletos

Falando em panfletos, existem muitas empresas que ainda fazem esse tipo de marketing e que pagam por dia, geralmente em dinheiro vivo e sem vínculo empregatício. Além disso, para distribuir panfletos, você não precisa falar o idioma do país em que estiver. Já deu pra perceber o quanto esse emprego temporário pode ser o que você precisa?

Antes de pensar no quão chato seria ficar parado o dia inteiro entregando papéis, pense que isso pode ser divertido. Imagine quantas pessoas diferentes você verá em um dia. É uma oportunidade incrível para observar como se comportam os moradores do país. Vale até mesmo arranhar um bate-papo com quem estiver disposto a parar por alguns minutos pra saber mais sobre o que você está divulgando. Como eu disse no começo do artigo, basta ser criativo. Digamos que esse pode ser um grande exercício na arte de aprender a curtir os pequenos e simples momentos da vida.

Flyer de uma festa indie

Flyer de uma festa indie. Créditos: César Santiago Molina / Fonte: Flickr

Empregado do seu albergue

Este é o mais clássico. Uma das principais características dos albergues é a capacidade de promover engajamento social entre pessoas de diferentes culturas. Para isso, o modelo de negócios deste tipo de estabelecimento deve ser capaz de resultar em valores acessíveis de hospedagem. Uma das soluções encontradas por eles é a de contratar turistas informalmente.

Assim, uma mão lava a outra: você ganha hospedagem e alguns trocados pra gastar no país. Em troca, doa parte de seu tempo a limpar, recepcionar, dar manutenção nos computadores e na execução de muitas outras tarefas para as quais os albergues precisariam contratar mão-de-obra qualificada, muitas vezes, cara!

Recepção de um albergue

Recepção de um albergue. Créditos: wombats CITY HOSTELS / Fonte: Flickr

Para complementar essa sugestão, apresento a vocês um site fantástico que achei enquanto escrevia este artigo: o Hostel Travel Jobs. Já aviso que isso não se trata de propaganda. Estou divulgando o site por conta própria. Já de cara, na página inicial, é possível ter uma visão global de quais albergues estão abertos a contratar turistas para trabalhos temporários. A vantagem de se ter um site que cuida disso é que é possível planejar tudo antes mesmo de sair do país.

Seja criativo

Viajar pelo mundo, trabalhando e pagando as despesas com o dinheiro conquistado na própria viagem é algo que depende de sua criatividade, vontade e foco. Seu foco deve estar na viagem, e não no dinheiro. Você não vai fazer isso para enriquecer financeiramente, mas sim pra conseguir se virar e de quebra conhecer outros países. Se o seu objetivo for fazer dinheiro lá fora, então pode ir se preparando para enfrentar toda a burocracia que envolve esse processo.

Voltando ao tema do artigo, uma vez que você consegue balancear despesas e receitas dentro de sua viagem, é possível migrar de país em país aplicando tudo o que você terá aprendido e sua viagem será um sucesso.

Você já passou por experiências de trabalhos temporários como essas que apresentei? Compartilhe com o Viajei Bonito através dos comentários abaixo e ajude quem também está interessado em conhecer o mundo sem ter que gastar muito dinheiro.

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

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Créditos da imagem de capa: Garry Knight / Fonte: Flickr

3 comentários em “Viajando e trabalhando: como pagar a viagem de seus sonhos”

  1. Na parte do “Empregado do seu albergue”, tem o WORLDPACKERS ( http://www.worldpackers.com ), o qual você trabalha voluntariamente no hostel em troca de hospedagem, e eventualmente até um café da manhã! Isso vale pra hostels no mundo todo e as vagas são bem legais, dá pra usar suas habilidades em troca de hospedagem! 🙂

  2. Ola Adriano! Primeiramente: muito massa seu artigo! Cai nele, pois estou prestes a ingressar “nessa vida” por tempo indeterminado e logico, penso bastante nas possibilidades de trampos no exterior.
    Enfim… ficou uma questao sobre o ensinar idiomas. Sempre achei uma ideia mto obvia e genial ao mesmo tempo, porem penso: quem nao tem experiencia em dar aula, nao tem material.. Como estruturar as aulas para que tragam reais frutos para os seus alunos?
    (Obs. estou escrevendo de um computador estrangeiro, realmente gostaria muito de fazer as pontuacoes corretas, porem…,rs)

    1. Olá Beatriz. Não tenho experiência com aulas particulares, então só me resta pensar em algo pra que vc possa pelo menos começar, ganhar experiência e estruturar suas aulas futuramente.

      Que tal oferecer acompanhamento a alunos interessados que estão fazendo uso de alguma ferramenta gratuita (ou até msm paga) de ensino de idiomas?

      Digo isso pq já usei o Duolingo pra aprender alemão e italiano e sentia mt falta de alguém pra acompanhar minha evolução com um treinamento mais prático. Não sei, é apenas uma ideia. Vc poderia cobrar mais barato por aulas menores apenas para iniciar uma clientela utilizando alguma plataforma de apoio como essa e aos poucos planejar seu próprio material.

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