O interesse pela vida dos índios vem de longa data, desde os tempos de escola. Até então, a única forma de nos aproximar da cultura indígena era através de documentários exibidos em canais pagos, que aguçavam cada vez mais a nossa curiosidade. Foi durante a nossa viagem a Manaus que finalmente pudemos presenciar pela primeira vez um ritual dentro de uma tribo.

Em parceria com a Iguana Turismo, saímos para um passeio de um dia inteiro que incluía o impressionante encontro das águas, trilha suspensa pela mata, nado com botos cor de rosa e, finalmente, a tão esperada visita à tribo Dessana, localizada às margens do Rio Negro, em uma área acessível apenas por barco.

Antes mesmo de a lancha atracar, turistas ansiosos começavam a fazer fila. Era necessário atravessar uma pequena ponte improvisada com tábuas de madeira para chegar à praia fluvial onde está a reserva de Tupé, que abriga cerca de 40 habitantes da tribo Dessana.

Reserva do Tupé, onde moram alguns membros da tribo Dessana
Reserva do Tupé, onde moram alguns membros da tribo Dessana. Créditos: Gisele Rocha

Dentro da oca, o filho do pajé dava as boas-vindas enquanto os visitantes se acomodavam nos bancos feitos de troncos de árvores. Depois disso, ele contou brevemente a história da tribo Dessana Tukana, que originalmente habita uma aldeia na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela.

Há cerca de 20 anos, alguns membros se mudaram para essa comunidade nas cercanias de Manaus para que pudessem se aproximarem da cultura do “homem branco”, tendo acesso aos estudos e trabalhando com turismo, uma forma que encontraram para perpetuar as suas tradições e disseminá-la para outros povos. Porém, diferente do que acontece na aldeia principal, na reserva eles estão subordinados às leis de preservação ambiental e por isso são proibidos de caçar e derrubar a mata para cultivar outros alimentos.

Depois da apresentação, deram início a um breve ritual no qual os índios tocavam instrumentos feitos por eles mesmo, cantavam músicas indígenas e dançavam. Todos eles estavam com os corpos pintados, usavam cocar e adornos feitos de sementes, pedras e dentes de animais.

Originalmente, essas festividades duram 24 horas, mas o que aconteceu ali foi uma rápida amostra, já que o nosso tempo era escasso. No final, todos foram convidados a dançar.

Terminada a cerimônia, saímos da oca e ficamos no pátio, onde algumas índias vendiam produtos artesanais, como brincos, braceletes, colares, arcos e flechas, zarabatanas, cestos e máscaras. Considerando que esses índios vivem do turismo e do artesanato, é válido comprar algumas lembrancinhas para levar para casa e presentear os amigos.

Algumas peças artesanais que são vendidas pelos índios da tribo Dessana
Algumas peças artesanais que são vendidas pelos índios da tribo Dessana. Créditos: Gisele Rocha

Por fim, fomos convidados a partilhar de um pequeno banquete, onde foram servidas três espécies de peixes, com farinha d’água e formiga frita, que tem gosto de pipoca. Vale a pena experimentar.

Para ler em seguida

Exploração turística

Embora a vontade de conhecer uma tribo indígena fosse grande, passamos dias nos questionando se o contato com os turistas seria benéfico para aquelas pessoas e, principalmente, se elas queriam a nossa presença.

Como bem explicado pelo filho do pajé, parte da tribo se deslocou do meio da mata para as proximidades de Manaus para viver do turismo, como forma de manter as tradições vivas e apresentá-las aos visitantes. Isso mostra a importância de se contratar uma agência séria, que fará os passeios dentro das regras, repassando parte do valor do pacote para as tribos sem que haja qualquer tipo de exploração.

A tribo Dessana recebe turistas todos os dias por espontânea vontade, mas também por necessidade de captar recursos para comprar alimentos, visto que ali não podem caçar ou intervir na floresta. Portanto, não há nada de mal em visitá-la.

Nunca tente fazer entrar em uma tribo que viva isolada na mata sem antes consultar a Funai. Em alguns casos a recepção pode ser nada amistosa.

Onde se hospedar em Manaus

Durante a nossa passagem por Manaus tivemos a graça de ter como parceiros o Local Hostel (93), localizado no Centro Histórico da cidade, a 150 metros do Teatro Amazonas (falamos melhor dele aqui). As instalações são excelentes, com quartos amplos, camas confortáveis, banheiros sempre limpos, café da manhã farto e funcionários muito solícitos. Fizemos um vídeo sobre lá, mostrando todos os detalhes.

Quantas informações para um único passeio, né? Aprendemos muitas coisas novas e aos poucos vamos compartilhando todo conhecimento adquirido. Acompanhe a nossa saga pela Amazônia.

Leia mais sobre nossa viagem por Manaus, Amazonas

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Em Manaus, o almoço simples sai por volta de R$30,00, já o fast-food sairá por mais ou menos R$30,00. Considerando o cappuccino, podemos dizer que o cafezinho da tarde custa R$5,00. Em restaurantes, a garrafa d'água de 330ml custa R$2,50, o refrigerante - considerando também o de 330ml - custa R$4,00 e o pint de cerveja -. Descubra quanto custa viajar para Manaus.

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Viajei Bonito

Somos duas pessoas apaixonadas por movimento. Para nós, cair na estrada é mais importante do que um projeto futuro de estabilidade e quaisquer oportunidades de novas viagens, por mais remotas e loucas que pareçam ser, a gente tá pegando!

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Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha

24 comentários em “Visitando uma tribo indígena na Amazônia”

  1. Uma imersão em nossa ancestralidade… Deve ter sido uma experiência interessante, no mínimo, e pelo visto reflexiva também. Acho que só por isso já vale uma visita! bjs

  2. Ía justamente comentar essa questão do impacto do turismo na vida dos índios. Ponto bem levantado em seu relato.
    E definitivamente: ninguém deve tentar contato com uma tribo isolada!
    Beijos

    1. Acho esse contato forçado mto desrespeitoso. Resgardadas as devidas proporções, fico imaginando que seja como aquela visita desagradável que chega sem avisar, fica fuçando nas nossas coisas e ainda dá pitaco no nosso modo de viver.

  3. Também sempre tive interesse pela vida dos índios e tenho muita vontade de conhecer uma tribo. Mas, assim como vc, tbm questiono essa questão do turismo… Muito legal ler esse relato e saber mais sobre o passeio. Agora fiquei mais interessada ainda.

  4. Confesso que não é dos passeios que me chamam atenção por essa questão da exploração cultural, mas infelizmente é ingenuidade achar que dá para sobreviver em alguns lugares com a caça e costumes antigos. Até as tribos ditas isoladas já estão bem impactadas. Se o turismo de alguma forma ajudar a manter as tradições desse povo, que assim seja.

    1. Exato, Jessica. O texto foi todo trabalhado em cima desses pontos porque nós tínhamos milhares de dúvidas antes de aceitar ou não participar do passeio. Escolher uma agência séria tbm é importante e nós tivemos mta sorte em conhecer a Iguana.

  5. Quando comecei a ler teu texto, contando como havia sido a experiencia em uma tribo indìgena, me lembrei de uma visita que fiz a uma ilha flutuante em Uros no Peru.
    Eu estava empolgada com o que verìamos por là, mas me decepcionei demais com o que vi. Tanto eu, como meu marido começamos a ver aquilo como um teatrinho. Para nòs era òbvio que eles não moravam ali e me incomodou aquela insistência da parte deles em nos fazer comprar algum produto “feito” por eles ou caminhar em um barco de totora por U$10.
    O pròprio guia havia dito que algumas ilhas eram povoadas por pessoas que não desejavam o encontro com o turista.

    No entanto, teu texto me fez refletir. Ainda acho que aqueles peruanos viviam em uma casa em Puno e que acordavam cedo em direção àquela ilhota para faturar uma graninha do turismo. Mas talvez não! Talvez sejam uros que saem de suas ilhas isoladas para tentar ganhar um trocado como sobrevivência!

    1. Juliana, na visita às ilhas flutuantes eu fiquei com muita dó de ver aquelas mulheres remando um barco pesado, cheio de gente. Fiquei feliz porque um turista português se ofereceu para ajudá-las, depois que ele se cansou veio outro, mais outro e no fim das contas todo mundo ajudou um pouco e sentiu nos próprios músculos que aquilo não era fácil.
      À época não me liguei para o fato de que eles pudessem não morar ali, mas é algo a se pensar.

  6. Que experiência interessante! Não sabia que tribos tinham aberto suas aldeias para turistas. Por um lado é legal para disseminar a cultura indígena, mas por outro acho um tanto invasivo. Mas com certeza uma visita dessas é enriquecedora. 🙂

    1. Tati, as tribos não abriram suas aldeias para os turistas. Alguns índios da tribo Dessana, que fica na fronteira, se mudou para uma reserva nos arredores de Manaus a fim de viver do turismo, difundindo a cultura indígena. Em resumo, foi isso. 🙂

  7. Conhecer a cultura indígena e a diversidade da região deve ser maravilhoso, mas comer pipoca de tanajura é osso duro de roer, tô fora!!! Gostei muito do post!

  8. Parabéns pelo post, eu sonho de conhecer a amazônia e ter contato com os indígenas e confesso que nunca tinha lido um artigo a respeito. Só me deixou mais animado!

  9. Nossa, que experiência incrível!

    Muito bom saber que tem tantos blogs de viagem legais pelo mundo e tanta gente que compartilha essa paixão ?

    Sou apaixonada por viagens e empreendedorismo e pensando nisso criei o http://www.fuiviver.com/ , um projeto que une empreendedorismo a o amor pelas experiências que só as viagens nos proporcionam!

    Seria uma honra receber sua visita!

    Abraços

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