Ônibus turísticos Hop-on Hop-off: quando vale a pena usá-los?

Eu sempre fui do tipo de viajante que organiza tudo de forma independente com o propósito de reduzir os custos ao mínimo que eu conseguir. Isso inclui trocar hotéis por albergues, dormir no aeroporto quando o voo sai de madrugada, preparar os meus próprios lanches para não ser extorquida em lugares com poucas opções de compras, entre tantas outras coisas que não prejudicam o andamento da viagem, ao contrário, me permitem conhecer mais lugares gastando menos.

Seguindo esse raciocínio de economizar sempre que for possível, pagar para andar em ônibus turísticos enquanto é possível fazer tudo a pé ou com o transporte público, me parecia uma burrice extrema.

Até que eu paguei a língua.

Saindo da Ilha de Páscoa com destino ao Rio de Janeiro, tive uma conexão de poucas horas em Santiago, no Chile. Visto que já tinha ficado um tempo por lá na ida e conheci lugares fora do circuito turístico, fiquei sem graça de pedir para que a minha colega chilena me guiasse de novo, dessa vez pelos pontos mais conhecidos da cidade.

Então, me vi em uma situação complicada: não tinha tempo para ficar procurando os lugares que queria conhecer e estava sem graça de ligar para a minha conhecida. A solução estava lá no aeroporto, quase me pegando pelo braço, pedindo só uma chance.

Engoli tudo o que eu já tinha dito a respeito de bus tour Hop-on Hop-off e encarei a primeira experiência a bordo de um ônibus turístico. Experiência esta que pode ser vantajosa para alguns e uma amolação para outros.

Para início de conversa, vamos entender a logística do negócio.

Como funcionam os ônibus turísticos Hop-on Hop-off

Hop-On Hop-Off na cidade de Graz, Áustria

Hop-On Hop-Off na cidade de Graz, Áustria. Créditos: holding graz / Fonte: Flickr

Hop-on hop-off é o nome dado aos ônibus turísticos nos quais é permitido subir e descer quantas vezes quiser, parando em pontos localizados às principais atrações turísticas de uma cidade, sem que seja necessário pagar por trecho deslocado ou por cada embarque.

Horários, preços e pontos de vendas dos bilhetes variam de acordo com cada cidade. De forma geral, os passes dos ônibus turísticos são vendidos em aeroportos, terminais rodoviários, em algumas estações de trem e centros de informações turísticas por preços a partir de US$17. Os bilhetes são válidos por 24, 36 ou 48 horas, também dependendo de cada empresa e da cidade onde o tour será feito.

Os ônibus turísticos têm rotas e pontos de parada pré-estabelecidos, indicados no mapinha que você ganhará até mesmo antes de comprar o seu bilhete. Enquanto o veículo circula, são passadas informações nas caixas de som ou no fone que você receberá ao embarcar. Nem sempre há áudio guides em português, mas inglês e espanhol sempre têm. Escolha o que for melhor pra você, sente-se e aproveite.

Ao chegar a um ponto de parada, você tem a opção de permanecer a bordo ou sair para conhecer partes da cidade a pé, levando o tempo que quiser. O bilhete permite que você suba e desça quantas vezes tiver vontade. Outros ônibus passarão a cada 20 minutos e você resolve quando voltar. Se preferir ir andando até um outro ponto, não há problema. As paradas estão indicadas no mapa e geralmente são bem sinalizados nas ruas.

Hop-On Hop-Off na cidade de Graz, Áustria

Hop-On Hop-Off na cidade de Graz, Áustria. Créditos: holding graz / Fonte: Flickr

Agora você já entendeu como funcionam os ônibus turísticos, mas, caso continue em dúvida se vale a pena ou não investir nesse tipo de passeio, leia atentamente os pontos positivos e negativos que listei baseados nas minhas próprias vivências e observações.

Vantagens Desvantagens
Oferece uma visão privilegiada de cima para baixo. Ficam lotados de pessoas que disputam espaço para tirar a melhor foto.
Bom para quem tem pouco tempo na cidade e precisa ir direto ao ponto, sem se perder. Dependendo do ponto turístico, os ônibus podem chegar lotados. Sendo assim, nem sempre será possível achar um assento no deck, quiçá na beirada.
O viajante pode embarcar quantas vezes quiser por um período pré-determinado sem ter de pagar diversos tickets. São muito caros se comparados ao transporte público.
Recomendável em cidades em que os pontos turísticos são distantes uns dos outros e o transporte público é caótico. Passando só pelos pontos turísticos você poderá a chance de descobrir por si mesmo outros lugares maravilhosos, menos tumultuados e até mesmo mais baratos.
A pessoa decide onde e se irá descer, podendo ficar à bordo durante todo o percurso e voltar só onde lhe interessar. Nem sempre há pontos de descida e subida em lugares de interesse, então certas coisas você só verá pelo vidro do ônibus.
Perfeito para quem viaja com crianças, pois não é necessário andar na multidão. O passeio só é legal se você estiver no deck superior. Do contrário, não verá nada e será um tédio.
Ideal para idosos e pessoas com dificuldades de locomoção, que podem conhecer boa parte da cidade sentados. Se estiver chovendo e o deck estiver fechado, você não conseguirá ver nada através dos vidros e plásticos embaçados. E ainda se molhará um pouco.
O audio guide passa informações interessantes sobre cada lugar de forma explicativa e detalhada. Alguns audio guides têm baixa qualidade sonora. Soma-se a isso o fato de as pessoas conversarem entre si, dificultando a compreensão do que está sendo falado.
É possível obter alguns descontos em atrações parceiras da empresa turística. Vale verificar no momento da compra. Você verá a cidade, mas não vai conhecê-la em sua essência. Andar pelas ruas e se aventurar pelo transporte público são boas oportunidades para observar o comportamento das pessoas e, quem sabe, conversar com alguma delas.

Naquele dia em Santiago, o ônibus turístico me permitiu conhecer muitos lugares em pouco tempo, mas não é o tipo de transporte que eu costumo adotar com frequência. Se você estiver em uma situação parecida com a minha e quiser experimentá-lo, veja quais empresas atendem na cidade onde você estará e aproveite para consultar preços e horários.

E você, acha que vale a pena pagar por ônibus turísticos? Gostaria de acrescentar algum ponto, seja ele positivo ou negativo? Adoramos conhecer outros pontos de vista.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

3 pensou em “Ônibus turísticos Hop-on Hop-off: quando vale a pena usá-los?

  1. Eu adoro esses ônibus! Confesso que nem sempre tenho paciência para o áudio . Em algumas cidades eles são super caros (Paris, Londres, por ex.) mas em outras são baratos (Porto, Lisboa, Istambul..) ! E com carrinho de bebê, não tem coisa melhor, são cômodos. E quando chove, pelo menos os que eu peguei, eram bem confortáveis na parte de baixo, aquecidos e com vidro limpo (ou quase limpo). Mas é para reconhecimento da área ou para quem está sem tempo. Mari

    1. Para reconhecimento de área realmente não tem nada melhor. Foi assim que eu fiz quando usei. Esperei o ônibus dar a volta e depois parei no que achava que valeria a pena, pois o tempo era curto. Só me fez com vontade de voltar pra ver tudo com calma. Até guardei o mapinha. Hahaha…
      Obrigada pelo comentário, Mari.

  2. Eu também tenho horror ao esquema “excursão” e amo caminhar (horas e quilômetros) por locais desconhecidos, mas penso que esses ônibus podem ser uma mão na roda, basicamente por dois motivos:

    1) em cidades grandes com atrações muito dispersas, permitem uma visão geral dos principais locais, em pouco tempo. Depois pode-se eleger o que mais interessa e visitar com calma. Essa seleção, em viagens, é inevitável, a não ser que a pessoa tenha 2 meses para conhecer uma única cidade (e se for uma Paris da vida, desconfio que nem 2 meses…), então ter mais um critério para fazê-la (ver por fora e tal) é sempre bom;

    2) em cidades com transporte coletivo falho ou com problemas de segurança (que não se limitam a assaltos, há cidades um tanto hostis a estrangeiros, ainda mais se não dominam a língua local), esses ônibus quase sempre facilitam o acesso a atrações mais isoladas, mais distantes do Centro da cidade (área mais amigável a turistas). O transporte coletivo (para áreas menos turísticas) pode requerer um grau de interação com os cidadãos locais nem sempre simples e seguro.

    Mas isso, claro, vai depender do roteiro oferecido. Há roteiros vergonhosos (rsrsrsr) que ficam dando voltas no Centro, algo que se poderia fazer a pé normalmente, com muito mais qualidade. Eu sempre checo o roteiro antes, para ver se ele de fato se estende para locais de acesso mais complicado e percorre atrações menos famosas e distantes.

    Há também a questão da qualidade dos veículos.

    Na Europa, onde o clima frio predomina, a maioria dos ônibus é bem confortável, incluindo o piso superior, coberto e climatizado. Lembro de usar um em Viena, num dia frio e chuvoso de outono, e foi ótimo, visitando o Danúbio (um tanto fora de mão) no seco (estava farto de ver o Danúbio em Budapeste, mas a valsa é de Viena, ora!).

    Mas em Buenos Aires quis facilitar a vida da minha filha (menos andarilha que eu) e tomamos um ônibus desse tipo. Era dezembro. Não havia uma nuvem no céu, fazia um sol e um calor absurdos e o primeiro piso (“térreo”), com ar-condicionado e sombra, estava lotado (de brasileiros, claro). Sobrava para nós o piso superior. Seria perfeito (até pela vista), não houvesse a completa ausência de cobertura (penso que era possível instalar uma retrátil, mas aquele veículo não tinha). Torramos ao sol (literalmente) no trânsito portenho e acabamos descendo muito antes do que pretendíamos, sem retorno. Dinheiro jogado fora.

    Ah, uma dica. Ao menos na Europa, procure ouvir a versão em castelhano do audio-guide. A versão em português costuma ser muito mais fraca, com menos informações, não sei por quê. Sou luso-brasileiro, domino bem o sotaque do português europeu, não tenho dificuldade em entender o áudio dos ônibus (nem sempre há neles versão em português do Brasil), mas o conteúdo da versão lusa era, por algum motivo, fraco.

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