A Chapada Diamantina tem repertório de atrações para um mês inteiro e este post seria quase uma nova versão da bíblia se fossemos falar de tudo, tudo.

O entorno do parque nacional é composto por mais de 50 cidades e pelo menos 6 delas valem uma atenção especial: Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Igatu, Mucugê e Ibicoara. Isso sem contar aquelas cidadezinhas menores que escondem belezas inacreditáveis, como Iraquara, Nova Redenção, Itaetê e Rio de Contas. Não é à toa que muita gente (muita MESMO) vai para uma visita e fica para sempre por lá.

Então a gente fez uma lista bem maneira para você ter por onde começar e, com um pouco mais de tempo que a gente, ainda incluir um ou outro passeio que tivemos que deixar de fora (mas nem por isso deixamos de contar!) – já que 9 dias inteiros só foram suficientes para nos deixar com saudade. Esperamos contribuir para ajudar a organizar as suas ideias antes de preparar a mochila e partir para o sertão da Bahia.

Morro do Inácio, na Chapada Diamantina. Bahia, Brasil

Morro do Inácio, na Chapada Diamantina. Bahia, Brasil. Créditos: Danielle Pereira / Fonte: Flickr

Para ler em seguida

Como chegar e se locomover pela Chapada Diamantina

De ônibus:

Lençóis, cidade que apresenta a melhor infraestrutura da Chapada Diamantina está a 425 km de Salvador. Uma viagem de ônibus entre as cidades custa cerca de R$ 75 e dura pouco mais de 6 horas.

Da rodoviária de Salvador e da própria Lençóis também há ônibus regulares para Palmeiras (ponto de parada para quem vai ao Vale do Capão – daí em diante só de carona ou em jipes fretados, ambos muito comuns na cidade), Andaraí (opção para quem pretende ir a Igatu. O ônibus para na estrada a 7 km da cidade), Ibicoara, Mucugê e Rio de Contas – caso sua intenção seja começar a trip por outro ponto.

De avião:

Em Lençóis há um aeroporto com pousos regulares vindos de Salvador, São Paulo e Belo Horizonte, mas as tarifas geralmente não são muito amigáveis. Vale colocar na ponta do lápis e ver o que fica mais em conta.

De carro e carona:

Após fazer o entorno de Lençóis, optamos por alugar um carro por ter mais mobilidade, dividir os gastos e não depender de roteiros prontos. É muito válido se você tem condições e vai com mais gente. Caso tenha tempo disponível, o sistema de carona funciona muito bem na Chapada Diamantina como um todo e muitos pontos não exigem a presença de um guia, o que permite economizar alguns trocados.

Onde se hospedar na Chapada Diamantina

É inegável que Lençóis tem a melhor infraestrutura da Chapada Diamantina, mas não é nada prático ficar só por lá e fazer bate e volta para as cidades mais ao sul. Algumas são bem distantes e abrir mão de alguns atrativos será arrependimento na certa. Eu optei por pernoites em Lençóis, Igatu (95) e Mucugê (89). Com mais tempo, teria ficado também em Ibicoara.

Quando ir à Chapada Diamantina

O melhor mês para fazer seu roteiro pela Chapada Diamantina é setembro, quando o frio já se foi e as chuvas de inverno deixaram os rios e cachoeiras cheios. No sertão da Bahia, a logística do clima é um pouco diferente do resto do Brasil e o verão é seco. Logo, em abril, quando estive na Chapada, algumas cachoeiras estavam sem água alguma. De qualquer maneira, não faltam atrativos em qualquer época do ano. Nove dias foram pouco, mas suficientes para querer voltar. Dá para passar um mês inteiro por lá sem enjoar.

Roteiro pela Chapada Diamantina

O entorno de Lençóis

Lençóis é a principal porta de entrada para um bom roteiro pela Chapada Diamantina, o que faz dela a melhor cidade em termos de infraestrutura. As ruas de pedra e as casinhas coloniais coloridas, os bares de todos os tipos que movimentam o centro à noite, o clima ameno e as comidas de virar os olhos já são motivo de sobra para passar alguns dias por lá. Mesmo quem não gosta de trilhas, cachoeiras e natureza se encanta com o lugar. Um ponto a mais para a cidade, que foi nosso ponto de partida.

Cachoeira Primavera e Serrano

O primeiro passeio foi o mais leve e para a cachoeira mais próxima de Lençóis – 2 km. Dá para fazer sem guia, mas em alguns momentos é possível se confundir no caminho. Se você não entende de navegação e trilhas, procure um morador local que possa lhe acompanhar. Eles cobram mais barato que os guias trilíngues que estão lá para atender turistas que pagam em euro ou dólar. A cachoeira da Primavera em si é uma queda de 6 metros entre rochas e sem poço. Dá para ficar debaixo da água curtindo uma massagem pós caminhada. Mas o caminho reserva algumas surpresas, como os caldeirões de Serrano – parte do leito do rio cheio de buracos fundos que formam verdadeiras banheiras, o Salão de Areia – conjunto de cavernas com areias coloridas, e um belo mirante – que já dá uma pequena noção de como serão os próximos dias.

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Morro do Pai Inácio, Pratinha e grutas

Ainda na vibe dos passeios BBBs (bons, bonitos e baratos), tiramos o segundo dia para conhecer quatro pontos nas redondezas de Lençóis. Em Iraquara, cidade que fica a 77 km do nosso ponto de partida, fica a Fazenda Pratinha e a Gruta Lapa Doce. Como são rolês bem turistões, invertemos a ordem comum da visita e começamos pelo complexo da Pratinha. Foi uma ótima estratégia pois pegamos o local bem vazio.

A Pratinha é uma gruta de onde sai um rio de águas cristalinas, que forma uma grande piscina aberta ao público. Por R$ 20 é possível fazer snorkel dentro da gruta, mas a área onde se permite a flutuação é bem pequena, bem fria e quase não há peixes. Ou seja, vale a pena reservar a verba para outros passeios. Dentro da mesma fazenda está a Gruta Azul, que tem esse nome por conta da cor da água quando batem os feixos de luz. O complexo ainda é composto por restaurante e uma lagoa e a entrada custa, em média, R$ 30.

Seguindo viagem, um pouco mais adiante, a Gruta Lapa Doce, a terceira maior do Brasil, revela um cenário pouco comum, formado por lençóis de águas subterrâneas. São 17 km de gruta, sendo 850 metros abertos à visitação, com esculturas e colunas naturais de formatos bizarros, pinturas rupestres e um salão principal com pé de direito de 70 metros. A entrada custa R$ 25, incluso guia e lanterna. Afinal, lá dentro é muito escuro. Próximo a Lapa Doce está também a Gruta Torrinha, um dos maiores espeleotemas do Brasil, mas não visitamos.

Gruta Lapa Doce é a terceira maior do Brasil

Gruta Lapa Doce é a terceira maior do Brasil. Créditos: Hug Cirici / Fonte: Flickr

Já no caminho de volta para Lençóis, paramos no Morro do Pai Inácio, que fica na rodovia. Para visitar é possível ir sem guia e, para chegar ao topo, não é preciso muito esforço. Embora íngreme, a trilha é curta e em menos de meia hora dá para curtir a vista mais linda que você já viu na vida (por enquanto). A entrada custa R$ 6. De volta à estrada, ainda foi possível dar um pulo no Rio Mucugezinho e no Poço do Diabo, gratuitos. A entrada para ambos está em um quiosque bar bem sinalizado na beira da estrada. É só seguir a trilha. Rapidamente você chega ao rio que, por estar tão próximo, fica cheio aos fins de semana. Por isso optamos por prosseguir na trilha até o poço. A água escura por conta do material orgânico vegetal em decomposição é potável (e laxativa. Cuidado!) e ótima para um banho.

Como eram muitos locais para visitar em um só dia, optamos por contratar um guia com carro. Mas é possível fazer por conta própria caso alugue um carro ou vá pedindo carona (algo muito comum na Chapada Diamantina).

Cachoeira do Sossego

O terceiro dia foi um teste para os próximos, quando faríamos a travessia do Vale do Pati. A trilha para a Cachoeira do Sossego é longa (cerca de 7 km) e difícil, pois a maioria do percurso beira o leito de um rio. Ou seja, formado todo por pedras e você mais pula do que anda. Haja joelhos! O esforço é recompensado pela queda de 15 metros, cheia até na época de seca, no meio de um cânion e com um poço excelente. Há quem faça sem guia, mas como não há sinalização, não é recomendado. Na volta, ainda é possível conhecer o Escorrega do Ribeirão do Meio, que está pertinho de Lençóis e, até mesmo por isso, é muito frequentado por famílias, crianças e por aqueles que não curtem muito longas caminhadas. São 3 km de uma trilha demarcada, sinalizada e com bastante sombra.

Adendo: De Lençóis ainda é possível conhecer a cachoeira do Mosquito (é possível chegar de carro até a parte superior e descer pela trilha) e a Gruta do Lapão.

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Travessia do Vale do Pati

Mínimo de três dias é o que você precisa para atravessar o Vale conhecendo os principais pontos. O Vale do Pati é considerado um dos trekkings mais bonitos do Brasil, o que por si só já é uma injeção de ânimo caso tenha ficado com preguiça só de pensar. O nível da trilha requer sim certo preparo físico, mas a recompensa está por todos os lados. Então, vale a pena incluir no roteiro pela Chapada Diamantina.

No primeiro dia, partindo de Lençóis, subimos a Serra do Rio Preto, paramos no mirante da Serra da Rampa e descemos até a igrejinha ou ruinha – área de apoio habitada por alguns nativos (oferecem pernoite e até refeições – caso avisados com antecedência). Paramos para descansar mas seguimos até o nosso ponto de pernoite, a casa do Sr. Wilson, que oferece janta simples, cama e banho (gelado).

O dia seguinte começou cedo e com destino certo, o Morro do Castelão. Antes de chegar no topo, que tem uma caverna e uma vista indescritível, passamos pela Cachoeira do Funil. A última pernoite exigiu longa caminhada até a casa da Dona Raquel, que também oferece quarto, banho e comida aos trilheiros.

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Fizemos o roteiro de três dias porque o Cachoeirão e a Cachoeira do Calixto, dois pontos de nosso interesse, estavam secas. Logo, o último dia de caminhada seguiu rumo ao destino final com cenários impressionantes e solo exótico em alguns pontos.

Chegamos da travessia pelo Vale do Capão, que merecia um capítulo à parte. A vila tem um conceito de vida alternativo, as ruas são de terra e os moradores prezam pela educação ambiental e o turismo sustentável. Parece um universo à parte e, embora tão rústico e bucólico, há muitas opções de onde comer (a maioria bem natureba) e lojinhas de artesanato. A beleza natural encontrada em toda a Chapada também pode ser explorada no Capão. Não conhecemos nenhum deles pois precisávamos voltar para Lençóis e seguir viagem, mas só o clima do local já deixou o gostinho de quero mais.

Estava nos nossos planos visitar a famosa Cachoeira da Fumaça, com seus 360 metros de altura, mas ela estava seca. São 6 km na trilha bem demarcada e sem abastecimento de água para ver a queda por cima e três dias para chegar ao poço. Além disso, no Vale do Capão muitas trilhas são autoguiadas e valem a visita as cachoeiras Angélica e Purificação, um pouco mais distantes (3 horas a pé), e Cachoeiras Conceição dos Gatos, Riachinho – um dos mais belos pôr-do-sol da região, Roda e Rio Preto. Se puder, não deixe de incluir a cidade no roteiro pela Chapada Diamantina.

Instruções para o Vale do Pati

Para fazer o Vale do Pati, há três opções de vias de acesso para começo e término, o que determina o número de dias da travessia – normalmente de 3 a 6. Para pagar menos, procure um guia local ou nativo, já que as agências cobram preço fixo por cabeça e com os locais encontramos quem cobrasse por travessia. Fica bem mais em conta. Os preços variam MUITO (R$ 500 a R$ 2000) e pesquisar é o ideal. Posso fazer sem guia? Há quem faça, mas as trilhas não possuem marcações, sinalizações ou identificação. Vale mais para quem tem muita experiência e não liga de ficar perdido.

Área de apoio ao trilheiro tem até igrejinha no Vale do Pati, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil

Área de apoio ao trilheiro tem até igrejinha no Vale do Pati, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Créditos: Juliana Xavier

O sul da Chapada Diamantina

De volta a Lençóis, alugamos um carro e demos sequência à viagem. É mais rápido e prático que pegar um ônibus e mais em conta que pagar passeios turísticos. Rumamos para o sul para finalizar o roteiro pela Chapada Diamantina. Por conta do tempo, passamos direto pela cidade de Andaraí, famosa pela Cachoeira do Ramalho e pelos Marimbus – conhecidos como o pantanal do semiárido, e fomos até Nova Redenção e Itaetê para uma passada rápida. As estradas, de terra, não têm sinalização e quase não cruzamos com pessoas. Por isso, pergunte sempre que possível se está no caminho certo e tenha a certeza que está com o tanque cheio. Não tem posto de gasolina em lugar nenhum.

Poço Azul e Poço Encantado

Localizado na estrada que leva a Nova Redenção, o Poço Azul, na verdade, é uma gruta com águas cristalinas. Tão transparentes que qualquer foto passa a sensação de que o protagonista flutua. Mesmo profundo, é possível ver nitidamente o fundo. Para nadar no local há uma taxa de R$ 15, que inclui os equipamentos.

Com características semelhantes, o Poço Encantado fica na estrada que leva a Itaetê e é mais comprido e profundo. Como a água não é corrente, não é permitido entrar na água. A taxa de visitação, de R$ 20, vale apenas para observação. Como já havíamos conhecido a Gruta Azul, em Lençóis, e o Poço Azul, achamos que foi perda de tempo visitar este ponto.

Igatu

Dos poços, chegamos e pernoitamos em Igatu. Que cidade massa! Antigo garimpo, as ruínas da antiga cidade de pedra ainda estão por lá – o que a fez ser conhecida como Igatchu Picchu. O que restou das casas abriga um museu a céu aberto com rico acervo de objetos e utensílios do garimpo. A cidade atual tem casinhas coloridas, que somadas ao ambiente pacato e às seis cachoeiras do entorno (Rosinha, Favela, Califórnia, Pombos, do Córrego e Córrego do Meio) fazem do local um ponto de parada único.

Cemitério Bizantino

Pé na estrada, fizemos uma parada estratégica em Mucugê para conhecer o Cemitério Bizantino – único no Brasil. Encrustadas em meio às montanhas, as lápides têm o formato de igreja e são todas pintadas de branco. Mucugê é a primeira cidade explorada na era dos diamantes e, hoje, é tombada como patrimônio nacional. Em apenas uma saída é possível conhecer três grandes atrativos naturais da cidade: a Cachoeira do Funil, o Cânion das Sete Quedas e a Cachoeira das Andorinhas.

Cachoeira Buracão

Nossa última parada antes e voltar para Lençóis e partir para casa foi Ibicoara. A cidade tem duas das mais belas cachoeiras de toda a Chapada (na minha humilde opinião). Infelizmente, a Fumacinha estava seca e não fizemos a trilha. Mas quem quiser conhecer, segundo dizem, precisa ter muita disposição. São 15 km até o destino. Em compensação, conhecemos o Buracão: a cachoeira que só se chega a nado. Após uma trilha relativamente tranquila, que exige um guia por conta das normas do parque, nada-se entre cânions que formam um corredor de paredões rochosos até a queda de 85 metros. O uso de colete salva-vidas é obrigatório e disponibilizado na entrada dos cânions. Sério, é inesquecível e imperdível. Anota aí!

Espero que esse guia seja útil para você e seus amigos durante a estadia na Chapada Diamantina.

Boa viagem!

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Juliana Xavier

Formada em Comunicação Social, após 10 anos empreendendo seus conhecimentos em grandes empresas, decidiu que era hora de empreender em si mesma e ser livre para criar o que quiser.

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Créditos da imagem de capa: Danielle Pereira / Fonte: Flickr

Um comentário em “Roteiro para a Chapada Diamantina”

  1. Olá! Relato super útil e sem complicação. Uma pergunta… vou sozinha pra chapada e gostaria de saber se o trecho entre lencois e ibicoara so e possivel com carro ou existe alguma linha de onibus entre essas cidades?

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