Quem tem medo de cemitério? Eu não! E pela quantidade de posts que já publiquei aqui no blog mostrando lápides e jazigos, você já deve ter notado que além de não me apavorar, esse é o tipo de lugar que me traz mais paz. Não tem tumulto de turistas, é silencioso e tem obras de artes dignas de grandes museus. Por isso, estando em Buenos Aires, eu não poderia deixar de visitar o Cemitério da Recoleta, morada eterna de personagens importantes da história da Argentina.

Inaugurada em 1822 como a primeira necrópole pública de Buenos Aires, o Cemitério da Recoleta foi construído no antigo jardim da Congregação Franciscana, vizinha da Basílica de Nuestra Señora del Pilar. Aos poucos o bairro transformou-se em um dos recantos mais caros e nobres da capital argentina. Por si só o local já chama atenção por seu traçado, elaborado pelo engenheiro francês Próspero Catelin, e por seu pórtico, no estilo neoclássico e cheio de símbolos que remetem à morte. Porém é no interior do cemitério que se escondem (ou se apresentam!) as maiores joias do Recoleta.

“Expectamus Dominum”, ou “Esperamos pelo Senhor”, é o que diz o letreiro na parte interna do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires

“Expectamus Dominum”, ou “Esperamos pelo Senhor”, é o que diz o letreiro na parte interna do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. Créditos: Gisele Rocha

Estão enterrados no Cemitério da Recoleta membros das famílias nobres e aristocráticas de Buenos Aires, personagens importantes da história da Argentina, artistas, poetas, políticos, militares e presidentes. Seus mausoléus e abóbadas relembram uma Argentina rica e próspera do século XIX. Aliás, muitas das sepulturas possuem adornamentos e esculturas em mármore. Cerca de 90 cúpulas são, hoje, Patrimônio Histórico do país. Atualmente poucos sepultamentos são realizados no local, muito pela falta de espaço. Assim, o Recoleta, permanece mais como um museu do que como um cemitério.

Apesar de todas essas características, uma em especial atraí a maioria dos turistas ao Cemitério da Recoleta: o túmulo de Eva Péron. Como contamos na publicação sobre o Cemitério Monumental de Milão, Evita foi clandestinamente enterrada na necrópole italiana em 1952. Seus restos mortais só retornaram à Argentina na década de 1970 e, desde então, encontram-se no Recoleta.

Entre as personalidades sepultados no local estão os ex-presidentes argentinos Nicolás Avellaneda, Miguel Juárez Celman, Bartolomé Mitre, Carlos Pellegrini e Domingo Faustino Sarmiento; o escritor Adolfo Bioy Casares; o chefe do Estado-Maior argentino durante a Guerra do Paraguai, Juan André Gelly y Obes; o bioquímico e ganhador do Prêmio Nobel de Química, Luis Federico Leloir; e o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Carlos Saavedra Lamas.

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Para ler em seguida

Como chegar ao Cemitério da Recoleta

O Cemitério da Recoleta fica localizado na rua Junín, 1760 e há várias formas de chegar até ele, inclusive de ônibus. Várias linhas passam pelo local como as 17, 61, 62, 67, 92, 93, 10, 37, 38, 41, 59, 60, 95, 101, 102, 108, 118, 124, 130. Se você já está no bairro a passeio, tome como referência a Praça San Martín e a Rua Florida. É só caminhar 10 quarteirões pela Avenida del Libertador.

O Cemitério da Recoleta abre todos os dias da semana das 8h às 18h e a entrada é gratuita. No site oficial do governo de Buenos Aires é possível acessar informações e roteiros de como chegar ao local.

Veja mais 8 fotos do Cemitério da Recoleta e de seus jazigos monumentais.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

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Créditos da imagem de capa: Gisele Rocha. Imagem utilizada nas redes sociais: Carlos Adampol / Fonte: Flickr.

20 comentários em “Cemitério da Recoleta, um rico acervo artístico e histórico de Buenos Aires”

  1. Confesso que a primeira vez que fui a esse cemitério e achei bem aterrorizante, pelo fato de estar algumas tumbas em reforma, elas estavam praticamente abertas e com os caixões amostra, vendo essas fotos em preto e branco me deu a mesma sensação, mas é um passeio que sempre recomendo!

    1. Flavia, uma amiga que foi comigo saiu correndo de lá, apavorada, porque encostou em um túmulo. Saí de lá às gargalhadas, tentando me conter porque sei que muita gente estava ali para visitar entes queridos e ídolos.
      Tenho mais medo de alguém me esbarrando no ônibus no que do cemitério. Não tá fácil lidar com os vivos não.

  2. Eu também sou do tipo que adora visitar cemitérios! haha Não tenho medo e acho lindo demais, fora a paz que tu mesma comentou!
    Amei as fotos, ficaram bem mais interessantes em p&b, principalmente a da mulher segurando um bebê com a teia de aranha!

    Um beijo! ❥

    1. Foi difícil escolher apenas 8 fotos. Tantas estátuas lindas naquele cemitério. Muitas obras de arte!
      Aquela do querubim me causa arrepios. Parece um menino de verdade!

  3. Cemitérios: macabros e lindos! Também sinto uma paz nesses lugares e procuro visitar quando estou viajando 🙂 Adorei suas fotos e toda a história contada sobre esse lugar que ~ainda~ não conheço 😉 Beijo grande!

    1. Atualmente, acontecem mais coisas macabras no centro da cidade do que nos cemitérios. Hahaha
      Que bom que gostou das fotos, Polly. Abraço pra vc!

  4. Você foi muito feliz na escolha do tema, Gisele! E de quebra deu uma super dica de viagem, ehehe. Visitar o cemitério da Recoleta está sempre na lista de coisas para fazer em BA, mas eu não fui, não. Pra falar a verdade, não curto muito este tipo de turismo e nem é por medo. Agora, que o passeio rende belas fotos, ah, isso não dá pra negar. Parabéns!

    1. Obrigada, Marcia. Buenos Aires é uma cidade linda, né? Fiquei em dúvida sobre qual lugar escolher para este post, mas achei que os monumentos do cemitério se encaixariam melhor. Que bom que gostou das fotos. Beijos!

  5. Visitei o cemitério 2 vezes, com 10 anos de diferença. Em ambas, um marco importante na viagem à Argentina. Faz-nos pensar na grandiosidade do país e dos seus mais ilustres… belo post.

  6. Eu particularmente não gosto de cemitérios, mesmo os históricos assim.
    Quando fui à Buenos Aires ia com meus amigos. Chegamos na porta e caiu o mundooooo, muitaaaa chuva, então não entramos, todos sem guarda chuvas haha.
    Confesso que não achei ruim kkkk

    Mas adorei seu texto. As fotos estão lindas.

  7. Um dos mais clássicos cemitérios do mundo. Adorei a ideia das fotos em P&B. Também não tenho medo de cemitérios e sempre que estou em uma cidade que o local é famoso, vou lá visitar. Já fiz até um post sobre cemitérios do mundo. =)

  8. Estou em Buenos Aires e visitei o Cemitério Recoleta hoje e realmente é um passeio muito interessante. Adorei ler esse relato logo após a minha ida lá. Bjs

  9. O cemiteri0 da Recoleta é um enorme museu! Coisa linda demais pra ver! Sorte de quem deixa o medo de lado e entra pra passear nos corredores para uma aula enorme de historia e arte!

  10. Já fui a BsAs algumas vezes e nunca fui no cemitério. Não é por medo hahaha mas é pela morbidez. Eu evito um bucado essas situações, mas sem medo! hahahahah As fotos estao lindas! Parabéns!

  11. Recoleta e sem duvida um dos cemiterios mais peculiares que ja visitei. E muito interessante observar como os cemiterios sao diferentes de um lugar para o outro

  12. A Recoleta é um bairro muito bacana em Buenos Aires e sem dúvida o cemitério um dos pontos altos.
    Tem verdadeiras obras de arte ali e achei interessantíssimo a visita que fiz ao cemitério.
    Ótimo post!

  13. Eu também adorei visitar o cemitério da Recoleta, por mais que nunca seja muito fã de ver cemitérios… mas esse vale a pena demais! ótimo post!!!!

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