Trabalhar em qualquer lugar do mundo é possível, mas nem sempre é fácil

Carregamos nosso equipamento conosco para onde quer que vamos. Não precisamos de muito para exercer nossas profissões remotamente: laptop, mouse sem fio, fone de ouvido e a certeza de uma conexão WiFi estável são suficientes para que possamos cumprir com nossas obrigações ao longo dos dias em que estamos conhecendo o mundo.

Mas não pense que o ambiente está sempre a nosso favor. Durante nossa última investida de 6 meses atravessando os Estados Unidos de ponta a ponta, nos hospedamos em casas dos mais diversos tipos pelo Airbnb, motéis de beira de estrada, etc. Alguns muito facilmente adaptáveis a nosso estilo de vida e outros onde precisávamos nos esforçar para conseguirmos alocar nosso equipamento.

A falta de um escritório

Diferente de uma viagem onde o quarto é usado apenas para dormir, todo bom nômade digital pode passar grandes quantidades de tempo em casa, logo, ter o mínimo de conforto é essencial para não terminar a semana com dores na coluna, cansaço e sensação de improdutividade. Podemos ser desapegados de um escritório, mas não é por isso que temos elasticidade suficiente para trabalhar dias inteiros com a coluna dobrada na cama e o laptop esquentando nossas coxas.

Laptop escorado no travesseiro

Laptop escorado no travesseiro. Créditos: jeonghwaryu0 / Fonte: Pixabay

A solução que encontramos foi comprar uma mesa dobrável e duas cadeiras, das mais vagabundas possível. Contanto que quebrassem o galho. As reações das pessoas que nos recebiam eram as mais diversas, mas sempre cheias de surpresa: “nossa, vocês estão bem preparados” ou “é sério que vocês carregam mesa e cadeira com vocês?”.

Problemas recorrentes

Mas ainda assim dependíamos do fator espaço. Nem todo quarto cabia a mesa com as cadeiras, então tínhamos que improvisar. Ao chegar, a primeira coisa que fazíamos era mudar a disposição de alguns móveis e ainda assim em algumas ocasiões precisávamos dobrar as camas, montar a mesa e desfazer tudo para dormir, dia após dia.

Em algumas casas a internet caía a todo momento e para isso tínhamos conosco um chip 4g para emergências. Já em outras casas havia crianças muito barulhentas e a solução era meter o fone de ouvido quase cutucando o cérebro para conseguir abafar. Quando nenhuma de nossas medidas preparativas eram suficientes, recorríamos a um Starbucks para conseguir trabalhar. Por fim, quando os horários de trabalho não eram compatíveis com o que precisávamos cumprir por conta do fuso horário, trocávamos a noite pelo dia.

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Queda na produtividade

Toda essa adaptação no início da viagem acontecia mais naturalmente quando estávamos descansados. Podemos até dizer que o desafio de conseguir ajeitar nosso cantinho em qualquer casa e sermos produtivos ali era uma aventura. Mas continue fazendo isso semana após semana, durante meses. Aos poucos a energia vai sendo drenada e em algumas raras ocasiões nós chutávamos o balde e postergávamos o trabalho que poderia ser adiado para a próxima semana, fazendo apenas o básico.

Havia semanas em que o trabalho era mais simples e em outras precisávamos cumprir algo complexo, que exigia maior concentração, e muitas vezes estávamos exaustos demais para montar nosso ambiente e começar a produzir. Esses dias eram os mais difíceis porque colocavam à prova o desejo de manter esse estilo de vida.

Ambiente aconchegante para trabalhar

Ambiente aconchegante para trabalhar. Créditos: Unsplash / Fonte: Pixabay

Se há algo que favorece as habilidades de adaptação em qualquer ambiente é a criatividade. É com ela que enxergávamos formas de alocar nossos laptops ou que permitiam-se os “malabarismos” para adaptar nossos singelos quartos de dormir em escritórios durante o dia. Já estamos cansados de saber que a criatividade não pode ser forçada, por isso ter muita paciência ao mudar de ambiente a cada semana era uma virtude que tentávamos ao máximo cultivar.

Quando o cansaço acumula e a produtividade cai, tendemos a pensar que talvez o melhor caminho seja voltar ao modelo convencional de trabalho, por ser mais estável, digamos assim. Rever os motivos que fizeram com que trocássemos a estabilidade de um emprego fixo e abrir os olhos para a quantidade de coisas que ainda não conhecemos no mundo era o que alimentava nossa capacidade de adaptação.

Tão importante quanto querer conhecer o mundo levando o trabalho consigo é ter também um local fixo para que seja possível recarregar as energias, porque estar em constante adaptação exige esforço físico e, principalmente, mental. Voltar ao Brasil até preparar nossa próxima viagem é algo que tem nos feito bem, pois assim podemos rever onde erramos e planejar melhor nosso tempo e também o que precisamos em termos de equipamento para conseguir trabalhar em quaisquer condições.

Ainda pretendo escrever sobre a importância de um local fixo na vida de todo nômade digital. Até lá, se você tem dúvidas sobre como carregar contigo seu escritório móvel, não deixe de perguntar nos comentários ou então em nossas redes sociais.

Até a próxima.

Prepare-se para sua viagem

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Adriano Castro

Formado em Ciência da Computação pela UFJF, trabalhou durante 10 anos como analista de sistemas até chutar o balde e tocar a vida como freelancer, carregando seus projetos para onde quer que vá.

Créditos da imagem de capa: punttim / Fonte: Pixabay. Imagem utilizada nas redes sociais: Gisele Rocha.
  • Juliana Arthuso

    Bem massa! Tô pensando em começar em 2018 essa vida, depois que concluir os estudos, mas bate um medinho de, justamente, já começar cansada! hauauha

  • Hahahahaha, bom, eu sempre defendo a ideia de que a pessoa precisa experimentar o outro lado também. No meu caso, trabalhei por quase 10 anos em escritório pra saturar e querer outra coisa pra mim. Talvez se n tivesse passado por isso viveria na dúvida se o que estou fazendo hoje é realmente o que quero pra mim. Então saiba que o que te espera será importante, independente do que seja. Partindo direto pro home-office/nomadismo digital ou aceitando um emprego formal com carteira/escritório será um grande aprendizado pra você.

  • Ciro Antunes

    Muito bacana o relato. Estou me preparando para fazer o mesmo ano que vem. Venho de 8 anos de escritório no mesmo ramo, análise de sistemas. Desde o começo deste ano passei a estudar desenvolvimento web justamente para acreditar que assim poderia conseguir alguma renda remota. Alguma dica para quem está no começo e não tem clientes “fixos” ou um grande portfólio para mostrar? Valeu!

  • Olá, Ciro. Minha dica para você conseguir os primeiros clientes é utilizar alguns sites com o freelancer.com. Entretanto é um pouco complicado conseguir algo no começo, pois você estará concorrendo com desenvolvedores mais antigos, que já têm boas revisões ou então com pessoas que cobram pouco. Talvez seja necessário aplicar pra várias vagas, reduzir um pouco suas expectativas financeiras, pelo menos no começo. Ter uma grana reservada pra cobrir eventuais meses onde você receberá pouco é essencial. Planeje isso com cuidado pra não ter surpresas ruins. =)

    Trabalhei por um tempo com desenvolvimento web… freelancer… e alguns dos trabalhos que consegui foram resultado de conversas boca-a-boca. Conhecendo os sistemas de alguns estabelecimentos de amigos/parentes e de suas redes de contatos eu sempre oferecia uma melhoria aqui e ali. Às vezes oferecia também a reformulação completa do sistema deles, ou então apenas da interface. Foi uma ótima base pra sustentar a construção desse estilo de vida. Tendo feito um bom serviço pra eles, conseguia algumas recomendações e assim a coisa foi andando. Acho que vale a tentativa.

    Pra você que está querendo investir nessa ideia, tem um outro post no blog que talvez lhe interesse: https://viajeibonito.com.br/o-que-nos-temos-a-dizer-para-quem-quer-ser-um-nomade-digital/. Qualquer dúvida é só perguntar! Grande abraço!

  • Ciro Antunes

    Esse outro post também é bastante útil. Valeu por todas as dicas! Abraços e sucesso!