Para escrever este guia sobre o que fazer em Tiradentes eu me propus a uma imersão de seis dias. É claro que você não precisa de todo esse tempo para conhecer a mais charmosa das cidades históricas de Minas Gerais, mas eu queria fugir da superficialidade das viagens apressadas. Queria conhecer as pessoas que vivem ali, conversar com elas sem pressa, ouvir suas histórias e somá-las à minha.

Conhecer Tiradentes é uma experiência inesquecível! A cidade possui um extenso patrimônio histórico que sobreviveu ao processo de modernização avassalador. O casario de 300 anos continua intacto, como se tivesse sido construído recentemente para servir de cenário para novelas de época. Assim também são as igrejas, que possuem diferentes níveis de riqueza e beleza.

Mas engana-se quem pensa que este roteiro por Tiradentes trata apenas de histórias (de monumentos, coisas e pessoas). Ele também contempla o turismo gastronômico e o ecoturismo. Afinal, que graça tem ver a Serra de São José emoldurando a paisagem sem poder vê-la de perto e desfrutar de suas cachoeiras e piscinas naturais?

Prepare-se para voltar ao passado a bordo da Maria Fumaça mais antiga do Brasil! Neste guia você obterá informações sobre a melhor época para ir a Tiradentes, quantos dias ficar na cidade, onde se hospedar, onde comer, o que fazer à noite e possíveis bate e voltas para cidades vizinhas.

Boa leitura!

Como chegar a Tiradentes

De avião

Os aeroportos mais próximos a Tiradentes ficam na capital Belo Horizonte. Saindo do Aeroporto de Confins ou do Aeroporto da Pampulha, vá ao terminal rodoviário e pegue um ônibus da empresa Sandra, que o levará até São João del Rei. De lá você pode tomar um ônibus circular das linhas Presidente ou Porto Real, que irão deixá-lo na Rodoviária de Tiradentes.

De carro

Outra opção para quem chega de avião é alugar um carro e dirigir pela BR-383. Pare no Café com Prosa para experimentar o famoso pão de queijo com linguiça ou outras iguarias mineiras deliciosas.

Para quem vem de São Paulo, o caminho mais prático é pela Fernão Dias. Já quem sai do Rio de Janeiro, deve seguir pela BR-040 até Barbacena e depois dobrar a BR-265.

De ônibus

Apenas três empresas de ônibus operam em Tiradentes: Presidente, Porto Real e Transur. Para quem vem de longe, acaba sendo mais viável ir até São João del Rei e de lá embarcar em um ônibus circular, que parte do Terminal Rodoviário e do ponto de ônibus em frente à estação de trem. Confira horários de ônibus para São João del-Rei.

De Maria Fumaça

Percorra os 12 km que ligam São João del Rei a Tiradentes na Maria Fumaça mais antiga do Brasil e descubra paisagens de tirar o fôlego.

Horários: os embarques acontecem na Estação Ferroviária de São João às sextas e sábados, às 10h e 15h30. Aos domingos o trem parte às 10h, sem atrasos!

Preços: R$70 o passeio de ida e volta ou R$60 apenas ida. É gratuito para crianças de até 5 anos de idade. Crianças entre 6 e 12 anos pagam meia-entrada, assim como pessoas com mais de 60 anos.

Melhor época para ir a Tiradentes

Melhor época para ir a Tiradentes. Créditos: Daniele Delgado

Tiradentes tem um calendário de eventos um tanto quanto movimentado, com mostras, festas e festivais acontecendo praticamente uma vez ao mês.

Sendo assim, a melhor época para ir a Tiradentes é uma escolha subjetiva. Agende a viagem de acordo com a programação que mais lhe interessar, ou se preferir não participar das atividades e encontrar a cidade mais vazia, escolha um fim de semana em que não haja nenhum evento badalado.

Dica de ouro: a Maria Fumaça só sai às sextas-feiras, sábados e domingos, assim como grande parte dos museus e igrejas, que abrem suas portas apenas durante os finais de semana.

Quantos dias ficar em Tiradentes

Para conhecer os pontos turísticos do Centro Histórico de Tiradentes são necessários apenas dois dias. Entretanto, se o seu roteiro inclui as cachoeiras da região ou a trilha na Serra de São José, recomendo ao menos mais um dia na cidade.

Onde ficar em Tiradentes

Pousadas em Tiradentes, como escolher a melhor localização
Pousadas em Tiradentes, como escolher a melhor localização. Créditos: Gisele Rocha

A melhor localização para se hospedar em Tiradentes é o Centro Histórico, onde estão concentrados os principais pontos turísticos da cidade. Porém, é difícil encontrar estacionamento nessa área durante os dias de eventos, por isso recomendo que você escolha uma pousada, hotel ou hostel com garagem.

Existem inúmeras pousadas de bom gosto em Tiradentes, muitas delas situadas em casarões antigos, mantendo a originalidade da construção sem abrir mão do conforto, charme e requinte.

Para quem viaja com o orçamento limitado, a melhor opção é se hospedar em um hostel ou em uma casa do Airbnb, onde você se priva de algumas mordomias, mas consegue economizar uma pequena fortuna.

Como se deslocar em Tiradentes

Tiradentes é um eterno sobe e desce. Ônibus urbanos não trafegam no Centro Histórico, e cá entre nós, não fazem a menor falta. A graça é caminhar até as pernas tremerem, ou “ficarem doce”, como dizem por aqui.

Taxistas cobram uma tarifa fixa de R$20 (preço de maio/2019) para qualquer lugar da cidade. Outra forma de se deslocar em Tiradentes é usando os aplicativos MoveSJ e Uaiber, com preços mais camaradas que o dos taxistas.

O que fazer em Tiradentes

Largo das Forras

Largo das Forras, praça principal de Tiradentes, Minas Gerais
Largo das Forras, praça principal de Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

Nosso roteiro por Tiradentes começa pela praça principal praça da cidade. O Largo das Forras é ponto de encontro dos moradores locais, palco de eventos culturais periódico e epicentro da vida noturna tiradentina. Há um centro de informações turísticas bem escondidinho na esquina entre as ruas Resende Costa e Silvio Vasconcelos, vale a pena passar lá para se inteirar sobre a programação nos dias em que você estará na cidade.

Sobre as charretes que ficam em volta da praça, eu preferiria nem mencioná-las, mas é impossível ignorar a crueldade que fazem com os pobres cavalos. Cheguei na cidade em um dia frio e chuvoso e eles estavam largados na praça, enquanto todo mundo procurava abrigo. No dia seguinte, um sol de rachar e eles subindo e descendo ladeiras com uma família inteira nas costas. Diga NÃO à exploração animal! Não compactue com esse tipo de atividade!

Capela Bom Jesus da Pobreza

Capela Bom Jesus da Pobreza, Tiradentes, Minas Gerais
Capela Bom Jesus da Pobreza, Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

A singela Capela Bom Jesus da Pobreza fica em frente ao Largo das Forras, no outro lado da Rua Silvio Vasconcelos. Pouco se sabe sobre a construção dessa igrejinha devido à falta de registros que documentassem a obra, porém, acredita-se que ela tenha sido levantada em 1771 pelo então capitão-mor Gonçalo Joaquim de Barros para pagar uma promessa.

Mesmo sendo tão pequena e simplezinha, ela não passa despercebida pelos visitantes. Suas paredes brancas ressaltam as pinturas do forro. No altar-mor encontra-se uma bela imagem do Cristo Agonizante, com rubis incrustados que simbolizam gotículas de sangue.

Chafariz de São José

Chafariz de São José, em Tiradentes, Minas Gerais
Chafariz de São José, em Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

Entre tantas possibilidades, resolvi continuar o meu roteiro por Tiradentes caminhando pela parte baixa da cidade, e assim fui parar o Chafariz de São José, que foi construído no século XVIII para fornecer água aos moradores da cidade, água esta que até hoje vem do Bosque da Mãe d’Água e continua potável.

Curiosidade: Se você der uma volta pelo monumento, vai notar que existem mais duas fontes nas laterais. Uma delas era usada para lavar roupa, enquanto a outra servia para matar a sede dos animais. Já a fonte principal era utilizada apenas para consumo humano.

Fundação Oscar Araripe

Seguindo pela Rua do Chafariz, subi até a Fundação Oscar Araripe, jornalista, escritor e pintor carioca que se fixou em Tiradentes com a família e ali realiza projetos artísticos e culturais. A galeria é anexa à casa dele, que recebe visitantes diariamente com toda a simpatia que lhe é característica. Se você procura o que fazer em Tiradentes fora do circuito turístico convencional, essa é uma excelente opção!

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio, Tiradentes, MG
Matriz de Santo Antônio, Tiradentes, MG. Créditos: Gisele Rocha

Mais alguns passos e já estava diante da grandiosa Igreja Matriz de Santo Antônio, um dos mais belos exemplares do barroco brasileiro e a segunda igreja mais rica em ouro no Brasil, ostentando 482 kg do metal precioso, ficando atrás apenas da Igreja de São Francisco, em Salvador.

A construção datada do século XVIII tem fachada ornamentada com esculturas de Aleijadinho. Em seu interior, além de muito ouro, podemos ver lustres de prata, pinturas em estilo Rococó e um gigantesco órgão português de 1788 que até hoje fascina moradores e turistas durante os concertos de sexta-feira. Há também a Capela dos Sete Passos, que mostra a via-sacra de Jesus, mas ela só fica aberta durante a missa de sábado à noite.

No exterior, bem em frente à matriz, encontramos um antigo relógio de sol feito com pedra sabão. Ele possui dois lados, projetados para indicar a hora de acordo com a posição do sol no outono/inverno e primavera/verão.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 17h. Missa aos sábados às 19h.

Programação especial: Roteiro Narrado, todas as sexta-feiras às 19h30. Em seguida começa o projeto “Concertos ao Órgão”, às 20h. Ingressos adquiridos separadamente na própria igreja.

Preço: R$ 5 para visitação, R$ 10 para o Roteiro Narrado e R$ 40 para os concertos (meia-entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos de idade).

Santuário da Santíssima Trindade

Santuário da Santíssima Trindade, Tiradentes, MG
Santuário da Santíssima Trindade, Tiradentes, MG. Créditos: Daniele Delgado

Saindo pelo portão lateral da Matriz, fui caminhando por uma rua arborizada e tranquila que leva ao Santuário da Santíssima Trindade, que além de ser um lindo ponto turístico de Tiradentes, é também uma área de peregrinação de romeiros.

Seu interior é bastante simples, mas guarda quadros que são verdadeiras obras-de arte. Na parte externa existe um chafariz com água potável, além de uma lojinha de artigos religiosos e uma sala de milagres, com ex-votos de pessoas do Brasil inteiro.

Quem vê esse lugar sossegado em dias normais nem imagina que ele sedia a maior festa religiosa de Tiradentes. O Jubileu da Santíssima ocorre no domingo seguinte ao de Pentecostes, 50 dias após o Domingo de Páscoa, reunindo fiéis do Brasil inteiro com programação intensa de missas, confissões, novenas e procissões.

Museu da Liturgia

Entrada do Museu da Liturgia em Tiradentes, Minas Gerais
Entrada do Museu da Liturgia em Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

Depois de passar novamente pela Matriz de Santo Antônio, parei para fotografar o edifício da Câmara, a Estátua de Tiradentes e o Passinho, até chegar ao Museu da Liturgia, o único na América Latina com essa temática.

Inicialmente este museu não estava na minha lista com o que fazer em Tiradentes, porém, entendendo que na cidade o turismo religioso é muito forte, imaginei que ele pudesse me ajudar a compreender melhor alguns aspectos históricos e culturais da região, e assim aconteceu.

O acervo conta com mais de 400 objetos sacros que datam do século XVIII a XX, incluindo bíblias, imagens, pinturas, mobiliários, cálices, batinas, além de telões para exibição de materiais multimídias. Vá mesmo que você não seja católico e cristão, mas tente se juntar a um grupo para fazer a visita guiada, que tornará o passeio muito mais interessante.

Horário de funcionamento: de quinta a segunda, inclusive feriados, de 10h às 17h

(encerramento da bilheteria às 16h30).

Preço: R$ 10, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos (mediante apresentação de documentos). Entrada gratuita para crianças menores de 5 anos e para moradores de Tiradentes.

Visitas guiadas: de quinta a segunda-feira, das 10h às 16h horas, exceto durante feriados. É necessário agendar com antecedência através do telefone (32) 3355-1552 ou do e-mail diretoria@museudaliturgia.com.br.

Museu de Sant’Ana

Fiz uma pausa para o almoço e depois fui andando para o Museu de Sant’Ana, mas dei de cara com a porta. O motivo? Férias coletivas por falta de recursos para manter o museu em funcionamento. Que tristeza!

Este museu ocupa o prédio da antiga Cadeia Pública desde 2014, preservando partes da construção original que podem ser vistas pelos visitantes. O acervo conta com aproximadamente 300 imagens de Sant’Ana, mãe da Virgem Maria, vó de Jesus Cristo. As estátuas foram produzidas entre os séculos XVII e XX e pertenciam à colecionadora de artes Angela Gutierrez, que as doou ao IPHAN.

Espero que o museu consiga recursos para manter suas portas abertas e que você, leitor, possa visitá-lo durante a sua viagem a Tiradentes.

Horário de funcionamento: de quarta à segunda-feira, de 9h às 16h.

Preço: R$ 5, com direito à meia-entrada para menores de 21 anos e maiores de 60 anos. Entrada gratuita para estudantes e professores.

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Tiradentes, Minas Gerais
Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

Subindo a rua do Museu de Sant’Ana, me deparei com a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que para mim é a igreja mais bonita em Tiradentes, em razão de ela ser muito diferente das demais.

Essa igreja também foi construída por escravos, com a diferença que ela era frequentada apenas por negros. Contam que o ouro usado na ornamentação do altar foi desviado dos garimpos, por isso a entrada principal permanecia fechada durante as missas e os frequentadores usavam a porta lateral, assim o delito não seria descoberto.

Outra particularidade dessa igreja é que grande parte das imagens representam santos negros. Inclusive, na fachada principal há um nicho com a imagem de São Benedito, considerado padroeiro dos negros por causa da cor de sua pele e de sua origem africana.

Capela de São Francisco de Paula

Capela de São Francisco de Paula, Tiradentes
Capela de São Francisco de Paula, Tiradentes. Créditos: Daniele Delgado
Pôr do sol visto da Capela de São Francisco de Paula, em Tiradentes
Pôr do sol visto da Capela de São Francisco de Paula, em Tiradentes. Créditos: Gisele Rocha

Uma coisa que não pode ficar de fora da sua lista com o que fazer em Tiradentes é assistir ao pôr do sol a partir do pátio da Capela de São Francisco de Paula, de onde se tem a vista mais bonita da cidade. Aconselho que você leve um casaquinho, pois venta muito lá em cima.

Confesso que depois de ver tantas igrejas, não estava focada em conhecer mais uma. O objetivo era chegar lá em cima a tempo de ver o sol se pondo atrás das montanhas da Serra de São José, colorindo o horizonte e as casinhas centenárias. Às vezes o melhor a se fazer é não fazer nada, apenas sentar e admirar.

Centro Cultural Yves Alves

Depois de um dia inteiro conhecendo igrejas, capelas e museus com temáticas religiosas, resolvi começar o meu segundo dia em Tiradentes com um roteiro diferente. Fui até a Rua Direita passear despretensiosamente, até que uma exposição temporária no Centro Cultural Yves Alves prendeu a minha atenção.

Nas paredes, poemas e fotos de uma simpática senhorinha de longos cabelos brancos trançados, além de lindos vestidos esvoaçantes e vários objetos decorativos extravagantes, incluindo manequins com cabeças de abajur, malas empilhadas e fotos antigas. A homenageada da vez era Dorothy Lenner, uma bailarina romena de 87 anos que atualmente vive na cidade de Tiradentes.

Me impactei tanto com a história dela que passei mais de uma hora ali assistindo a documentários sobre sua vida, lendo recortes de jornais e buscando mais informações na internet. Inexplicavelmente, essa conexão foi tão forte que dois dias depois, passando por essa mesma rua, encontrei Dorothy e a abordei. Conversamos por alguns minutos e na despedida ela me deu um abraço tão gostoso que me senti reenergizada. Há encontros nesta vida que são inexplicáveis!

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Museu Casa Padre Toledo

Não podia dar por encerrada o meu roteiro por lugares sacros sem antes conhecer o Museu Casa Padre Toleto, um dos principais pontos turísticos de Tiradentes.

Padre Carlos Correia de Toledo foi um senhor muito rico e um dos mais ativos personagens da Inconfidência Mineira. O solar onde ele morava era uma das construções mais sofisticadas daquele tempo, comparada a palácios da nobreza de Portugal e até a sacristias de igrejas, o auge do luxo, já que era uma das poucas (senão a única) com forros pintados. As parede desse casarão ouviram conspirações dos inconfidentes e foram testemunhas de reuniões importantes que mudaram a história do Brasil.

O museu foi inaugurado em 2012, preservando e valorizando as características originais desse espaço, além de expor móveis, quadros, imagens sacras e porcelanatos dos séculos XVIII e XIX. Planeje-se para participar de uma visita guiada e conhecer os detalhes de cada canto deste edifício histórico.

Horário de Funcionamento: de terça a sexta-feira, entre às 10h e 17h; sábado, das 10h às 16h30 e domingo, das 9h às 15h.

Preço: R$ 10, com meia-entrada para estudantes, professores, portadores de deficiências e pessoas com mais de 60 anos. Crianças com menos de 10 anos e moradores de Tiradentes, Santa Cruz de Minas e São João del-Rei (com comprovante de residência) não pagam.

Agendamento de visitas orientadas: (32) 3355-1549 ou através do e-mail: educativomcpt@gmail.com

Capela de São João Evangelista

Capela de São João Evangelista, Tiradentes, MG
Capela de São João Evangelista, Tiradentes, MG. Créditos: Gisele Rocha

Bem ao lado do Museu Casa Padre Toledo encontra-se a Capela de São João Evangelista, uma igrejinha bem simples se comparada às demais, mas muito bem preservada. Seu interior é modesto, com talhas no estilo Rococó.

Olhando bem, parece que ela ficou inacabada, tendo em vista que apenas um dos altares laterais foram ornamentado com folhas de ouro. O restante nem pintura recebeu, permanecendo com o fundo branco, que era a cor usada como base para acabamentos posteriores.

Instituto Mário Mendonça

Pouca gente conhece e frequenta o Instituto Mário Mendonça devido ao fato de suas portas permanecerem fechadas até mesmo durante o horário de funcionamento. Essa é uma medida de segurança necessária, uma vez que o espaço abriga obras de arte valiosíssimas.

São mais de 1600 quadros e 900 esculturas de célebres artistas como Picasso, Rodin, Dalí, Guignard, Botero, Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Iberê Camargo, Burle Marx, Antônio Bandeira, de seus mentores, Emeric Marcier e Aloísio Carvão, além das telas pintadas pelo próprio Mário Mendonça.

A visita guiada é uma excelente oportunidade para aprender mais sobre vida e obra de Mário Mendonça, o maior artista brasileiro de arte sacra, com obras expostas em grandes museus no Brasil e no exterior, inclusive no Museu do Vaticano.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 13h às 17h. Aos sábados a visitação acontece as 8h às 17h.
Preço: entrada gratuita.

Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Igreja Nossa Senhora das Mercês, Tiradentes
Igreja Nossa Senhora das Mercês, Tiradentes. Créditos: Gisele Rocha

Bem ao lado do Instituto Mário Mendonça se encontra a Igreja Nossa Senhora das Mercês, com sua simpática fachada amarela e branco. O interior segue o estilo Rococó, tem no teto uma pintura de Manoel Victor de Jesus representando Nossa Senhora das Mercês com os braços abertos, cercada de nuvens e anjos. O altar-mor também impressiona por seus detalhes dourados, flores e marmoreados.

Horário de funcionamento: é difícil encontrar a igreja aberta à visitação. O único horário garantido é domingo às 8h da manhã, quando é celebrada uma missa no local.

Preço: entrada gratuita com contribuição espontânea.

Capela de Santo Antônio do Canjica

Andando por mais 400 metros, você chegará à Capela de Santo Antônio do Canjica. Por estar em uma área afastada dos demais pontos turísticos de Tiradentes, pouca gente a conhece.

Foi construída em 1702 pelo fundador da cidade, o bandeirante João de Siqueira Afonso. Da construção original, restam ainda algumas paredes de taipa, um oratório com uma imagem rústica do padroeiro, além de alguns móveis antigos.

A título de curiosidade, nome “Canjica” remete às pepitas de ouro encontradas no local, que tinham o tamanho de um grão de milho.

Museu da Moto

Quem conduz a visita ao Museu da Moto é Rômulo Filgueiras, um apaixonado por motos que aos 15 anos de idade começou a colecionar tudo o que encontrava relacionado a esse tema: revistas, miniaturas, chaveiros, ímãs de geladeira, lápis, canecas e o que mais aparecesse. Com o passar do tempo, ele adquiriu réplicas e motos raríssimas, até que decidiu expor todo esse material em um antigo casarão adaptado para se tornar um museu.

Atualmente, o acervo conta com mais de 3 mil peças, entre elas 85 veículos que recontam a história da evolução da motocicleta, começando com o Celerífero – o primeiro veículo de duas rodas, passando pelas Penny-Farthing, até chegar a uma coleção preciosa de veículos motorizados.

Após a visita, é possível comprar algumas lembrancinhas temáticas e tomar algumas cervejas no bar adjacente. Isso se você não estiver pilotando, é claro!

Horário de funcionamento: sob consulta.
Preço: R$ 10

Passeio de Maria Fumaça

Maria Fumaça de Tiradentes para São João del-Rei, Minas Gerais
Maria Fumaça de Tiradentes para São João del-Rei, Minas Gerais. Créditos: Junior Braz / Fonte: Shutterstock

É hora de nos despedirmos da cidade. Para quem precisa pegar um ônibus em São João del Rei, deixar o passeio de Maria Fumaça por último é a escolha mais acertada, mas lembre-se de conferir os horários de embarque e não se atrasar, pois a locomotiva parte pontualmente!

Esta é a Maria Fumaça mais antiga em funcionamento no Brasil – foi inaugurada por D. Pedro II em 1881 – e a única no mundo que ainda circula em bitola de 76 centímetros.

Para conseguir fotos mais bonitas, sente-se do lado direito do vagão. Como os assentos não são marcados na passagem, é recomendável chegar cedo para garantir um bom lugar.

Horário de funcionamento: as saídas da estação de Tiradentes às sextas e sábados, às 11h e 16h30. Aos domingos o trem parte somente às 11h.

Preço: R$ 70 ida e volta ou R$ 60 apenas um trecho. Gratuito para crianças de até 5 anos de idade. Crianças entre 6 e 12 anos têm direito a meia-entrada, assim como pessoas com mais de 60 anos e estudantes com documentação escolar e carteira de identidade em mãos.

Trilhas e cachoeiras em Tiradentes

A cidade mais charmosa de Minas Gerais oferece muitas opções de passeios além de andar pelas ruas calçadas de pedra, observar o belo casario, visitar igrejas centenárias e comer em bons restaurantes. Em Tiradentes também é possível contemplar a natureza em todo o seu esplendor, fazendo trilhas que levam a lindas cachoeiras e mirantes naturais.

A Travessia da Serra de São José é um desses passeios ideais para quem é apaixonado por ecoturismo e tem disposição para andar por cerca de 5 horas. A Nanda do blog Mala de Aventuras fez essa trilha e postou um relato bem detalhado cheio de dicas. Recomendo a leitura!

A Trilha do Carteiro é um pouco mais curta e também passa pela Calçada dos Tropeiros, construída por escravos no século XVIII. A recompensa para quem chega ao topo da Serra é um delicioso banho nas piscinas naturais.

Uma trilha prazerosa de se fazer é a do Bosque da Mãe D’Água, que tem apenas 1 km de extensão. Mesmo sendo tão curta, é possível ver muitas plantas e animais típicos da região, além de um aqueduto construído no século XVIII para levar água ao Chafariz de São José.

A Cachoeira Paulo André fica perto do Centro e é acessível através de uma pequena trilha que pode ser percorrida a pé ou de bicicleta. Mesmo que não seja a cachoeira mais bonita que você vai ver na vida, ela não merece ser menosprezada nas tardes de sol escaldantes, quando subir e descer ladeiras se torna uma tarefa impraticável.

A poucos quilômetros de Tiradentes, em Santa Cruz de Minas, encontra-se a Cachoeira Bom Despacho, que fica logo atrás de um marco da Estrada Real, às margens da estrada, impossível errar! O acesso é muito fácil, com poucos minutos de caminhada você estará se banhando nas águas que escorrem da Serra de São José. Tem piscinas naturais rasas, excelente para crianças, ou poços mais fundos, para quem sabe nadar.

Por fim, outra opção de ecoturismo em Tiradentes é o Balneário Águas Santas, que possui águas termais com propriedades medicinais. O ônibus que sai do centro e leva ao “Alto das Águas” para lá perto.

Onde comer em Tiradentes

Onde comer em Tiradentes
Onde comer em Tiradentes. Créditos: Gisele Rocha

Eu não sou do tipo que pesquisa onde comer antes de viajar. Entro no restaurante mais próximo de onde estou, olho o cardápio e fico ali se ele agrada ao meu bolso e paladar.

Posso afirmar que o Cultivo, o Uaithai e a Taberna dos Inconfidentes possuem opções vegetarianas muito saborosas a preços acessíveis.

O Bar do Celso é conhecido pelo frango com ora-pro-nobis, mas é necessário encomendar a iguaria com antecedência mínima de 24 horas. Divino Sabor, Biroska Santo Reis, Sabor Mineiro e Restaurante Caipira são boas opções para o dia a dia, sendo possível almoçar com menos de R$25 (um valor simbólico para os padrões de Tiradentes, vai por mim).

Angatu, Templário e Tragaluz são restaurantes mais sofisticados, perfeitos para ocasiões especiais (embora eu pense que só o fato de estar vivo e com saúde seja motivo suficiente para celebrar). Este último é famoso por sua goiabada frita e você não pode deixar de experimentá-la.

Sobremesa? Que tal se perder entre os corredores da Doceria Lotus? Os docinhos do Chico Doceiro também são velhos conhecidos dos tiradentinos. Tá com bala na agulha? Então prove o sorvete da Alento ou uma maçã com cobertura de chocolate da Jane’s Apple, que valem cada centavo gasto!

O que não falta aqui é lugar para comer! Se você quiser descobrir outras opções, leia o post do D&D Mundo Afora sobre restaurantes em Tiradentes e prepare o babador.

Vida noturna em Tiradentes

Vista noturna da Matriz de Santo Antônio, Tiradentes, Minas Gerais
Vista noturna da Matriz de Santo Antônio, Tiradentes, Minas Gerais. Créditos: Gisele Rocha

Me perguntaram sobre o que fazer em Tiradentes à noite e confesso que não encontrei muitas opções. O Largo das Forras concentra grande número de bares e restaurantes, alguns com direito à música ao vivo. Por estarmos na praça mais movimentada da cidade, os preços aqui não são muito amigáveis.

Na rua Direita há algumas opções melhores e para quem gosta de vinho eu recomendo o Entrepot Du Vin. Na esquina da Matriz existe um botequim que provavelmente é o mais econômico do Centro Histórico de Tiradentes, mas como não o frequentei, não posso afirmar com exatidão.

Durante finais de semana em que há eventos, a vida noturna em Tiradentes fica mais animada, com shows e apresentações na Praça Silva Jardim, perto do Terminal Rodoviário. Leve o seu próprio cooler e o abasteça no supermercado se quiser fugir dos preços exorbitantes cobrados pelos bares desses eventos.

Por fim, ouvi comentários (positivos e negativos) a respeito das festas realizadas na Casa da Insanidade Mental, mas não tenho conhecimento de causa para opinar.

A meu ver, a melhor coisa para se fazer à noite em Tiradentes é caminhar pelas ruas, passar em algum mercado, voltar para a pousada e se ela tiver jardim ou varanda, ficar ao ar livre contando estrelas e ouvindo os sons da natureza.

Bate e voltas a partir de Tiradentes

Casa Torta, um ícone de Bichinho, Minas Gerais
Casa Torta, um ícone de Bichinho, Minas Gerais. Créditos: Adriano Castro

Visitar as cidades vizinhas a Tiradentes vai deixar sua viagem ainda mais rica. São João del-Rei, que mencionei aqui tantas vezes, alinha história, cultura, religiosidade e ecoturismo. Um dia é pouco para conhecê-la a fundo, mas é tempo suficiente para conhecer os principais pontos turísticos do Centro Histórico.

Para quem gosta de artesanatos, Resende Costa é uma excelente opção para adquirir produtos de qualidade a preços acessíveis. Veja também o que fazer em Bichinho, distrito de Prados que ficou conhecido pela sua Casa Torta e pelo Museu do Automóvel da Estrada Real.

Bons passeios!

Leia mais sobre Tiradentes

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

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Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha

2 comentários em “O que fazer em Tiradentes, MG: roteiro do clássico ao alternativo”

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