Onde foi filmado Um Olhar do Paraíso e como conhecer seus cenários
Alguns filmes despertam vontade de viajar antes mesmo de os créditos terminarem. Em Um Olhar do Paraíso, lançado originalmente como the lovely bones, a paisagem tem um papel especialmente marcante: o cotidiano de uma pequena cidade da Pensilvânia contrasta com um mundo intermediário de campos, praias, montanhas e cores quase irreais.
Só que há um detalhe importante para quem pensa em transformar o filme em roteiro de viagem. Nem tudo o que vemos na tela existe exatamente daquela forma. A equipe gravou as cenas terrenas em diferentes lugares da Pensilvânia e criou boa parte do universo fantástico combinando paisagens da Nova Zelândia, cenários de estúdio e efeitos visuais.
A seguir, mostraremos onde ocorreram as filmagens e como montar dois roteiros possíveis, sem vender cenário digital como atração turística.

Índice
- Um filme de paisagens bonitas e tema delicado
- Onde Um Olhar do Paraíso foi filmado?
- Roteiro de 2 dias pelas locações na Pensilvânia, Estados Unidos
- Roteiro de 3 dias entre Wellington e Wairarapa, Nova Zelândia
- Melhor época para fazer os roteiros
- Cuidados necessários para visitar locações de filmes
- Outros filmes para inspirar os seus próximos roteiros
Um filme de paisagens bonitas e tema delicado
Dirigido por Peter Jackson e baseado no livro de Alice Sebold, o filme acompanha Susie Salmon, uma adolescente assassinada que observa a família a partir de um lugar entre a Terra e o paraíso. Portanto, apesar da fotografia luminosa, não se trata de um filme leve. A história aborda violência, luto e a tentativa de uma família de seguir em frente.
Essa tensão ajuda a explicar as duas identidades visuais da produção. A Pensilvânia representa o mundo concreto, com casas, escolas, centros comerciais e ruas suburbanas. Já as paisagens associadas a Susie mudam de escala, cor e forma constantemente. É justamente essa segunda parte que leva muita gente a pesquisar onde Um Olhar do Paraíso foi filmado.
Onde Um Olhar do Paraíso foi filmado?
As filmagens foram feitas nos Estados Unidos e na Nova Zelândia em 2007. Na Pensilvânia, a equipe passou por localidades dos condados de Delaware, Chester e Montgomery. Entre os nomes associados à produção estão Royersford, Phoenixville, Malvern, Hatfield, Ridley Township e East Fallowfield, além da região de Valley Forge.
Na Nova Zelândia, Peter Jackson recorreu à região de Wellington, onde mantém sua estrutura de produção, e às paisagens rurais de Wairarapa, no sudeste da Ilha Norte. A direção de arte e os efeitos visuais transformaram bastante os campos ondulados para criar a atmosfera desse mundo intermediário. Em outras palavras, não existe um único parque chamado “paraíso de Susie” esperando o visitante com aquela aparência exata.
Pensilvânia e o mundo real de Susie
A equipe escolheu os arredores da Filadélfia para recriar um subúrbio norte-americano convincente dos anos 1970. A região reunia casas com jardins, ruas arborizadas e pequenas cidades que se adaptavam facilmente à época. Assim, Royersford concentrou boa parte das filmagens, enquanto os municípios vizinhos receberam outras cenas.
Para quem visita a região, vale mais a pena conhecer os lugares ligados à produção do que tentar encontrar cada endereço usado nas filmagens. Afinal, algumas propriedades são particulares, enquanto outros espaços mudaram de função ou já não mantêm a aparência que vemos no filme.
Sendo assim, faz mais sentido usar as locações como um guia para conhecer o Vale do Delaware, combinando história, natureza e cidades pequenas.
Nova Zelândia e a criação do mundo intermediário
Do outro lado das montanhas Remutaka, a partir de Wellington, fica Wairarapa, uma região que reúne vinhedos, fazendas, colinas, pequenos povoados e uma costa mais selvagem. Essa variedade de paisagens ajudou a construir o universo do filme, embora a equipe também tenha transformado boa parte do que vemos na tela durante a pós-produção.
A viagem pela Nova Zelândia seria uma forma de se aproximar das paisagens e dos bastidores das produções cinematográficas, mas não espere encontrar cenários intactos, já que eles não existem. Isso evitaria a decepção de atravessar o mundo para descobrir que o lago encantado era, em boa parte, computação gráfica.
Roteiro de 2 dias pelas locações na Pensilvânia, Estados Unidos
A Filadélfia é a base mais prática para explorar as localidades ligadas ao filme. O carro facilita muito o deslocamento, já que os pontos estão espalhados e o transporte público não foi pensado para um roteiro de cineturismo. Antes de sair, salve as paradas no mapa e confira se cada lugar continua aberto ao público.
Dia 1: Filadélfia Valley Forge e Phoenixville
Comece por Valley Forge National Historical Park, uma área histórica com trilhas, campos abertos e construções preservadas. O parque aparece em listas de locais ligados às filmagens e, mesmo sem depender dessa conexão, rende um passeio agradável para entender a paisagem da região.
Depois, siga para Phoenixville, uma antiga cidade industrial revitalizada às margens do rio Schuylkill. O centro tem prédios históricos, cafés, restaurantes e o Colonial Theatre, conhecido por sua relação com outro clássico do cinema, The Blob. Termine o dia em Royersford, uma das localidades mais citadas na produção de Um Olhar do Paraíso. Como muitas cenas foram gravadas em áreas residenciais, observe as casas apenas de espaços públicos e evite parar diante de propriedades particulares.
Dia 2: Malvern e Brandywine Valley
No segundo dia, vá a Malvern e percorra o Brandywine Valley, região de jardins, propriedades históricas e estradas secundárias cercadas por vegetação. East Fallowfield e outras áreas do condado de Chester também fizeram parte do mapa de produção, mas não espere placas indicando cada enquadramento.
Se tiver mais tempo, inclua o Brandywine Museum of Art ou um dos jardins da região. Assim, o dia não fica dependente de encontrar uma fachada específica do filme. Essa é uma boa regra para qualquer viagem motivada por cinema: a locação abre a porta, mas o destino precisa sustentar o passeio por conta própria.
Roteiro de 3 dias entre Wellington e Wairarapa, Nova Zelândia
Na Nova Zelândia, reserve pelo menos três dias e durma uma noite em Wairarapa. É possível fazer um bate e volta a partir de Wellington, mas o ritmo apressado tira justamente o que a região tem de melhor: as estradas cênicas, as cidades pequenas e as mudanças de luz sobre as colinas.
Dia 1: Bastidores do cinema em Wellington
Use o primeiro dia para conhecer Wellington e entender por que a cidade se tornou um polo audiovisual. A Wētā Workshop oferece experiências voltadas aos bastidores de efeitos especiais, figurinos, criaturas e objetos de cena. A visita não é dedicada exclusivamente a Um Olhar do Paraíso, mas ajuda a perceber quanto trabalho existe entre uma paisagem real e aquilo que finalmente chega à tela.
Complete o dia com o Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa e uma caminhada pela orla. Quem gosta de cinema sai daqui com mais repertório; quem não gosta tanto ainda encontra uma cidade compacta, cultural e fácil de explorar a pé.
Dia 2: Greytown Martinborough e as colinas de Wairarapa
Atravesse as montanhas Remutaka e faça a primeira parada em Greytown, conhecida pelas construções históricas, lojas independentes e cafés. Depois, siga para Martinborough, cercada por vinhedos e estradas rurais. O objetivo deste trecho não é reproduzir um enquadramento exato, mas observar a paisagem que serviu de base para o universo etéreo do filme.
Martinborough é uma boa escolha para passar a noite. Se quiser visitar vinícolas, deixe o carro no hotel e contrate um passeio, alugue uma bicicleta ou use transporte local. Além de ser mais seguro, isso permite aproveitar o dia sem transformar cada degustação em uma negociação matemática com o limite de álcool ao volante.
Dia 3: Cape Palliser e a costa de Wairarapa
No último dia, siga em direção a Cape Palliser. A estrada passa por áreas rurais e trechos costeiros, com paisagens amplas que combinam com a atmosfera contemplativa do filme. O farol fica no alto de uma longa escadaria, e a região também abriga uma colônia de focas. Mantenha distância dos animais e nunca bloqueie a passagem entre eles e o mar.
Consulte as condições da estrada e do tempo antes de sair, abasteça o carro e leve água. Os serviços ficam mais escassos longe das cidades. Se o clima estiver ruim, substitua a costa por Masterton ou por mais tempo em Greytown e Martinborough.
Melhor época para fazer os roteiros
Na Pensilvânia, Estaddos Unidos, o outono entrega as cores que mais lembram o filme, especialmente entre o fim de setembro e outubro. É também um período concorrido em áreas de folhagem, por isso vale reservar hospedagem com antecedência. Já a primavera oferece temperaturas agradáveis e jardins floridos, enquanto o inverno pode trazer neve e exigir mais cuidado ao dirigir.
Em Wairarapa, Nova Zelândia, os meses entre dezembro a março são os mais quentes, favorecendo os passeios ao ar livre e as estradas cênicas. Primavera e outono costumam render temperaturas amenas e menos movimento. Independentemente da estação, leve uma camada corta-vento, pois o tempo na região de Wellington muda inesperadamente.

Cuidados necessários para visitar locações de filmes
O cineturismo fica muito melhor quando a curiosidade vem acompanhada de algumas regras básicas:
- Confirme se o lugar é realmente uma locação, e não apenas uma inspiração, um cenário de estúdio ou uma imagem criada digitalmente. Isso evita frustrações.
- Verifique o acesso antes da viagem. Centros comerciais fecham, fachadas mudam e propriedades podem trocar de dono.
- Não entre em quintais, garagens, fazendas ou estradas privadas para repetir uma fotografia do filme, pois isso pode trazer problemas com proprietários e também com a polícia.
- Evite fotografar moradores sem permissão e não publique endereços residenciais sensíveis.
- Monte o roteiro com atrações adicionais. Uma viagem inteira baseada em uma única fachada pode ser muito frustrante.
- Baixe mapas offline, principalmente em áreas rurais da Nova Zelândia, e deixe margem para mudanças de clima.
Outros filmes para inspirar os seus próximos roteiros
Filmes funcionam muito bem como ponto de partida, desde que não sejam tratados como guias geográficos. A fotografia pode alterar cores, distâncias e estações do ano; a montagem faz lugares separados por quilômetros parecerem vizinhos; os efeitos visuais terminam o trabalho.
Depois de assistir, anote o que chamou a atenção de verdade: cidades pequenas, estradas no outono, campos abertos, costa selvagem ou bastidores de cinema. A partir daí, pesquise a região e monte um roteiro coerente com o seu interesse. Se quiser continuar a sessão antes de escolher o destino, veja também estes 11 filmes para se inspirar a viajar sozinho e a seleção de filmes para quem quer viajar pela América do Sul.