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Museu do Reggae em São Luís do Maranhão: cultura, música e identidade na Jamaica Brasileira

O Museu do Reggae em São Luís do Maranhão é uma parada obrigatória para quem quer entender a alma da capital maranhense.

Conhecida pelos casarões históricos revestidos de azulejos portugueses, São Luís também carrega um título nada óbvio para quem chega pela primeira vez: o de Jamaica Brasileira. E não é força de expressão, o reggae faz parte do cotidiano, da linguagem, da dança e da identidade cultural do povo maranhense.

Quando começamos a planejar nossa viagem pelo Maranhão, sabíamos muito pouco sobre a capital. Coincidentemente, o Museu do Reggae ficava a cerca de 200 metros da Pousada Portas da Amazônia, onde estávamos hospedados.

A proximidade e a curiosidade falaram mais alto e lá fomos nós. Afinal, se o reggae caminha lado a lado com a história de São Luís, nada mais justo do que começar por ali.

Museu do Reggae em São Luís do Maranhão
Museu do Reggae em São Luís do Maranhão. Créditos: Gisele Rocha

O primeiro Museu do Reggae fora da Jamaica

Um detalhe que torna a visita ainda mais especial: este é o primeiro Museu do Reggae fora da Jamaica. O espaço valoriza e preserva uma manifestação cultural que, por muito tempo, a sociedade marginalizou, apesar de seu enorme impacto social e cultural no Maranhão.

A entrada é gratuita e você não precisa agendar a visita guiada. Ao chegar, a equipe nos convidou a aguardar alguns minutos na recepção, enquanto a guia finalizava a apresentação para outro grupo. Nesse intervalo, um quadro na parede chamava atenção ao explicar, de forma clara, a importância do museu como instrumento de inclusão, representação e valorização de uma parcela da sociedade historicamente marginalizada.

O reggae, que veio da Jamaica, já é um elemento da Cultura contemporânea do povo do Maranhão e influencia na maneira do maranhense de falar, de vestir, dançar… É veículo de mensagem de liberdade, igualdade, paz, amor e harmonia. Uma música militante que combate preconceitos e discriminações.

A influência do reggae na cultura maranhense

Originário da Jamaica, o reggae foi adotado e ressignificado no Maranhão. Hoje, ele é parte da cultura contemporânea local e influencia a maneira de falar, vestir, dançar e se posicionar no mundo. Mais do que um ritmo musical, o reggae carrega mensagens de liberdade, igualdade, paz, amor e harmonia, sendo uma música militante, que combate preconceitos e discriminações.

Pouco depois, iniciamos a visita guiada com Itaynara Carvalho, que explicou como o Museu do Reggae em São Luís se organiza.

Como é a visita ao Museu do Reggae em São Luís

O museu conta com cinco espaços expositivos, sendo que quatro deles levam o nome de tradicionais clubes de reggae da cidade. Cada ambiente é identificado por uma radiola, que é o nome dado aos potentes aparelhos de som usados pelos DJs nos bailes de reggae.

No passado, esses DJs se tornavam verdadeiras celebridades locais. Para proteger seus sucessos exclusivos, muitos chegavam a riscar os nomes dos artistas e das bandas nos LPs, evitando que outros descobrissem a origem das músicas que incendiavam as pistas.

A primeira sala: DJ, radiola e o jeito maranhense de dançar

Logo na primeira sala, encontramos a representação de um DJ com sua radiola e um casal dançando “coladinho”. Esse jeito de dançar reggae é típico do Maranhão e lembra outros ritmos populares brasileiros, como o forró. Por aqui, o diferente é quem dança pulando, não quem dança junto.

A primeira sala do Museu do Reggae reproduz um clube onde acontecem as festas
A primeira sala do Museu do Reggae reproduz um clube onde acontecem as festas. Créditos: Gisele Rocha

A ala internacional e os grandes nomes do reggae

O segundo ambiente é dedicado ao reggae internacional. Nele, há uma coleção de discos de artistas mundialmente consagrados, como Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff e Ijahman. Este último é o intérprete da música Are We A Warrior, considerada o verdadeiro hino do reggae no Maranhão.

Ainda nessa sala, uma linha do tempo apresenta acontecimentos importantes ligados ao reggae nos âmbitos internacional, nacional e local.

Tribo de Jah: o reggae maranhense que ganhou o mundo

A terceira sala é dedicada à Tribo de Jah, banda que, para nossa surpresa, nasceu em São Luís. Entre os itens expostos está a guitarra que acompanhou o grupo em apresentações ao redor do mundo. Uma verdadeira relíquia!

Outro detalhe marcante é que quatro integrantes da banda são cegos, o que reforça o caráter inclusivo da música e sua capacidade de romper barreiras e preconceitos.

Guitarra utilizada durante muitos anos pelo grupo Tribo de Jah exposta no Museu do Reggae
Adriano ouvindo música no Museu do Reggae em São Luís do Maranhão
Discos de artistas internacionais no Museu do Reggae em São Luís do Maranhão

Sala dos Imortais e as radiolas históricas

O quarto ambiente é a Sala dos Imortais, que resgata a memória de artistas de maior e menor destaque dentro do movimento reggae. Discos, jornais e fotografias ajudam a contar essa história, que muitas vezes não aparece nos livros oficiais.

Foi ali que tivemos a oportunidade de ver de perto a radiola Voz de Ouro Canarinho, que pertenceu ao DJ Serralheiro. Segundo a guia, ele era extremamente zeloso com seu equipamento e costumava isolar a radiola para impedir que alguém colocasse as mãos nela.

Área externa, ícones do reggae e histórias curiosas

Na área externa do museu, onde futuramente funcionará um café, há quatro pôsteres gigantes com grandes referências do reggae. Entre nomes como Bob Marley, Peter Tosh e Jimmy Cliff, um rosto se destaca: Célia Sampaio.

Ela conquistou seu espaço em um cenário historicamente dominado por homens, usando a música para falar sobre negritude, religiosidade e luta por direitos iguais.

E já que falamos em Jimmy Cliff, existe uma lenda curiosa: dizem que ele se apaixonou por uma maranhense e quase se mudou para São Luís. Verdade ou não, o fato é que ele visitou a Jamaica Brasileira e deixou sua marca na cidade.

Sala dos Imortais no Museu do Reggae, em São Luís do Maranhão
Discos de grandes artistas do reggae

Vale a pena visitar o Museu do Reggae em São Luís do Maranhão?

Nossa visita ao Museu do Reggae em São Luís do Maranhão durou cerca de meia hora e foi extremamente enriquecedora. Aqui fizemos apenas um resumo do que encontramos por lá, justamente para não tirar o encanto de quem pretende visitar.

Se você quer entender São Luís além dos cartões-postais, o museu é uma excelente porta de entrada para a cultura local. E o melhor: é de graça!

Informações úteis sobre o Museu do Reggae de São Luís do Maranhão

Horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 9h às 18h; domingo, de 9h às 13h.
Preço: entrada gratuita

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

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