O que fazer em Nova Veneza, um pedaço da Itália em Santa Catarina

O Brasil é um verdadeiro mosaico. Neste país de proporções continentais, recebemos influências culturais de diversos povos e isso fica ainda mais evidente quando visitamos cidades como Nova Veneza, no sul de Santa Catarina. O lugar parece um recorte da “Velha Veneza italiana” e nos próximos parágrafos você entenderá o porquê. Quer saber o que fazer em Nova Veneza? Anote aí!

A história de Nova Veneza

Conheci Nova Veneza durante o Rota Sul, evento que reuniu 13 blogueiros de diferentes partes do Brasil. O primeiro dia foi totalmente dedicado a esse pedaço da Itália no sul do país.

O tour foi guiado por Gabriel, assistente da Secretaria de Turismo, que nos contou que a cidade foi fundada a partir de um grupo de imigrantes vindos da região do Vêneto, no nordeste da Itália. Esses imigrantes foram seduzidos a sair de seu país de origem com a promessa de que teriam uma vida muito melhor aqui no Brasil. Porém, quando aqui chegaram, em 1891, descobriram que teriam de começar tudo do zero. Não havia nada nessas terras além de vegetação nativa.

O nome “Nuova Venezia” surgiu como forma de honrar o lugar de origem dessas pessoas que fundaram a cidade e que até hoje mantém os costumes e tradições italianas, seja por meio da culinária, da arquitetura ou das artes, de geração em geração.

O que fazer em Nova Veneza

Deixo para vocês um roteiro que pode ser feito em Nova Veneza durante um dia inteiro, sem correria, com tempo para admirar e fotografar cada ponto turístico.

Pórtico de entrada

Pórtico de entrada da cidade de Nova Veneza, em Santa Catarina

Pórtico de entrada da cidade de Nova Veneza, em Santa Catarina. Créditos: Gisele Rocha

O primeiro ponto turístico de Nova Veneza que avistamos foi, naturalmente, o pórtico de entrada. O monumento foi construído em pedra basalto, que é muito comum na região e foi usado em outras construções icônicas.

Em cima dos arcos podemos ver as bandeiras do município, do estado de Santa Catarina, do Brasil e da Itália, estreitando o laço que existe entre os dois países. Podemos observar também um caldeirão de polenta, alimento que sustentava os imigrantes e dava força para que eles trabalhassem duramente. Por fim, podemos ver a estátua que representa o Leão de São Marcos, símbolo da república de Veneza. O monumento foi doado pelo governo de Vêneto, reforçando ainda mais essa ligação entre a velha e a nova Veneza.

Caminhando em direção à rotatória você vai ver o Monumento ao Imigrante Italiano, representado por um camponês e uma camponesa.

Praça Humberto Bortoluzzi

Nosso passeio em Nova Neneza começou de verdade na praça principal, que leva o nome de Humberto Bortoluzzi, nome do primeiro brasileiro filho de imigrantes italianos a nascer na região sul catarinense.

É nessa praça que se encontra a gôndola Lucille, símbolo do elo que o município tem com o país de origem dos imigrantes. É uma embarcação legítima, que já percorreu os canais de Veneza no passado. Para se ter ideia, apenas quatro gôndolas originais foram doadas pelo governo italiano. Não é para qualquer um!

Gôndola Lucille na Praça Humberto Bortoluzzi, em Nova Veneza, Santa Catarina

Gôndola Lucille na Praça Humberto Bortoluzzi, em Nova Veneza, Santa Catarina. Créditos: Viajei Bonito

Ainda na praça Humberto Bortoluzzi podemos ver uma roda d’água e embaixo dela uma lista com os sobrenomes das famílias italianas que participaram da colonização desse território. Nesse mesmo monumento há uma placa com a canção folclórica “L’America”, considerada o hino da imigração italiana.

Depois dessa breve introdução sobre a cidade, interrompemos o tour por um excelente motivo: era hora de almoçar no Veneza, o restaurante mais antigo da cidade. Falarei sobre ele mais adiante para não quebrar o ritmo.

Casarões antigos

A memória de Nova Veneza está preservada nos casarões que rodeiam a praça principal. Elas são tombadas pelo patrimônio histórico e utilizadas como estabelecimentos comerciais. A arquitetura colonial combina perfeitamente com as ruas ladrilhadas e as máscaras venezianas que enfeitam os postes.

Museu do Imigrante

Bastou uma curta caminhada a partir da praça para chegarmos ao Museu do Imigrante, criado em 1991 para comemorar o centenário de colonização do município. O acervo é organizado em subtemas e é composto por peças doadas por várias famílias da cidade. Imagine quantas histórias cada objeto guarda!

O prédio que hoje abriga o museu é uma das construções mais antigas de Nova Veneza e assumiu diversas funções ao longo do tempo. Primeiramente ele serviu como escritório que recebia os imigrantes italianos, depois virou igreja, casa paroquial, prefeitura, câmara de vereadores e até escola infantiu. Vale a pena fazer um passeio guiado para entender o significado de cada item do acervo.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Sábados e domingos, das 9h às 12h e das 13h às 17h.
Preço do ingresso: gratuito

Paróquia de São Marcos

Bem em frente ao Museu do Imigrante existe uma igreja muito bonita, que foi construída em 1912. Seu interior é rico em obras de arte e pelo que eu entendi, cada uma das pinturas sacras leva o nome da família que a financiou. A torre possui três sinos e um relógio importado de Turim, na Itália.

Atravessando a rua é possível chegar ao Memorial da Família Bertoluzzi, que chegou ao Brasil na primeira leva de imigrantes e prosperou na região. É uma chaminé muito alta, remanescente da Firma Bortoluzzi, que pode ser vista de vários pontos da cidade. Nós não paramos lá, mas fiquei curiosa para saber do que se tratava e fiz uma pesquisa na internet. Talvez valha a pena colocar na lista com o que fazer em Nova Veneza, porque está bem próximo ao Museu e à Igreja, mas se o seu tempo for curto, passe para a próxima atração.

Casas de Pedra

Saindo da área central, seguimos por 2 km na Estrada Centenária e fomos visitar as Casas de Pedra, um conjunto arquitetônico que começou a ser construído em 1981 com pedras basalto recolhidas do terreno, aplicando uma técnica trazida pelos imigrantes italianos. As casas guardam objetos da família Bratti, dona do museu e do Restaurante Veneza.

O passeio começa com uma breve apresentação sobre a família, mostrando fotos de cada geração. A primeira casa construída foi a de cima, onde ficavam os quartos, o celeiro e a estrebaria (onde guardavam os cavalos).

Quando o segundo filho cresceu, a família construiu mais duas casas, que demoraram em média 14 anos para ficarem prontas. Em uma ficava a sala e os dormitórios, na outra ficava a cozinha, pois tinham medo que ela pudesse pegar fogo enquanto todos estivessem dormindo. A terceira continuou sendo a estrebaria. Há também um espaço onde a família produzia queijos e vinhos, que está muito bem preservada e pode ser visitada.

Horário de funcionamento: todos os dias, de 8h às 17h.
Preço dos ingressos: R$5

Santuário Nossa Senhora de Caravaggio

O Santuário Nossa Senhora de Caravaggio é muito importante para os fiéis catarinenses e não pode ficar de fora da sua lista com o que fazer em Nova Veneza. O templo foi construído em 1963 e dada a sua importância, atrai milhares de fiéis que anualmente aparecem para a festa que ocorre no último fim de semana de maio em homagem à santa.

É no interior do santuário que temos a dimensão de sua grandiosidade. As pinturas são belíssimas, mas a cúpula é o detalhe que mais chama atenção. Atrás do altar somos surpreendidos por uma gruta com a imagem de Nossa Senhora, de onde correm águas vindas de uma fonte natural. A água é potável e você pode bebê-la sem medo. De preferência, leve sua própria garrafinha reutilizável e poupe o meio ambiente dos copos descartáveis.

Felipão, ex-técnico da seleção brasileira, é devoto de Nossa Senhora de Caravaggio e costuma ir ao templo antes de partidas importantes. Dizem por ali que uma imagem da santa foi enviada para proteger o time durante a Copa do Mundo de 2014, mas chegou atrasada, logo após a derrota histórica contra a Alemanha. Nunca esqueceremos aquele fatídico 7×1.

Barragem de São Bento

As horas parecem não passar em Nova Veneza e isso é ótimo. Deu tempo de visitar a Barragem de São Bento, em Siderópolis, um distrito bem bonito. Margeando a represa é possível avistar a torre de uma igreja submersa. É que ali havia uma vila que ficou debaixo d’água quando criaram a barragem.

Vinícola Borgo

Entramos no carro e poucos minutos depois estávamos em um castelo, daqueles que a gente pensa que só existem na Europa. Era a Vinícola Borgo. Fomos recebidos por um senhorzinho muito simpático, que com alegria nos contou a história da vinícola e apresentou vários produtos para degustação: vinhos, licores, cachaças, sucos e geleias.

Eu não me fiz de rogada e experimentei tudo o que pude. No fim das contas, acabei comprando uma garrafa de licor de café e cacau. Teria comprado muito mais coisas se não tivesse com espaço restrito na mala.

Vinícola Borgo, em Nova Veneza, Santa Catarina

Vinícola Borgo, em Nova Veneza, Santa Catarina. Créditos: Gisele Rocha

Cachoeiras em Nova Veneza

Tá sobrando tempo e não sabe mais o que fazer em Nova Veneza? Visite uma das cachoeiras da cidade: Cachoeira do Cantão, Vila Maria, Três Quedas, Coral e Bianchini, que fica em Siderópolis, mas é muito perto. Como nosso horário era restrito, não conhecemos nenhuma delas. Mas vá e nos diga o que achou.

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Onde comer em Nova Veneza

Agora sim, vamos falar da melhor parte: comida. Nova Veneza é reconhecida como o principal polo gastronômico do sul de Santa Catarina, prevalecendo os pratos típicos da culinária italiana, como era de se imaginar. Durante o mês de junho acontece a Festa da Gastronomia, um evento muito esperado pelos turistas, tanto pelas tentações gastronômicas quanto pelas apresentações do Carnevale di Venezia.

Pois bem, falando em comilança, nosso almoço foi no Restaurante Veneza, na Praça Humberto Bortoluzzi. Lá fomos recebidos pela Larissa Bortolotto, neta de Luiza Sachet Bortolotto, fundadora do estabelecimento. Resumindo grosseiramente, a avó cozinhava para os trabalhadores da cidade e aos poucos o estabelecimento foi crescendo, mas sempre preservando as tradições italianas. Polenta e fortaia nunca faltam!

Durante o almoço, tivemos a satisfação de poder ouvir ao grupo musical “Eco Di Venessia”, que embalou cantigas folclóricas e deixou muita gente emocionada.

Na hora do jantar fomos à Bodega do Zeca, onde fomos recebidos com uma apresentação do grupo folclórico ítalo brasileiro. Para fechar a noite, participamos de um divertido baile de máscaras do Carnevale di Venezia enquanto saboreávamos deliciosas massas.

Onde se hospedar em Nova Veneza

Não pernoitei em Nova Veneza, conheci a cidade em um bate e volta a partir de Criciúma, onde fiquei hospedada no Hotel Ibis. Entretanto, soube que o Bormon Hotel e o Hotel Dolomiti são fantásticos.

Viu como há muito o que fazer em Nova Veneza? Foi um dia intenso de passeios! E inesquecível também.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha
  • Daniela Almeida

    Amei essa cidade. Ela é muito charmosa. Sem contar a comida, que é espetacular. Quero voltar com calma.