Você provavelmente já ouviu muito a respeito da rigorosidade dos Estados Unidos perante a iminência de imigrantes ilegais em seu território. Pensamos que na entrada do país seríamos perguntados a respeito de tudo até cairmos em contradição e ter nossa entrada invalidada. Exageros à parte, fomos muito bem preparados e isso porque nossa passagem por Nova York seria apenas por algumas horas de conexão.

Na ocasião fazíamos uma viagem de São Paulo com destino à Bangkok, na Tailândia, sendo a primeira conexão realizada em Nova York, mais precisamente no JFK. Em nossa mochila carregávamos uma pasta com vários documentos, atestados, cartões de vacina, comprovantes de renda, cartas de recomendação, ufa! Mal sobrou espaço para o notebook.

Estação do AirTrain no Aeroporto JFK, em Nova York, Estados Unidos

Estação do AirTrain no Aeroporto JFK, em Nova York, Estados Unidos. Créditos: Gisele Rocha

Foi a hora de enfrentar a fila da imigração para entrar no país. Em nossas cabeças seríamos confundidos com terroristas, ou então questionados exaustivamente a respeito de permanecer ilegalmente no país. Ora, um jovem casal sem emprego fixo, sem carro, sem casa, sem filhos, sem laço algum com o Brasil: tudo conspirava para que se despertasse pelo menos um pingo de desconfiança. Na verdade, fomos mais bem tratados do que no voo!

Primeiramente o oficial solicitou nossos passaportes e perguntou quanto tempo ficaríamos no país. Respondemos que seria apenas por seis horas e que voltaríamos para continuar a viagem. Com uma fila enorme atrás de nós o agente perguntou qual (ou quais) pontos pretendíamos conhecer. Respondemos que seria o Memorial do World Trade Center e ele fez aquela cara do famoso meme Not Bad do Obama, calculou mentalmente e disse que teríamos tempo suficiente. Mas terminou pedindo que tomássemos cuidado, uma vez que o tempo de espera na segurança que passaríamos na volta seria maior, já que o início da tarde é meio tumultuado. Ou seja, de quebra ganhamos ali uma dica valiosa e um bem-vindo caloroso.

Assista também ao nosso vídeo sobre como tirar o visto para os Estados Unidos: documentos necessários e perguntas frequentes.

Sabemos que o fato de se ter muitos carimbos no passaporte é um ponto positivo na análise de perfil feita pelos países a respeito da probabilidade da pessoa estar indo com objetivos de não sair mais e de trabalhar ilegalmente. Tanto é que não sentimos, em momento algum, nenhum tipo de pergunta que pudesse estar sendo feita com o propósito de nos fazer cair em contradição. Para falar a verdade, pelo tom de voz do oficial ao perguntar onde iríamos, parecia mais curiosidade do que investigação.

Na hora pensamos ter dado sorte de pegar uma pessoa tranquila naquele dia e de bem com a vida. Para falar a verdade, na volta tudo foi bem mais fácil e descontraído.

Saímos de Krabi no início de dezembro, voamos para Bangkok e de lá pegamos o voo de volta que faria uma conexão rápida em Tóquio antes de chegar à Nova York. Nessa hora estávamos exaustos e com sono, fora o jet lag. Chegamos novamente à fila da imigração e dessa vez o outro oficial nos surpreendeu em simpatia.

Vão ficar quanto tempo nos Estados Unidos?” Respondemos novamente que se tratava de uma conexão. Aí começou o bate-papo: “É mesmo? E de onde vocês estão vindo?” Japão, respondemos. “E são quantas horas até São Paulo?” 11 horas, dissemos. “Nossa, isso não é pra mim. Mas admiro quem aguente viajar tanto tempo assim.” Aí dissemos que estávamos antes em Bangkok e ele demonstrando total interesse, mesmo com a fila grande atrás de nós. Ao terminar a conversa ele nos desejou boa viagem e ainda disse “Brasil? Quem sabe um dia?”

Imigração no aeroporto JFK, em Nova York, Estados Unidos

Imigração no aeroporto JFK, em Nova York, Estados Unidos. Créditos: Beatrice Murch / Fonte: Wikimedia Commons

O Brasil parece ter uma boa relação com os Estados Unidos no que tangem os tratamentos a turistas. Durante o processo de obtenção do visto também fomos muito bem tratados o tempo todo. Na entrevista não faltou simpatia da parte da funcionária que nos entrevistou.

É impossível saber ao certo como o resto do mundo é tratado na imigração americana, mas se você é brasileiro, fique tranquilo, você será bem recebido pelo país. Quando achamos que um dos países mais visados para se trabalhar vai fechar completamente as portas para o resto do mundo, na verdade é nos dado um voto de confiança. Muito do meu preconceito com os Estados Unidos acabou naquele dia. Um país que não nos despertava tanto interesse até então passou a ser o objetivo de nossa próxima viagem.

Se prepare, pois muitos artigos sobre os EUA estão para ser escritos nos próximos meses e a história do Viajei Bonito vai ganhar mais um grande capítulo. Mas não é hora de colocar a carroça na frente dos bois.

Você já teve alguma experiência (ruim ou boa) na imigração dos Estados Unidos? Compartilhe conosco e com nossos leitores utilizando os comentários abaixo. Assim você ajuda a enriquecer o artigo e de quebra contribui para a viagem de muita gente!

Nos vemos num próximo post.

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Viajei Bonito

Somos duas pessoas apaixonadas por movimento. Para nós, cair na estrada é mais importante do que um projeto futuro de estabilidade e quaisquer oportunidades de novas viagens, por mais remotas e loucas que pareçam ser, a gente tá pegando!

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Créditos da imagem de capa: Mike Rolls / Fonte: Flickr. Imagem utilizada nas redes sociais: Adriano Castro.

10 comentários em “Como fomos tratados na imigração dos Estados Unidos”

  1. A minha experiência na imigração americana também foi tranquila, mas tive que ouvir do agente da imigração algumas perguntas como: “O que você foi fazer no Irã?” e “Quer conhecer também a Coreia do Norte?”.

    1. Eu fiquei apreensiva porque na Rússia carimbaram a entrada justamente na folha ao lado do visto dos EUA, sendo que ainda existiam umas 3 folhas brancas disponíveis. Só olharam, deram uma risadinha de canto de boca e me deixaram passar, sem fazer perguntas.
      Ainda bem que não criaram caso. Vc já deve ter viajado bastante, né? Acho que isso conta a nosso favor.

  2. Pra mim sempre foi tranquilo graças a Deus!! Mas Eu acho que depende da pessoa que atende e da cidade. Na Florida, NY,.. são bem simpáticos, tranquilos,… em MA já fazem mais perguntas.

  3. JFK é um aeroporto muito mais aberto e com maior fluxo. Eu errei na ida pro U.S.A saindo de Genebra onde eu moro, passri por detroit antes de chegar em Hartford, connecticut. Dpois que eu ja tinha passado pelo oficial, 20 metros mais pra frente me pararam. Enquanto esperava sentado, fiz o erro de botar a mão na boca. Fudeu! What did you put in your mouth! Repetiram vatias vezes….ainda brmq ru tbm falo inglês e me defendi. Quasr joguei na cara deles que morava na Suíça e n precisava de ir morar nos states de tão puto q me deixaram kkkk. Fui brm preparado tbm, levei tudo que pudi pra provar que eu estava falando. Final da história, assim qu eu me vesti pra festa de casamento, os americanos me acharam parecido com Obama!

    1. Fabiano, felizmente fomos recepcionados com a mesma simpatia. O oficial até se mostrou entusiasmado com a nossa viagem. Quando passamos pela imigração nas Bahamas, na terceira vez que fomos aos Estados Unidos, a agente não foi tão simpática, mas fez apenas as perguntas de sempre e nos deixou entrar. Se você está com os documentos em dia, tem as passagens de volta e comprovantes de hospedagens, não precisa se preocupar.

      1. Legal, vou fazer uma viagem de 6 meses também pelo EUA, e sempre rola aquele frio na barriga hahah.
        Vocês já foram com tudo planejado daqui, tipo, todos os lugares (hotel/hostel/airbnb) que vocês ficariam?
        Penso num planejamento mais aberto, só tenho a reserva do hostel q vou ficar em NYC, depois disso vou encontrar uma amiga e ir desbravando o país, acha que pode ter alguma complicação?

        1. A gente também só tinha os comprovantes dos hospedagens dos primeiros dias, mas tínhamos as passagens de volta, seguro viagem, extratos bancários e tudo mais que eles pudessem pedir.

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