O que fazer no Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais
O Parque Estadual do Itacolomi fica entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, e guarda um dos cartões-postais mais emblemáticos do estado: o pico rochoso que dá nome ao parque, visível de longe em meio à Serra do Espinhaço.
Foi lá que passamos um dia inteiro, na missão de completar os 12 km de trilha de ida e volta ao topo. Mas o parque oferece muito mais do que isso: há área de lazer para crianças, trilhas de diferentes níveis de dificuldade, uma lagoa perfeita para se refrescar depois da caminhada, construções históricas preservadas e paisagens de campo rupestre que valem a visita mesmo para quem não pretende chegar ao cume.
Se você está pensando em conhecer o Itacolomi em um dia ou aproveitar um fim de semana por lá, neste texto reúno o nosso relato completo da experiência, além de tudo o que você precisa saber antes de ir: ingresso, horários, como chegar, trilhas e atrações do parque.
Atualização: este relato foi originalmente publicado em 2016. As informações práticas sobre visitação, ingressos, horários, infraestrutura e trilhas adjacentes foram atualizadas em 2026.

Navegue pelo post
Como chegar ao Parque Estadual do Itacolomi?
O Parque Estadual do Itacolomi fica na região entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, e o principal acesso é pela BR-356, no km 98, em frente ao trevo do Hospital Santa Casa, em Ouro Preto.
Ônibus
É possível chegar de transporte público até a portaria do parque, o que é uma boa notícia para quem está viajando sem carro. O IEF informa que linhas de transporte coletivo que atendem a região de Ouro Preto, incluindo as linhas Cooperouro, Pocinho e Hospital, passam pela área da portaria.
O percurso leva cerca de 35 minutos, mas tenha em mente que o ônibus deixa você na portaria, não no Centro de Visitantes. São 5km de distância entre os dois!
Carro
De Belo Horizonte, o trajeto mais direto é pela BR-040, seguindo no sentido Rio de Janeiro, e depois pela BR-356, a Rodovia dos Inconfidentes, em direção a Ouro Preto. A entrada do Parque Estadual do Itacolomi fica pouco antes da área urbana de Ouro Preto, junto ao trevo do Hospital Santa Casa.
Quem estiver em Mariana também pode chegar pela BR-356, seguindo em direção a Ouro Preto. A portaria fica às margens da rodovia, portanto o acesso é relativamente simples de encontrar.
A estrada até a portaria é pavimentada. A partir dali, porém, começa o trecho de aproximadamente 5 km em estrada de terra até o Centro de Visitantes.
Excursão
Se você não estiver viajando de carro e não quiser se aventurar no transporte público, uma alternativa é contratar uma excursão para o Pico do Itacolomi saindo de Ouro Preto.
Nesse tipo de passeio, os guias buscam os participantes nos hotéis, levam o grupo até o Centro de Visitantes e acompanham a caminhada até o cume. No fim do passeio, eles também deixam todos de volta em suas respectivas hospedagens.
⚠️ ATENÇÃO!
Um detalhe importante para quem visita o parque pela primeira vez é que a portaria não fica junto ao Centro de Visitantes.
Depois de passar pela entrada, ainda são aproximadamente 5 km por uma estrada de terra até a área onde ficam o Centro de Visitantes e outros equipamentos do parque. Por isso, chegar à portaria e chegar efetivamente à área de visitação são duas coisas diferentes, especialmente para quem não está de carro.
Você pode percorrer essa distância inicial a pé, mas aconselho guardar energia e pedir carona, uma prática super comum dentro do parque. Nós fizemos nossa boa ação do dia carregando um grupo de jovens na caçamba da picape.
Outra opção que passou a existir desde a reabertura do parque é a possibilidade de subir esse trecho inicial de UTM, um veículo 4×4. O valor é de R$ 75 por pessoa, ida e volta. Ainda acho que vale mais a pena ir com o veículo próprio ou ir de carona, mas a escolha é sua.
O que fazer no Parque do Itacolomi?
Uma das coisas que mais gostei no passeio foi descobrir que há muito o que fazer no Parque Estadual do Itacolomi além da trilha do Pico do Itacolomi.
Dá para conhecer um pouco da história da região, visitar construções antigas, fazer atividades ao ar livre e escolher entre trilhas de diferentes níveis de dificuldade.
1. Passar pelo Centro de Visitantes
Antes de começar a trilha, eu sugiro que você pare no Centro de Visitantes para se informar sobre o parque, a biodiversidade e a cultura local. Isso ajuda a entender melhor a importância ambiental e histórica desta unidade de conservação que você está conhecendo.
Além da exposição, essa é a última chance de ir ao banheiro e encher a garrafinha d’água antes de começar a trilha. Como o parque foi reaberto em 2026 depois de um período de obras e reformas, está tudo novinho e em perfeito estado de funcionamento!


2. Entrar na Casa Bandeirista
Outro lugar interessante para conhecer é a antiga sede da Fazenda São José do Manso, construída entre 1706 e 1708, durante o período dos Bandeirantes. Internamente, painéis contam a história do local e muitas paredes e parte do piso ainda preservam a arquitetura original.
A casa funcionou como posto de fiscalização da Coroa Portuguesa durante o Ciclo do Ouro, sendo usada para cobrar impostos, vigiar e controlar o acesso às minas de ouro da região. Há, inclusive, quem defenda que este seja o primeiro prédio público da história de Minas Gerais.
Depois de restaurada, a construção passou a abrigar uma exposição permanente sobre os naturalistas viajantes que passaram por Minas Gerais. Esse era o nome dado aos cientistas e pesquisadores que viajavam pelo país, principalmente entre os séculos XVIII e XIX, para estudar e registrar a fauna, a flora, os minerais, a geografia e outros aspectos da natureza brasileira.
Muitos deles também desenhavam e descreviam o que encontravam pelo caminho, deixando registros importantes sobre o Brasil daquela época, que você pode ver aqui, neste espaço.





3. Visitar o Museu do Chá
Você não vai precisar de fazer um desvio muito grande para visitar o Museu do Chá, que também está instalado no complexo da antiga Fazenda São José do Manso, produtora da marca de chá Edelweiss, exportada para a Alemanha.
Ver as máquinas ainda no lugar onde funcionavam dá mais concretude a essa passagem do que qualquer placa explicativa.


4. Conhecer a Capela de São José
Como a Capela de São José fica próxima de outros atrativos históricos do parque, vale incluí-la no passeio. Apesar de simples, ela guarda uma história curiosa: a capela foi construída após um padre recomendar sua edificação por causa de relatos de aparições de almas penadas nas proximidades.
Se ela estiver aberta, aproveite para dar uma olhada na Via-Sacra, criada por artistas plásticas de Ouro Preto com materiais recolhidos na própria natureza.

5. Carimbar o passaporte da Estrada Real
Se você tiver o passaporte comemorativo da Estrada Real, pode carimbá-lo na guarita do parque, antes de seguir pela estrada de terra até o Centro de Visitantes.
Talvez você ainda não saiba, mas o monumento nº 001 do Caminho Velho da Estrada Real fica dentro do Parque do Itacolomi, em frente à Casa Bandeirista. Pode tirar foto para registrar!
🚨 Peça o seu passaporte comemorativo no site do Instituto Estrada Real e veja a lista completa de locais de retirada e pontos de carimbo.
6. Participar de atividades esportivas
Desde a reabertura do Parque Estadual do Itacolomi, o espaço passou a receber com frequência atividades esportivas em grupo. Eu ainda não tive a chance de me juntar a nenhuma delas, mas achei a ideia bem legal.
Dependendo da programação, é possível participar de corridas, caminhadas, passeios de bicicleta e até aulas de yoga. É uma forma de manter o corpo em movimento mesmo que você não tenha pique para fazer a trilha de 12 km.
7. Fazer ao menos uma das trilhas do parque
Atualmente, o Parque Estadual do Itacolomi conta com seis trilhas abertas aos visitantes, com distâncias que variam de 450 a 12 km, ida e volta.
As trilhas são autoguiadas e possuem placas a cada novo quilômetro. E embora o parque oferece guias, eles devem ser reservados com antecedência. Como o nosso passeio não foi programado, fizemos todo o trajeto sozinhos e foi muito tranquilo.
Vou explicar um pouquinho sobre cada trilha e deixar um quadro comparativo para você escolher qual deseja fazer. Mas neste artigo, especificamente, vou me aprofundar na minha experiência fazendo a trilha do Pico do Itacolomi.
7.1 Trilha da Lagoa
Começando pela mais fácil, a Trilha da Lagoa é bem curtinha, tem só 450 metros e não demora nem meia hora para ser percorrida. Durante a nossa visita, vimos famílias inteiras fazendo esse passeio, inclusive com crianças pequenas e idosos.
Até onde eu sei, não é permitido nadar e pescar, apesar de parecer uma ideia tentadora em dias mais quentes.
7.2 Trilha da Capela
A Trilha da Capela tem 1,4 km e também é leve, outra boa opção para quem está passeando em família e não quer encarar a subida ao Pico.
O caminho passa pela Capela de São José e atravessa uma área que já foi ocupada por plantações de chá e eucaliptos. Hoje, a vegetação está em processo de regeneração, permitindo observar diferentes tipos de plantas e de solos ao longo do percurso.
7.3 Trilha do Forno
Em cerca de 1 hora de caminhada pela Mata Atlântica, você pode fazer a Trilha do Forno, que leva até as ruínas de um antigo forno de pedra, que funcionou no século XIX e possivelmente fazia parte da antiga Olaria Roque Pinto.
Há estudos que atribuem à olaria a produção de telhas e tijolos usados nas construções de Vila Rica, antigo nome de Ouro Preto. Ou seja, parte do material usado para construir as casas e igrejas históricas que você vê hoje em Ouro Preto pode ter saído daqui, muito antes de a área se transformar em parque estadual.
7.4 Mirante do Custódio
Para chegar ao Mirante do Custódio, é necessário fazer uma trilha de 6 km no total, com nível moderado de dificuldade, passando por trechos de Mata Atlântica e campos rupestres.
Lá de cima, nós conseguimos ver a represa do Custódio, usada para abastecimento de energia elétrica na região e muita vegetação nativa. Vale o esforço!
7.5 Morro do Cachorro
Aumentando o nível de dificuldade, temos a Trilha do Morro do Cachorro, com 2 km no total, contando a partir do Centro de Visitantes. Como o caminho é feito por uma estrada de terra, dá para fazer o percurso de bicicleta, mas não de carro.
O acesso ao mirante é o mesmo que leva ao Pico do Itacolomi, mas em certo ponto haverá uma bifurcação sinalizada para o visitante escolher o caminho que deseja seguir.
Do Morro do Cachorro, em dias de boa visibilidade, você consegue avistar Ouro Preto, Mariana, a Serra do Caraça, o Pico do Itacolomi, o Pico de Itabirito e o distrito de Lavras Novas.
7.6 Pico do Itacolomi
A Trilha do Pico do Itacolomi é o principal desafio do parque e o nosso foco neste guia. O percurso completo tem cerca de 12 km, ida e volta, e nós levamos pouco mais de cinco horas, contando o tempo de subida, permanência e descida.
A caminhada passa por trechos de mata, áreas mais abertas e terrenos irregulares até chegar aos 1.772 metros de altitude do pico. É uma trilha de dificuldade média a alta, por conta das subidas íngremes e trechos de pedras.
| Trilha | Distância | Tempo | Dificuldade |
|---|---|---|---|
| Pico do Itacolomi | 12 km ida e volta | ~4h | Média/alta |
| Mirante do Custódio | 6 km | ~3h | Baixa/média |
| Morro do Cachorro | 2 km | ~1h30 | Média |
| Trilha do Forno | 1,2 km | ~1h | Fácil |
| Trilha da Capela | 1,4 km | ~1h | Fácil |
| Trilha da Lagoa | 450 m | ~20 min | Fácil |
⚠️ USE O CELULAR!
Um detalhe importante para quem visita o parque pela primeira vez é que a portaria não fica junto ao Centro de Visitantes.
O sinal de internet funciona durante a maior parte do percurso, então vale a pena salvar o telefone do parque para pedir auxílio à portaria caso algum imprevisto aconteça: (11) 97695-6484.
Para não correr o risco de ficar sem bateria, recomendo que você leve um powerbank na mochila.
Como foi a trilha do Pico do Itacolomi?
O fato de a trilha do Pico do Itacolomi ter 12 km de extensão e vários trechos de subidas íngremes deixa muita gente apreensiva. Mas não é preciso ser um atleta para fazer esse passeio. Basta chegar cedo e seguir o ritmo que o corpo aguenta.
Estamos acostumados com longas caminhadas e há sim trechos rochosos que exigem a atenção de quem caminha, mas em boa parte do percurso a trilha não exige esforços além da conta.
A 1.700 metros de altura, além da pedra que caracteriza o Pico do Itacolomi e servia de referência para os bandeirantes na Era do Ouro, foi possível avistar toda a cidade de Ouro Preto, Mariana, a represa de Lavras Novas e até mesmo parte da Serra do Caraça, já que o dia estava limpo e ensolarado. Dá para ficar horas observando a vista sem cansar e curtindo momentos de pura paz.
Não há pontos para coleta de água no caminho e os locais com boas sombras são escassos. Então não deixe de levar garrafinhas de água com um bom estoque para hidratação e use as rochas suspensas para se abrigar e descansar enquanto lancha e repõe as energias.





A Lagoa da Capela e os outros atrativos do parque
Retornamos ao ponto de partida para conhecermos outros atrativos do parque. Logo no fim da trilha, fomos bem recebidos pela Lagoa da Capela, de águas escuras, mas límpidas, que ajudou a refrescar o calor. Muitas famílias passam o dia no parque apenas no local.
Mais adiante, cerca de 100 metros, conhecemos a Casa Bandeirista, imóvel histórico do século XVIII considerado o primeiro prédio público do estado. Internamente, painéis contam a história do local e muitas paredes e parte do piso ainda preservam a arquitetura original.
Mais dois minutos de caminhada levam à Capela São José, com representação da via sacra produzida por artesãs com materiais colhidos na natureza, e ao Museu do Chá, antiga fazenda de fabricação de chá que ainda preserva maquinários e objetos que contam a história do cultivo e produção do insumo.
Em um dia, foi possível fazer a trilha do Pico do Itacolomi e conhecer a parte histórica sem correria. Foi o ideal, mais que isso teria ficado cansativo.
Se você quiser fazer outras trilhas, eu recomendo que acampe no parque ou se hospede em uma das cidades vizinhas e volte no dia seguinte. É que depois de tanto esforço físico e informações históricas, a cabeça e o corpo já não conseguem aproveitar mais nada.


Dicas práticas para fazer a trilha do Pico do Itacolomi
Se você pretende fazer a Trilha do Pico do Itacolomi, alguns cuidados simples fazem bastante diferença. A caminhada é longa e exige preparo, por isso vale sair cedo, levar água suficiente, usar calçado adequado e estar preparado para mudanças de clima e trechos de terreno irregular.
- Confira as condições de visitação antes de sair: a realização das trilhas e atividades ao ar livre pode mudar em função do clima e da necessidade de manutenção de algum espaço.
- Evite começar a trilha do Pico muito tarde: o ideal é começar assim que o parque abre, às 8h, principalmente se o seu ritmo for mais lento. Se você tiver preparo físico, pode começar até às 11h, para estar de volta no horário de fechamento, que é às 17h.
- Use calçado adequado para trilha: nada de fazer trilha com chinelo ou tênis com solado liso. O terreno é irregular e a caminhada é longa, então é importante usar uma bota de trekking apropriada.
- Leve bastante água: não há nascentes e fontes pelo caminho, então é melhor encher a garrafinha nos bebedouros do Centro de Visitantes.
- Retoque o protetor solar: não há muitas áreas de sombra durante o percurso e só notamos o estrago que o sol fez quando terminamos a trilha.
Informações úteis sobre o Parque Estadual do Itacolomi
O Parque Estadual do Itacolomi funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, mas o credenciamento dos visitantes é feito apenas até as 16h.
O valor do ingresso comum para adultos é de R$ 28,75. Crianças e idosos pagam meia-entrada, assim como os moradores de Mariana e Ouro Preto. Em datas especiais, os ingressos podem ter valores promocionais, basta consultar o site da bilheteria do parque e fazer a compra com antecedência.
O estacionamento no Parque do Itacolomi custa R$ 20 para carros e motos e R$ 60 para vans e ônibus. O tíquete pode ser adquirido através do site, no momento da compra dos ingressos.
Onde se hospedar perto do Parque do Itacolomi?
Existe uma área de camping dentro do Parque do Itacolomi, próximo ao início da trilha do Pico do Itacolomi. Além da área para barracas, a estrutura conta com vestiários, banheiros e chuveiros, churrasqueira, quadras esportivas e parquinho para crianças.
Os preços variam de acordo com o tamanho do espaço:
- Espaço para barraca 3×3: R$ 75 por noite.
- Espaço para barraca 5×5: R$ 120 por noite.
Outra opção seria se hospedar em um hotel em Ouro Preto, Mariana ou Lavras Novas, e seguir para o parque de carro ou ônibus coletivo.
IMPORTANTE! Os ingressos e vaga no estacionamento são vendidos separadamente e não estão incluídos no valor da diária.
Gosto muito do artigo do seu site. Estarei acompanhando sempre.Grata!!!
ESTIVE NO PARQUE ESTE MES JUNHO/2019 LUGAR OTIMO PARA PASSAR O DIA COM A FAMILIA PASSEIO TRANQUILO
PLANEJANDO ACAMPAMENTO NO PARQUE RECOMENDO MUITA NATUREZA NO LOCAL
Vira e mexe vasculho a web a procura de informações diversas sobre lugares (alguns que já conheço) , muitos são os sites, porém “O Viajei Bonito” sempre me surpreende com sua narrativa e maneira de ver certas coisas. Conheço bem a região de Ouro Preto (onde estive inumeras vezes) que sempre volto. Agora voltando a lugares já visitados, começo a ir a locais que passaram por algum motivo e o Pico do Itacolomi, será um deles (Setembro). Com certeza haverá mais passeios em Ouro Preto. E essas dicas do Viajei Bonito já me preparam para o que vou encontrar por lá.
Abração ao meu amigo Adriano Castro e toda a Equipe do “VIAJEI BONITO”.
Fala, Paulo! Obrigado pelo comentário, meu amigo! Muito bom saber que nosso trabalho está sendo útil para suas viagens! Um grande abraço!
Gostei muito do artigo do seu site. Estarei acompanhando sempre.Grata!!!