O que há de tão especial na Cervejaria Bohemia?

Fim de semana prolongado pede uma viagem rápida. Aproveitando a folga dos nossos amigos Guilherme e Dessiré para cair na estrada com eles (os dois já escreveram um post muito bacana sobre a Praia do Sono aqui no Viajei Bonito). Com exceção da Gisele, todos nós somos grandes apreciadores de uma cerveja gelada, então não tivemos dúvidas: nosso destino seria Petrópolis, mais precisamente a Cervejaria Bohemia.

Era tarde de sábado, antevéspera de feriado e vimos que o local estava lotado quando passamos lá pela primeira vez. Deixamos o carro no hotel e seguimos a pé para a nossa Bohemia Experience. Já sabíamos que o passeio nos daria direito à degustação, então escolhemos nos hospedar em um lugar próximo à fábrica, que fica bem no Centro e assim fomos a pé para lá.

Quando voltamos para a visita, por volta das 17h, não havia fila na bilheteria, tampouco para fazer o cadastro nos computadores ao lado. Lembrando que ninguém é obrigado a fazê-lo, mas é através do preenchimento dos dados e da leitura da pulseira é que você receberá o material das cabines interativas.

Sincronizar a pulseira é necessário para receber os materiais das cabines interativas

Sincronizar a pulseira é necessário para receber os materiais das cabines interativas. Créditos: Gisele Rocha

São mais de 20 ambientes interativos distribuídos em aproximadamente 7 mil m², que contam a história da Cervejaria Bohemia, a mais antiga do Brasil, fundada em 1853 pelo alemão Henrique Kremer. A fábrica foi fechada em 1997 e a produção passou a ser feita em Jacarepaguá. Após 15 anos, a unidade foi reativada. Com a reabertura, veio também este espaço para os curiosos e apreciadores do “ouro líquido”, para que todos pudessem aprender sobre a história da cerveja e os métodos de fabricação.

A História da cerveja

O passeio começa por um corredor estreito que conta a história do processo de fabricação e disseminação da cerveja desde tempos remotos, começando em 9000 a.C, com os primeiros campos de agricultura de cereal na Ásia. São vários painéis e monitores touch screen apresentando informações de maneira bem didática.

O corredor inicial da Cervejaria Bohemia conta a história da cerveja desde 9000 a.C. até os dias atuais

O corredor inicial da Cervejaria Bohemia conta a história da cerveja desde 9000 a.C. até os dias atuais. Créditos: Gisele Rocha

Há ainda um painel com o Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis da Humanidade. Nele, a morte era a pena para quem não seguisse as regras de produção da cerveja e para aqueles que tentavam enganar os seus clientes. Ainda segundo este código, todos mereciam sua dose diária de cerveja: 2 litros para os trabalhadores, 3 para os funcionários públicos e 5 para os administradores e o sumo sacerdote.

Se alguém lhe disser que beber é pecado, responda que até os Santos contribuíram para o aprimoramento e difusão desse líquido sagrado.

Adriano ficou muito feliz que alguém com o nome igual ao dele foi um Santo Cervejeiro. Painel da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis.

Adriano ficou muito feliz que alguém com o nome igual ao dele foi um Santo Cervejeiro. Painel da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Gisele Rocha

No espaço dedicado à Idade Média, podemos entender a difusão da cerveja na Europa, quando ela era feita por monges. Depois disso, é possível que o visitante crie seu próprio brasão. Nós tentamos montar um para o Viajei Bonito, mas o nome do blog tem mais caracteres que o permitido.

Montando um brasão para o Viajei Bonito, na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

Montando um brasão para o Viajei Bonito, na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Dessirré Nogueira

No fim deste corredor, vimos que a cerveja demorou a ser comercializada no Brasil, uma vez que os portugueses temiam a concorrência com os vinhos produzidos e vendidos por eles. Foi só em 1808, com a chegada da Família Real, que a cerveja foi trazida ao país, já que o Rei não conseguia ficar sem ela. Com a abertura dos portos às nações amigas, as cervejas inglesas passaram a circular em território brasileiro e ganharam cada vez mais novos apreciadores.

A história da cerveja no Brasil mostrada em um painel na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

A história da cerveja no Brasil mostrada em um painel na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Gisele Rocha

Saindo do corredor inicial, passamos pela Praça Koblenz, que leva este nome em homenagem à praça que deu origem à cidade de Petrópolis. Lá estão três mosaicos com a temática da fábrica e outros murais explicativos, abordando mais a fundo a história do município, como precursor na fabricação de cerveja no Brasil.

Praça Koblenz, no interior da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

Praça Koblenz, no interior da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Gisele Rocha

Logo pensamos que o tour já tivesse acabado, até que um funcionário nos informou que o melhor ainda estava por vir. Subimos pelo elevador e entramos em uma sala montada como uma espécie de escritório.

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Os primeiros passos da Cervejaria Bohemia

Ao sair do elevador, chegamos à Sala do Mestre Cervejeiro, que preserva mobílias, equipamentos, objetos, garrafas, anotações, textos e fotografias do guardião da alquimia cervejeira da Bohemia.

Ali assistimos a um filme bem curtinho que conta a história da marca, sobretudo sobre seu fundador, Henrique Kremer. Uma curiosidade sobre os rótulos de Bohemia é que até hoje eles apresentam o desenho de Caroline Kremer, mulher que teve grande importância na continuação dos negócios da marca e que foi casada com o neto do fundador.

Ainda hoje os rótulos das cervejas Bohemia mostram a imagem de Caroline Kremer, mulher muito importante na história da cervejaria nacional

Ainda hoje os rótulos das cervejas Bohemia mostram a imagem de Caroline Kremer, mulher muito importante na história da cervejaria nacional. Créditos: Adriano Castro

Os ingredientes utilizados

Descemos um lance de escadas e entramos na seção que apresenta os ingredientes utilizados nas cervejas da Bohemia. O primeiro deles foi a água. Havia, inclusive, um jogo para encaixar os canos enquanto a água corria. Ficamos uns bons minutos nos divertindo ali. O vencedor foi o Adriano, que conquistou o 11º lugar num ranking geral que lista, inclusive, os participantes anteriores.

Depois da brincadeira, chegou a hora de provar os três principais ingredientes utilizados na Cervejaria Bohemia: malte de cevada, malte de trigo e aveia. O gosto do malte de cevada nos surpreendeu. Agradou a todos e ainda ajudou a dar uma segurada na fome.

Enfim, a fábrica

Após aprendermos sobre os grãos utilizados na fabricação das cervejas, tivemos de esperar durante alguns minutos em uma sala até a formação do grupo para a última etapa da visita, que era guiada.

Grupo formado, descemos para a antiga Fábrica da Bohemia acompanhados de uma guia que nos explicou para que servia cada equipamento e falou mais uma vez sobre as etapas de produção. Neste espaço, era formado o mosto cervejeiro, mistura da água, malte e lúpulo. Trata-se de um líquido quente, longe de ser o que nós conhecemos como cerveja.

Hora da degustação

Mudamos de ambiente para conhecer a parte final da fabricação de cerveja. Neste, são explicados através de vídeos e das palavras da guia as quatros etapas finais: resfriamento, fermentação, maturação e filtração. Assim, o mosto cervejeiro se transforma na deliciosa Cerveja Bohemia que conhecemos, servida ali estupidamente gelada, direto da fonte.

Bohemia da Fonte, na cervejaria e antiga fábrica da marca, em Petrópolis

Bohemia da Fonte, na cervejaria e antiga fábrica da marca, em Petrópolis. Créditos: Gisele Rocha

Degustação da cerveja Bohemia direto da fonte, na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

Degustação da cerveja Bohemia direto da fonte, na Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Viajei Bonito

Para concluir o passeio, nos serviram a cerveja Bela Rosa, uma Witbier com sabor de pimenta-rosa que foi sucesso entre nós. Ela é levinha e refrescante, com um toque cítrico criado pela laranja e o limão. A dica é combiná-la com comidas igualmente leves, como salada, peixe, frango e queijos suaves (como o brie e o camembert). Delícia!

E mais jogos para testar os conhecimentos adquiridos em 2 horas e 10 minutos de visitação na Cervejaria Bohemia.

Não vá à Cervejaria Bohemia se você estiver esperando por:

1 Ver de perto a produção das cervejas

Todo o processo é minuciosamente descrito pelos guias que conduzem a parte final da visita, mas você não verá de perto a fabricação delas. Até porque, correria o risco de alguém mexer em algum equipamento ou até mesmo desrespeitar alguma das normas de higiene.

No corredor de saída, você poderá ver a fábrica atual através dos vidros e caso sua visita seja durante a semana, terá chances de vê-la em funcionamento.

Nova Fábrica da Bohemia que está em operação desde 2012, com tonéis de inox

Nova Fábrica da Bohemia que está em operação desde 2012, com tonéis de inox. Créditos: Gisele Rocha

2 Encher a cara

Sentimos muito em lhe informar, mas se você estiver esperando sair da Cervejaria Bohemia trocando as pernas, isso não acontecerá. A não ser que você beba por sua conta no restaurante da área externa.

Não foi por excesso de Bohemia que eles tombaram. Na Cervejaria Bohemia de Petrópolis a degustação é regulada para que ninguém extrapole os limites

Não foi por excesso de Bohemia que eles tombaram. Na Cervejaria Bohemia de Petrópolis a degustação é regulada para que ninguém extrapole os limites. Créditos: Dessirré Nogueira

O propósito da degustação é, como o nome sugere, apenas provar alguns exemplares das cervejas da marca. Durante a nossa visita, pudemos experimentar a Pilsen e a Bela Rosa. Pensem na tragédia que seria se o passeio virasse uma chopada open bar, ainda mais com crianças por perto. Se você gostou do que tomou ou quiser experimentar outros tipos, poderá comprar no Empório localizado no pátio, perto do portão de saída.

Pátio da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

Pátio da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis. Créditos: Gisele Rocha

Ficaram com a boca seca? Então anote as coordenadas:

Cervejaria Bohemia

Endereço: Rua Alfredo Pachá, 166 – Centro, Petrópolis – RJ

Preços*: R$27 inteira e R$13,50 meia entrada para estudantes e para moradores de Petrópolis.

Horários de funcionamento: Terça a quinta, das 13h às 16h30. Sexta, das 10h às 18h30. Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30. Às segundas ela permanece fechada.
*valores praticados em novembro/2015

Crianças também podem participar da visitação, desde que acompanhadas pelos responsáveis. Aproveite e leve a família inteira, depois nos conte como foi.

Se você gostou de ler sobre uma cerveja tradicional brasileira, que tal ler sobre outras bebidas ao redor do mundo?

Créditos da imagem de capa: Catarina Oberlander

De malas prontas para Rio de Janeiro e Petrópolis?

Em Rio de Janeiro, nossa sugestão de hospedagem é o Copacabana Hostel. Já em Petrópolis, recomendamos o Princesa Isabel Pousada e Hotel – Dom Pedro.

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Do Brasil, o voo mais barato para Rio de Janeiro sai de Curitiba no dia 30/03/17 e custa R$67,34 (clique aqui para ver todas as datas disponíveis). Confira também outras opções de voo para Rio de Janeiro.

Sobre Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.