Visitando o Museu do Reggae em São Luís do Maranhão

Quando começamos a planejar a nossa viagem pelo Maranhão, pouco sabíamos a respeito da capital. Ela é famosa pelos casarões cobertos por azulejos e também é conhecida como a “Jamaica Brasileira” pela influência que o reggae exerce sobre aquele povo. Por coincidência, o Museu do Reggae havia sido inaugurado em São Luís na semana anterior à nossa chegada e ficava a 200m do La Palma Hostel, onde nos hospedamos. E como o reggae anda de mãos dadas com a história da cidade, ficamos curiosos e resolvemos visitá-lo.

É importante dizer que este é o primeiro Museu do Reggae fora da Jamaica. O melhor de tudo é que o ingresso é gratuito e não há necessidade de ligar antecipadamente para agendar uma visita guiada.

As recepcionistas pediram para que a gente aguardasse na sala de espera enquanto a guia apresentava o acervo para outro grupo. Na parede da recepção havia um quadro que explicava de maneira clara a importância do Museu do Reggae para a inclusão e representação de uma parcela da sociedade que durante muito tempo foi marginalizada.

O reggae, que veio da Jamaica, já é um elemento da Cultura contemporânea do povo do Maranhão e influencia na maneira do maranhense de falar, de vestir, dançar… É veículo de mensagem de liberdade, igualdade, paz, amor e harmonia. Uma música militante que combate preconceitos e discriminações.

Após poucos minutos de espera, começamos a nossa visita conduzidos pela nossa guia, a Itaynara Carvalho. Ela nos explicou Museu do Reggae em São Luís conta com 5 espaços, sendo que quatro deles recebem o nome de um clube de reggae da cidade. O que identifica cada clube é a sua radiola, uma metonímia empregada para os aparelhos de som utilizados pelos DJs que no passado viravam verdadeiras celebridades e se empenhavam em conseguir discos exclusivos para animar os bailes. Eles chegavam a riscar os nomes dos artistas e bandas dos LPs para que ninguém conseguisse descobrir a fonte do sucesso.

Na primeira sala vemos uma representação do DJ com sua radiola e um casal dançando coladinho, como se estivesse ao som do forró ou algum ritmo parecido. Essa forma de dançar o reggae é peculiar do Maranhão. Para os maranhenses, diferente é quem vai aos clubes e dança saltitando.

A primeira sala do Museu do Reggae reproduz um clube onde acontecem as festas

A primeira sala do Museu do Reggae reproduz um clube onde acontecem as festas. Créditos: Gisele Rocha

Já no segundo ambiente, a ala internacional, podemos ver uma coleção de discos de artistas estrangeiros mundialmente consagrados, como Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff e Ijahman, intérprete da música “Are We A Warrior“, que é o hino do reggae no Maranhão.

Na mesma sala há uma linha do tempo com acontecimentos importantes ligados ao reggae em âmbito internacional, nacional e local. O último ponto, evidentemente, mostra que em janeiro de 2018 foi inaugurado o Museu do Reggae em São Luís.

A terceira sala é dedicada ao grupo Tribo de Jah, que para a nossa surpresa nasceu em São Luís. A guitarra ali exposta embalou muitos shows mundo afora. Uma verdadeira relíquia! Outra curiosidade é que quatro deles são cegos. Isso mostra o quanto a música é inclusiva e indiscriminatória.

O quarto ambiente do Museu do Reggae é chamado de Sala dos Imortais, que através de discos, jornais e fotografias resgata a memória de diversos artistas de maior e menor destaque dentro do movimento. Nela nós pudemos ver e tocar a radiola Voz de Ouro Canarinho, que um dia pertenceu ao falecido DJ Serralheiro. Quer dizer, tocar fica a critério, porque a guia disse que o dono era extremamente zeloso e ciumento com seu instrumento de trabalho e chegava a colocar uma barreira de isolamento para que ninguém pudesse botar os dedos nele.

Na área externa, onde funcionará um café, existem quatro pôsteres gigantescos, mostrando as maiores referências do reggae. Entre os notáveis Jimmy Cliff, Bob Marley e Peter Tosh, me chamou atenção a foto de uma mulher, a Célia Sampaio, que conseguiu conquistar o seu espaço em um ambiente que antes era dominado pelos homens. Em suas músicas ela fala sobre sua negritude, suas diretrizes religiosas e sobre a busca de direitos igualitários.

Murais de artistas consagrados no Museu do Reggae em São Luís do Maranhão

Murais de artistas consagrados no Museu do Reggae em São Luís do Maranhão. Créditos: Gisele Rocha

E por falar em Jimmy Cliff, reza a lenda que ele se apaixonou por uma maranhense e quase se mudou para São Luís. Verdade ou não, é fato que ele já visitou a Jamaica Brasileira e deixou a sua marca por aqui.

E assim terminou a nossa enriquecedora visita ao Museu do Reggae em São Luís do Maranhão, que durou cerca de meia hora. Aqui fizemos apenas um breve resumo do que encontramos por lá para não quebrar o encanto. Esperamos que tenha gostado!

Informações úteis sobre o Museu do Reggae em São Luís

Endereço: Rua da Estrela, s/n
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h.
Preço do ingresso: gratuito

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Onde se hospedar em São Luís

Lemos em alguns lugares que se hospedar no Centro Histórico não é seguro, por isso nossa primeira estadia foi em um flat localizado em um bairro nobre alugado através do Airbnb (clique e ganhe um desconto de até R$130 na sua primeira estadia). No entanto, pela proximidade com os pontos turísticos, nós resolvemos encarar a missão e passamos as duas últimas noites no La Palma Hostel, em pleno Centro Histórico. Foi uma boa troca!
Durante o dia nós não nos sentimos inseguros, mas à noite recomendamos que você não dê bandeira com o celular e que não manuseie dinheiro em público.

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Rua da Palma, 142

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Diárias a partir de R$42,00 (preço atualizado em 02 de maio de 2018)

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Em São Luís, o almoço simples sai por volta de R$22,50, já o fast-food sairá por mais ou menos R$25,00. Considerando o cappuccino, podemos dizer que o cafezinho da tarde custa R$7,50. Em restaurantes, a garrafa d'água de 330ml custa R$2,00, o refrigerante - considerando também o de 330ml - custa R$4,25 e o pint de cerveja R$8,00.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo. Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha