Como escolher um voo internacional sem perder o primeiro dia da viagem
Na hora de comprar uma passagem internacional, é tentador ordenar os resultados pelo menor preço e escolher a primeira opção. Mas a passagem mais barata nem sempre é a que custa menos no fim das contas.
Imagine dois voos para o mesmo destino. Um chega a tempo de pegar o transporte público e fazer o check-in com calma. O outro tem uma conexão apertada e pousa de madrugada, quando uma corrida de aplicativo até o hotel pode custar mais do que você economizou na passagem.
Pode acreditar, eu também já fiz muita falsa economia. Com o tempo, aprendi a comparar os voos com mais cuidado e a encontrar passagens com bom custo-benefício. Às vezes, dá até para conhecer mais de um destino pagando por uma única viagem. Neste artigo, vou te mostrar como faço isso.
Índice
- Escolhendo voos com conexão
- Usando uma conexão longa para conhecer a cidade intermediária
- Qual é o melhor horário para chegar ao destino?
- O aeroporto de chegada muda o custo da passagem
- Bagagem e conforto também entram na conta
- Quando uma tarifa mais barata deixa de compensar
- E se o voo atrasar ou for cancelado?
- O que conferir antes de comprar a passagem

Escolhendo voos com conexão
Voos diretos são mais cômodos do que voos com conexão, já que passamos pelo embarque uma vez só e, não precisamos retirar nossas malas de bordo para sair do avião, pegar fila, procurar outro portão de embarque na correria ou passar muito tempo ocioso até o momento de embarcar novamente.
O problema é que nem sempre é possível viajar direto para o nosso destino final, então precisamos ser estratégicos ao escolher um tempo de conexão viável.
Normalmente, quando compramos dois voos em um único localizador, as próprias companhias aéreas planejam o itinerário com um intervalo de conexão que seja viável para os passageiros. No entanto, imprevistos podem acontecer e o viajante acaba perdendo o voo seguinte, causando desespero e frustração.
Mesmo que a companhia aérea seja obrigada a colocar você em outro voo, chegar mais tarde do que o previsto pode atrapalhar seus planos. O transporte público talvez já tenha parado de funcionar, você pode perder um passeio e, se não conseguir avisar o hotel sobre o atraso, corre o risco de ter a reserva cancelada por no-show, ou seja, por não comparecimento.
Qual é o tempo ideal de conexão?
O tempo de conexão de que você precisa depende do que terá de fazer entre um voo e outro. Em um aeroporto grande, pode levar mais tempo para chegar ao próximo portão, especialmente se você precisar trocar de terminal. Também é preciso considerar as filas da imigração e da inspeção de segurança, a retirada da bagagem e até a possibilidade de o primeiro voo atrasar.
Em voos de São Paulo para Roma, por exemplo, será necessário passar pelo controle de passaportes e trocar de terminal. Sendo assim, não é recomendável escolher voos com conexões abaixo de 2 horas e meia.
Não dá para listar o tempo de conexão ideal em todos os aeroportos de cidades turísticas do mundo, mas se a sua conexão for em um dos grandes aeroportos abaixo, recomendo deixar pelo menos 4 horas de intervalo entre os voos:
- Londres Heathrow (LHR): tem quatro terminais (T2, T3, T4 e T5), sendo que o T5 fica mais isolado e a troca depende de ônibus ou trem interno, com nova checagem de segurança em muitos casos.
- Paris Charles de Gaulle (CDG): é famoso por conexões estressantes, já que possui três terminais e várias áreas no T2 (2A a 2G), com distâncias grandes a pé e o trem CDGVAL entre eles.
- Madri Barajas (MAD): tem quatro terminais, além do T4S, que fica separado do T4. Os ônibus gratuitos passam com menos frequência à noite, e o trem que liga o T4 ao satélite também envolve espera e caminhada.
- Nova York JFK: tem vários terminais ligados pelo AirTrain, mas trocar de terminal geralmente exige sair da área de embarque, passar novamente pela área de segurança e, às vezes, despachar a bagagem outra vez.
- Los Angeles (LAX): os terminais estão dispostos em formato de U, sendo que alguns se conectam por dentro, mas outros exigem caminhar do lado de fora, e a segurança é lenta.
- Dubai (DXB): possui três terminais, com metrô entre T1 e T3 e distâncias enormes a pé dentro de cada um.
Usando uma conexão longa para conhecer a cidade intermediária
Sempre que possível, eu prefiro escolher uma conexão longa, de 9 horas ou mais, para conhecer ou explorar novos lugares na cidade intermediária. Então, aqui no Viajei Bonito você pode ler:
- Como visitar a Torre Eiffel e o Arco do Triufo durante uma conexão em Paris
- Como visitar o Duomo durante uma conexão em Milão
- O que fazer em Nova York durante uma conexão
Antes de sair do aeroporto, confira se você pode entrar no país, como chegar ao centro, onde guardar a mala e a que horas precisa estar de volta. Se o deslocamento consumir quase todo o intervalo, talvez seja melhor ficar no terminal e usar esse tempo para comer e descansar.
Qual é o melhor horário para chegar ao destino?
O melhor horário para chegar ao destino é no fim da manhã e começo da tarde, próximo ao horário do check-in no hotel.
O voo que pousa mais cedo nem sempre rende mais tempo de viagem. Se você chegar às seis da manhã depois de uma noite mal dormida, talvez precise guardar a mala até o horário do check-in e passar o dia procurando energia para passear.
Por outro lado, um pouso depois da meia-noite pode significar transporte público limitado e uma corrida de táxi mais cara.
O aeroporto de chegada muda o custo da passagem
Uma passagem mais barata pode ser menos vantajosa quando o aeroporto fica distante da cidade. Antes de decidir, some ao preço do bilhete o custo de ir até a hospedagem e considere o tempo desse trajeto.
Faça a conta para todos os aeroportos que atendem ao destino, principalmente quando a chegada é à noite. Consulte o horário do funcionamento do metrô e das linhas de ônibus, se eles não estiverem disponíveis, veja quanto custa uma corrida de aplicativo ou transfer.
Importante: por motivos de segurança, alguns aeroportos não funcionam 24 horas, então não é sequer possível dormir nas cadeiras incômodas de seus terminais. Em todo caso, tenho algumas dicas de como dormir confortavelmente em aeroportos, que escrevi quando ainda era uma jovem mochileira.

Bagagem e conforto também entram na conta
Confira no site da companhia aérea quais são o peso e as dimensões permitidos para a bagagem de mão e a mala despachada em cada trecho. Se pretende despachar uma mala, confirme se ela seguirá até o destino final ou se você precisará retirá-la e entregá-la novamente durante a conexão. Isso pode acontecer conforme a rota, o aeroporto e a reserva, e muda o tempo necessário entre os voos.
Em viagens longas, compare também os horários de sono, o tempo total de deslocamento e as características da cabine. O modelo de avião pode dar uma pista sobre a configuração dos assentos e os recursos de entretenimento a bordo.
Independentemente do que é fornecido, eu recomendo fortemente que você leve tapa-olhos e fones de ouvido para conseguir descansar melhor durante o voo.
Quando uma tarifa mais barata deixa de compensar
Além da mala, confira se a tarifa permite escolher assento, alterar a data ou solicitar reembolso e quanto custa cada serviço que você pretende usar. A diferença de preço entre duas opções pode diminuir depois que você adiciona bagagem despachada e o transporte até a hospedagem. Para comparar com justiça, use sempre o valor que efetivamente pagaria nas mesmas condições.
Também preste atenção aos aeroportos da conexão. Uma troca de aeroporto na mesma cidade exige sair de um terminal, atravessar a cidade e fazer um novo check-in. Nesse caso, veja as regras de entrada no país, calcule o custo do deslocamento e reserve uma folga maior. É um detalhe que pode passar despercebido quando o buscador mostra apenas a duração total da viagem.
Se a passagem tiver trechos operados por companhias diferentes, confira as regras de bagagem de cada uma e como será feito o check-in. O nome da empresa que vende o bilhete nem sempre é o mesmo de quem opera todos os voos. Na tela final da compra, revise aeroportos, datas, horários locais e condições da tarifa antes de informar os dados de pagamento. Em um roteiro internacional, o dia indicado para o pouso pode ser diferente do dia de partida por causa do fuso horário.

E se o voo atrasar ou for cancelado?
Guarde a reserva, os cartões de embarque, os comprovantes de gastos e as mensagens da companhia. Se ocorrer atraso, cancelamento ou outro problema, procure primeiro os canais de atendimento da empresa e registre as orientações recebidas. Assistência material, reacomodação e reembolso dependem das circunstâncias e das regras aplicáveis ao trecho.
No Brasil, o Anac Passageiro permite registrar reclamações contra empresas aéreas. A Anac encaminha a demanda à companhia, que tem até dez dias corridos para responder. Essa resposta vem da empresa, não da agência.
O que conferir antes de comprar a passagem
Para recapitular as dicas deste artigo, veja o que vale conferir antes de comprar a passagem mais barata:
- Tempo de conexão: veja se há margem para trocar de terminal, passar pela imigração, retirar a bagagem e lidar com um possível atraso.
- Aeroportos da conexão: confirme se os voos saem do mesmo aeroporto. Uma troca de aeroporto exige deslocamento e pode trazer gastos extras.
- Horário de chegada: confira como você irá até a hospedagem, especialmente se o voo pousar de madrugada.
- Custo do transporte: some ao preço da passagem o valor do trajeto entre o aeroporto e o hotel.
- Bagagem: compare o que cada tarifa inclui e descubra se será preciso retirar e despachar a mala novamente durante a conexão.
- Condições da tarifa: verifique os custos para escolher assento, alterar a data ou cancelar a viagem.
- Tempo total de viagem: considere as horas de espera, os horários de sono e o conforto a bordo. Se quiser passear durante uma conexão longa, calcule quanto tempo realmente terá fora do aeroporto.
Ainda tem alguma dúvida sobre como comprar passagens aéreas e escolher um voo internacional? Escreva aqui nos comentários e eu te ajudo!