Medidas infalíveis para prevenir o mal de altitude
Antes de embarcar para o Peru e a Bolívia, recebi dezenas de alertas de amigos sobre o “efeito devastador” do soroche, o famoso mal de altitude.
Como eu nunca fui a pessoa mais atlética do mundo, confesso que o medo de passar a viagem deitada em um quarto de hotel era real.
O mal de altitude acontece porque, acima dos 2.400 metros do nível do mar, a pressão atmosférica cai e o oxigênio fica mais escasso. Se o corpo não tem tempo para se aclimatar, ele reclama: surge aquela dor de cabeça persistente, cansaço extremo, falta de ar e uma ânsia de vômito enjoada. Nada bom para quem tem um roteiro incrível pela frente, né?
Para não deixar o ar rarefeito atrapalhar meus planos (e nem dar trabalho para a amiga que estava viajando comigo), decidi investigar a fundo. Aliei as orientações que recebi de um médico com a experiência prática nas montanhas e trouxe para este post o guia de como prevenir o mal de altitude. Se você quer saber o que realmente funciona e o que é lenda, você está no lugar certo.
Navegue pelo post
- O que é mal de altitude (soroche)?
- Quais são os sintomas do mal de altitude?
- Em que altitude o soroche começa a aparecer?
- Quanto tempo leva para o corpo se adaptar à altitude?
- Todo mundo passa mal na altitude?
- Como prevenir o mal de altitude antes da viagem?
- Como evitar o soroche durante a viagem?
- O que comer para evitar mal de altitude?
- Seguro viagem cobre mal de altitude?
- Quando procurar um médico por mal de altitude?
O que é mal de altitude (soroche)?
O mal de altitude, conhecido nos Andes como soroche, é a resposta do nosso corpo quando não consegue se adaptar rapidamente à menor disponibilidade de oxigênio em grandes altitudes, normalmente acima de 2.400 metros acima do nível do mar.
Isso acontece porque, quanto mais alto estamos, menor é a pressão atmosférica e a quantidade de oxigênio disponível para o organismo. É como se o seu motor interno tentasse rodar com um combustível de baixa qualidade: você sente o coração bater mais rápido, o fôlego encurtar em qualquer escadinha cansa horrores.

Quais são os sintomas do mal de altitude?
Os principais sintomas do mal de altitude são dor de cabeça, tontura, falta de ar e enjoo.
Eles costumam aparecer entre 6 a 12 horas após a chegada na altitude, e variam de intensidade. Cada organismo reage de uma forma e com sintomas diferentes, mas, em geral, podemos dividi-los em três categorias:
Sintomas mais comuns do mal de altitude
Estes são os sintomas mais recorrentes entre viajantes e podem ser resolvidos com repouso:
- Dor de cabeça persistente
- Cansaço excessivo, mesmo com pouco esforço
- Tontura ou sensação de cabeça leve
- Falta de ar
- Náusea ou enjoo
- Perda de apetite
- Dificuldade para dormir
Sintomas moderados de soroche
Alguns sintomas requerem atenção especial e até uma visita ao hospital, se forem persistentes:
- Dor de cabeça mais intensa
- Náuseas frequentes
- Fraqueza acentuada
- Sensação de pressão no peito
- Dificuldade de concentração
Sintomas graves do mal de altitude
Em casos raros, o mal de altitude pode evoluir e exigir atenção médica imediata, especialmente se houver:
- Confusão mental
- Falta de ar mesmo em repouso
- Tosse persistente
- Piora rápida dos sintomas
Como o soroche afetou a nossa viagem
Cheguei ao Peru através de Cusco, que está a 3.400 metros acima do nível do mar. Tentei fazer passeios mais lentos, que não exigissem esforço, então não senti muito os efeitos do soroche, apenas parecia mais lenta.
Após 72 horas de aclimatação, fui fazer o passeio a Vinicunca, a Montanha das 7 Cores, que está 5.000 metros de altitude, e lá sim eu fiquei mal, me sentindo fraca, nauseada e com falta de ar, como se o ar não chegasse aos pulmões. Os guias já estão acostumados com essa reação dos visitantes, então o roteiro é pensado para um ritmo mais lento.
A Luana, por sua vez, pensou que ia bater as botas em Huaraz, com falta de ar e fraqueza, mas conseguiu completar o passeio no ritmo dela.
Anos depois, na minha segunda vez em La Paz, eu precisei ficar internada por dois dias, mas não teve a ver apenas com o mal de altitude, peguei intoxicação alimentar. Só que isso é história para outro post sobre os meus infortúnios na Bolívia.
Em que altitude o soroche começa a aparecer?
O soroche, costuma começar a aparecer a partir de 2.400 metros acima do nível do mar, embora isso possa variar bastante de pessoa para pessoa.
Em geral, funciona assim:
- Até 2.000 metros: a maioria das pessoas não sente nada ou apresenta sintomas muito leves.
- Entre 2.400 e 3.000 metros: é a faixa em que os primeiros sintomas do mal de altitude costumam surgir, especialmente quando a subida é rápida.
- Acima de 3.500 metros: o risco de soroche aumenta, e sintomas como dor de cabeça, cansaço intenso, falta de ar e náusea se tornam mais comuns.
- Acima de 4.000 metros: a atenção deve ser redobrada, pois a adaptação do corpo fica mais difícil sem aclimatação adequada.
Destinos turísticos como Cusco (3.400 m), La Paz (3.600 m) e San Pedro de Atacama (2.400 m) estão justamente nessa zona crítica, o que explica por que tantos viajantes pesquisam em que altitude o soroche começa a aparecer e como evitar o mal de altitude antes de viajar.

Quanto tempo leva para o corpo se adaptar à altitude?
Segundo o médico, o tempo que o corpo leva para se adaptar à altitude geralmente é de 24 a 72 horas após a chegada a locais acima de 2.400 metros. Então, pegue leve nos três primeiros dias.
Nesse tempo, o corpo da gente passa pelos ajustes, aumentando da frequência respiratória e produzindo glóbulos vermelhos para compensar a menor quantidade de oxigênio disponível. É justamente nesse período que os sintomas do mal de altitude costumam aparecer com mais frequência.
Depois de quatro dias, você já vai se sentir melhor para fazer passeios que envolvam subir montanhas e andar por várias horas. Em uma semana, dificilmente você vai sentir algum sintoma relacionado à altitude.
Todo mundo passa mal na altitude?
Não, nem todo mundo passa mal na altitude, mas é bom agir como se você fosse passar. O soroche pode afetar qualquer pessoa, independentemente de idade ou preparo físico, então, não conte com o seu histórico de atleta!
A boa notícia é que, com informação e alguns cuidados simples, é possível reduzir bastante os riscos e viajar com mais tranquilidade. É disso que eu vou falar agora!
Como prevenir o mal de altitude antes da viagem?
Nada garante que o seu corpo não vai sentir os impactos da mudança de altitude, mas é possível tentar minimizar os sintomas com alguns cuidados simples.
Faça um check-up médico
Cerca de um mês antes, faça um exame de sangue simples. Se você estiver com anemia ou níveis baixos de ferro, seu corpo vai sofrer o dobro para se aclimatar.
Consulte seu médico sobre a acetazolamida (Diamox)
Pergunte ao seu médico sobre começar a tomar doses baixas de acetazolamida um ou dois dias antes da subida. Ele ajuda o sangue a não ficar tão alcalino e acelera a respiração durante o sono, prevenindo o soroche antes mesmo de ele tentar começar. Mas só faça isso se o seu médico aprovar, nunca tome nada por conta própria!
Aumente o consumo de antioxidantes
Capriche em alimentos ricos em vitamina C e E nas semanas pré-viagem. Isso ajuda a proteger suas células e prepara o sistema imunológico.
Pare de fumar
Nem preciso me aprofundar nisso, né? Seu pulmões e todo o sistema cardiovascular vão agradecer se você largar o cigarrinho e o vape.
Mantenha uma boa hidratação antes de embarcar
Beber bastante água nos dias anteriores ajuda o organismo a lidar melhor com a altitude. Evite chegar desidratado.
Como evitar o soroche durante a viagem?
Evitar o soroche durante a viagem exige tempo e paciência. Pequenas escolhas diárias fazem uma diferença enorme para reduzir os sintomas.
Não faça esforço físico
Parece tentador chegar a um lugar novo e sair explorando tudo, mas esse é o primeiro passo para você se dar mal em cidades de elevadas altitudes. Nessas ocasiões, o melhor a fazer é chegar e descansar e deixar o passeio para o próximo dia.
Até os jogadores de futebol, que têm ótimo condicionamento físico, passam por esse processo de aclimatação antes das partidas. Por que você pularia essa etapa?
Hidrate-se
Beba bastante água, no mínimo 2 litros e meio por dia, pois em altitudes mais elevadas o ar tende a ser bastante seco. Carregue uma garrafinha onde quer que vá e beba mesmo quando não estiver com sede.
Evite álcool nos primeiros dias
O álcool desidrata e pode intensificar os sintomas do soroche e dificultar a adaptação do corpo, especialmente enquanto você ainda está se aclimatando.
Tome chá de coca
Antes que você me pergunte, ele não é alucinógeno e não é ilegal no Peru e na Bolívia. Todos tomam chá de coca e ele é até bem gostosinho, até o Papa Francisco tomou, então vai na fé.
O chá de coca pode ser feito direto com a folha ou com sachês e nos hotéis e restaurantes eles costumam ser oferecidos gratuitamente.

Masque a folha de coca
As folhas de coca são usadas há séculos pelos andinos para aliviar náuseas e dores de cabeça. Elas possuem alto teor de nutrientes e são estimulantes naturais. Não preciso nem falar que cocaína é bem diferente disso, né? Não vou entrar nesse mérito, apenas dizer que ela é ilegal em qualquer lugar do mundo.
Faça refeições leves e frequentes
Seu organismo estará trabalhando para se aclimatar e refeições pesadas só vão atrapalhar, pois ele precisará de esforço extra para a digestão. Excesso de sal também deve ser evitado, já que ele causa desidratação. Pegue leve pelo menos nos primeiros dias.
Alimentos ricos em potássio são ótimos para aclimatação. Abuse das verduras, legumes e frutas, como banana, melão e abacate. A boa notícia é que chocolate também é altamente recomendável!
Carregue latinhas e cilindros de oxigênio
Carregar cilindros portáteis de oxigênio de 5 ou 10 litros é indicado para amenizar o soroche. No Peru e na Bolívia eu vi eles são vendidos em farmácias e não é necessário ter prescrição médica.
Soroche pills
Se você seguiu tudo à risca e ainda assim sentiu-se mal, peça para alguém comprar algumas “saroche pills” (Sorojchi Pills), comprimidos compostos de aspirina, salicilamida e cafeína, elaborados para especialmente para combater o mal de altitude. Se ainda assim você não se sentir bem, o jeito é procurar atendimento médico.
Jamais subestime os efeitos do mal de altitude, porque ele pode evoluir para quadros mais graves, como o edema pulmonar e edema cerebral, que são potencialmente mortais. Tome cuidado!

O que comer para evitar mal de altitude?
Essa foi outra pergunta que eu fiz ao médico, porque depois dos 30 meu corpo começou a implicar com comida. Ele me respondeu que, por causa da falta de oxigênio, a digestão fica mais lenta, então é recomendável evitar “pratadas” com grande quantidade de comida ou refeições pesadas.
Ele me aconselhou a começar com sopas e caldos, que eu adoro e são muito comuns na gastronomia andina. Carboidratos leves, como batata, arroz e quinoa também estão liberados.
Para o café da manhã, banana, abacate e frutas cítricas ajudam a manter os eletrólitos em dia. Levar um chocolate na mochila ajuda a dar aquele pico de energia.

Seguro viagem cobre mal de altitude?
A maioria dos seguros viagem padrão cobre atendimentos de urgência e emergência para sintomas de soroche (como consultas e medicamentos). No entanto, há um detalhe crucial: muitas seguradoras excluem “prática de esportes em altitude” ou atividades acima de certo nível, que geralmente 2.500 ou 3.000 metros.
Isso quer dizer que você passar mal caminhando por Cusco, estará está coberto. Mas se isso acontecer enquanto faz o trekking da Montanha das 7 Cores ou subindo o Huayna Picchu, pode ser considerado “esporte de aventura” e o seguro pode se isentar de arcar com suas despesas médicas.
Isso foi só para dar um exemplo.
Recentemente eu andei pesquisando sobre quais planos de seguro viagem cobrem práticas de esporte em altitude e vi que apenas a Coris tem planos que abrangem até 5.000 metros.
Mas para ter certeza ideal é entrar em contato com o suporte da Seguros Promo para saber quais empresas dão o suporte adequado em países de grandes altitudes. Só não viaje desprotegido!
Quando procurar um médico por mal de altitude?
É importante procurar um médico quando os sintomas não melhoram em até 72 horas, ou se surgirem sinais mais intensos, como falta de ar em repouso, confusão mental, dor de cabeça forte, vômitos frequentes ou extrema fraqueza.
Esses podem ser sinais de edema pulmonar ou cerebral, condições graves que exigem oxigenoterapia hospitalar e descida imediata para altitudes baixas.
Não espere a noite passar se sentir que o mal-estar fugiu do controle, a sua segurança vem primeiro!
Você conseguiu sanar todas as suas dúvidas sobre como prevenir o mal de altitude? Se ainda restarem dúvidas, escreva na caixa de comentários que ajudaremos com prazer!

Muito interessante estas dicas e artigos pra quem quer viajar dentro de seu país ou para o exterior.
PARABÉNS , PELAS DICAS SINCERAS E MUITO CERTAS E REALISTAS, GRANDE ABRAÇO !!!