Atacama e Uyuni: A viagem que eu faria se eu fosse de novo!

Vou começar meu relato com uma anedota. Em um dos passeios que fizemos no Atacama perguntamos ao nosso guia, um chileno muito buena onda, quais eram os piores tipos de turistas. Ele, sem titubear, nos respondeu: os chilenos!

Na percepção dele, os chilenos são muito classistas e tratam os guias e todos os prestadores de serviço como seus inferiores. Depois, em meio de muitas risadas, foi nos contando seu ponto de vista sobre os outros turistas. “Os brasileiros? Ah, os brasileiros são os melhores, eles estão sempre rindo e acreditam em tudo o que nós dizemos.

Já os franceses, não, eles são super preparados quando viajam e se nós dissermos ‘olha lá, aquele morro ali tem 4.000 metros de altitude’, vai sempre vir um francês para dizer ‘eu li no guia tal que o morro tem 4.001 metros, não 4.000″.

Se eu fosse francesa, uma turista preparada, que além de ler blogs de viagem legais como o Viajei Bonito, lesse um pouco de história, eu não teria ficado tanto tempo em San Pedro do Atacama (ficamos 07 dias) e teria entendido melhor o porquê da birra do meu guia com seus conterrâneos.

Aquarela do vulcão Licancabur, mágico e sagrado, que predomina na paisagem de San Pedro do Atacama. Ao lado dele, o vulcão Juriques. Créditos: Cássia Mota
Aquarela do vulcão Licancabur, mágico e sagrado, que predomina na paisagem de San Pedro do Atacama. Ao lado dele, o vulcão Juriques. Créditos: Cássia Mota

O que você não lê sobre San Pedro do Atacama

A cidade de San Pedro é pura exploração capitalista. A maioria dos donos de agências e restaurantes são de Santiago, exploram mão de obra boliviana e peruana (mais barata que a mão de obra chilena), exploram os recursos e a sabedoria dos povos ancestrais (atacamenhos) e não lhes retornam quase nada dos exorbitantes lucros (todos os passeios são caríssimos e nenhuma refeição em San Pedro sai a menos de 50 reais, nem mesmo um sanduíche com coca nos restaurantes centrais da cidadezinha).

Para entender melhor isso, aconselho que você faça pelo menos um tour de viés histórico: o pukará de Quitor é muito bom, especialmente se você tem a sorte de encontrar um local (procure o atacameño Cosme, um senhor cheio de histórias) para contar sua versão dos fatos e da colonização espanhola. A região do oásis do Atacama é muito rica, foi palco de várias civilizações, até mesmo dos Incas. Além do pukará (que dá pra ir andando ou de bike e é baratérrimo pra entrar), tem as ruinas e hieroglifos, e também há um tour astronômico que explica a cosmologia andina.

Pukará de Quitor, Atacama, Chile
Pukará de Quitor, Atacama, Chile. Créditos: Cássia Mota

Uma coisa que você não lê muito nos guias de turismo, mas lê nas notícias científicas e, que para os amantes de astronomia vale muito a pena, é que dá pra visitar o observatório ALMA (um dos maiores e mais avançados do mundo, financiado por várias agências espaciais top) – a visita tem que ser agendada, e acontece aos fins de semana.

O que você lê e que vale a pena fazer

Se você for à Bolívia saindo do Atacama, como eu, alguns passeios você pode deixar de fazer, se estiver com pouco tempo/grana/disposição. Entre os mais lindos passeios da região do Atacama, pra mim, está o Salar de Tara ($$$, mas que é INCRÍVEL).

Salar de Tara
Salar de Tara. Créditos: Cássia Mota

Agora, se além de ver coisas e ficar no carro o dia todo pra lá e pra cá, você quer imergir em experiências, é legal fazer um desses passeios aqui: a laguna Cejar (a mais salgada do mundo, você entra e flutua); as termas de Puritama (umas lagoas naturais quentes em meio ao deserto, paisagens super bonitas) e o tour astronômico.

Vale da Lua, Atacama, Chile
Vale da Lua, Atacama, Chile. Créditos: Cássia Mota

Outro passeio lindo é o Vale da Lua, dá pra fazer de bike (pros mais preparados), não é muito longe. Todos os demais passeios são lindos, mágicos e valem a pena (se você for da vibe turismo socialmente sustentável, escolha agências geridas por locais, como a Caapcha – na rua Caracoles, perto da Domingo Atienza) Mas se você vai para a Bolívia, as lagoas e paisagens que vai ver são ainda mais surreais.

Prepare-se para paisagens lunares e intergalácticas no deserto: o vale da lua é um dos pontos de fácil acesso, caminhadas tranquilas e pouca altitude.
Prepare-se para paisagens lunares e intergalácticas no deserto: o vale da lua é um dos pontos de fácil acesso, caminhadas tranquilas e pouca altitude. Créditos: Cássia Mota

Se você vai para a Bolívia

Lá é lindo lindo lindo, você não vai se arrepender. Uma dica de agência legal, que faz a viagem ser menos perrengue, é a Cordillera Traveler, super bem recomendada em vários blogs. São quatro dias de viagem (ida e volta saindo de San Pedro) e o terceiro dia é todo dedicado ao Salar de Uyuni! Vale a pena planejar as fotos divertidas, caso você queira levar algum objeto, porque obviamente você não vai achar muita coisa pra comprar ali perto.

Se você volta pelo Atacama / Calama / Santiago

Vale a pena reservar uns diazinhos na volta pra conhecer Santiago e região. Pelo menos uns quatro, Santiago tem muitos museus e uma gastronomia excelente. E a região tem lugares super interessantes, como Valparaíso e a região dos vinhedos, Casablanca e arredores.

É preciso dizer que no Chile como um todo a comida é muito boa e os vinhos são excelentes – prove, no atacama, os sabores locais: pratos a base de rica-rica, chañar, llama, quinoa e ají são boas pedidas. Em Santiago e região, os frutos do mar são ótimos (machas, salmão, centoja) e as carnes al pil pil (boi, porco ou frango) têm um tempero muito bom.

Aquarela do vinho chileno.
Aquarela do vinho chileno. Créditos: Cássia Mota

Comer no Chile: uma experiência muito legal. Nos restaurantes, sempre tem bandeirinhas (eles são bem nacionalistas), o vinho é sempre bom e farto e essas florezinhas (copihue) são um símbolo nacional!

O que levar na mala

Tanto Atacama quanto Uyuni são desertos, então prepare-se para variações de temperatura enormes, e também para quase 0% umidade no ar. Leve roupas leves e, ao mesmo tempo roupas de frio (as temperaturas podem ser negativas). Leve muito protetor solar e também muito hidratante (labial, facial, para mãos e para o corpo). Hidrate-se muito, com água ou isotônico, é muito importante para manter seu corpo preparado para os passeios e a altitude. Se for para Uyuni, vale a pena levar um saco de dormir também (eles alugam caso você esqueça de levar), porque os abrigos (eles chamam de refugios de montanha) não têm calefação.

Para a mulherada que não abre mão dos cuidados com a beleza, no blog Estrangeira foram postadas várias dicas para manter os cabelos e a pele hidratados mesmo no clima desértico.

Quanto custa

Para o tour de Uyuni, as agências costumam cobrar U$ 250,00 com quase tudo incluído. Para fazer pelo menos quatro passeios em Atacama, reserve uns 120.000 pesos e tente negociar um desconto, pagando em cash. Se você vai comer fora todos os dias (comer eu digo comidas com nutrientes, não só biscoitos e sanduíches de queijo), reserve ao menos 20.000 pesos por dia. Para a estadia, existem muitas nuances, mas imagine, para um albergue, uns 30 dólares/noite. Para Airbnb, uns U$ 60/noite. Hotéis básicos e hostels, cerca de U$ 80/ noite. Já os hotéis bons de verdade, saem ao menos por U$ 150,00 a diária.

Quer dicas para economizar no Atacama? No blog Viajando na Janela você encontra várias!

Atacama e Uyuni: A viagem que eu faria se eu fosse de novo!

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Cássia Mota

É arquiteta e hoje trabalha como designer gráfica e cenográfica para veículos como a TV Brasil, a Radio Nacional e a Agênca Brasil.

5 pensou em “Atacama e Uyuni: A viagem que eu faria se eu fosse de novo!

  1. É muita informação que se perde se alugar um carro ou moto e fizer os passeios no Atacama por conta própria? Ou dá pra buscar algo no Wikipedia que está bom? Pq só pra guiar e orientar sei muito bem

  2. Fiz a mesma viagem, 4 dias no salar de uyuni e 4 dias no atacama.
    Paguei 120 mil pesos no tour pra uyuni com tudo incluso, hostels(refúgios) alimentação, transporte e tudo mais, exceto a entrada ao parque.
    No atacama gastei o equivalente à 120 mil pesos também em tours mais as entradas que se você não tiver identidade chilena, como eu tinha, saem mais caras.
    Hostel eu paguei 10 mil pesos a diária com café da manhã – Chama-se Pangéia Norte, é super organizado, limpo e buena onda.

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