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O que fazer em La Paz, Bolívia: pontos turísticos, passeios e dicas

Dos 89 dias que passei explorando a Bolívia, reservei uma semana para descobrir o que fazer em La Paz. Acabei ficando duas. O motivo? Uma mistura de fascínio pela cultura andina e uma intoxicação alimentar avassaladora que me lembrou que o corpo tem seus próprios planos.

Mesmo passando por outros destinos bem acima do nível do mar, como Uyuni, Sucre e Potosi, os 3.650 metros de altitude de La Paz exigem respeito. Aliás, essa é a capital administrativa mais alta do mundo!

Mas não deixe que o soroche ou o medo da comida de rua te impeçam. Minha missão com este guia é que você se prepare melhor do que eu.

Neste post, vou te mostrar a cidade de cabo a rabo, indo muito além dos principais pontos turísticos de La Paz. Prepare-se para descobrir lugares pouco conhecidos, ruas fotogênicas do centro histórico, sugestões de onde se hospedar com segurança, mercados de rua, restaurantes que exaltam a gastronomia boliviana e os melhores passeios para desbravar a natureza exuberante nos arredores da Cordilheira dos Andes.

Prontos?

O que fazer em La Paz, Bolívia
O que fazer em La Paz, Bolívia. Créditos: Gisele Rocha

Como chegar a La Paz

Planejar como chegar a La Paz exige inteligência, principalmente por causa do impacto da altitude no seu corpo logo no primeiro dia. Dependendo de onde você vem na Bolívia ou nos países vizinhos, as opções variam drasticamente em conforto e preço.

Eu recomendo que La Paz não seja o seu ponto de chegada na Bolívia. Vale mais a pena entrar por Santa Cruz de La Sierra, ou de alguma cidade peruana, como Cusco e Puno, para que o corpo se acostume aos poucos com o ar rarefeito.

De qualquer maneira, vou explicar todas as possibilidades e assim você decide qual delas funciona melhor para o seu roteiro.

Avião

Esta é a forma mais rápida, mas também a mais agressiva para o seu organismo. O Aeroporto Internacional de El Alto fica a cerca de 4.061 metros de altitude.

Não existem voos diretos do Brasil, então o caminho é fazer conexão em Santa Cruz de La Sierra.

Agora, se você já estiver viajando pela Bolívia, a situação fica bem mais simples. Além de Santa Cruz, há voos diretos saindo de Tarija, Uyuni, Sucre e Cochabamba, todos operados pela Boliviana de Aviación (BoA).

Trem

Apesar de muita gente pesquisar por isso, La Paz não possui conexão ferroviária ativa para passageiros. A antiga estação ferroviária da cidade está desativada há décadas e hoje funciona apenas como patrimônio histórico.

Se você quiser incluir o trem no roteiro, terá que ir até Oruro e, de lá, seguir de ônibus (cerca de 3h30) até La Paz. É uma viagem nostálgica e com paisagens incríveis pelo Altiplano, mas pouco prática para quem tem pressa.

Ônibus

Os ônibus são o meio de transporte mais comum e mais barato para de deslocar dentro da Bolívia. E o Terminal de Buses de La Paz foi projetado por ninguém menos que Gustave Eiffel! Sabia disso?

Rotas Populares: é fácil chegar vindo de Cochabamba (7h), Potosí (9h) ou Uyuni (10h-12h). Para quem vem do Peru, a rota via Puno ou Copacabana (Lago Titicaca) é maravilhosa.

⚠️ MUITA ATENÇÃO!

No site Tickets Bolivia você consegue comprar antecipado, mas como as empresas de ônibus do país não são informatizadas, você vai encontrar mais opções de preços e horários se for direto aos guichês nas rodoviárias. Prefira as categorias bus cama para viagens noturnas, são baratas e muito confortáveis.

Mesmo que você estiver viajando com pouca grana, jamais embarque em empresas não credenciadas, porque os planos de seguro viagem não cobrem acidentes causados por transportes clandestinos (e nem caronas).

Sem contar que esses veículos não recebem manutenção e nem passam pelo controle de segurança que as empresas licenciadas passam. É uma economia que não vale a pena!

Carro

Viajar de carro pelo Altiplano boliviano oferece uma liberdade cênica inigualável, mas exige um planejamento rigoroso.

Cruzar a fronteira com o seu próprio veículo (placa brasileira) pode atrair uma fiscalização mais rigorosa nas estradas e, em termos de custos, é importante saber que o combustível para estrangeiros tem um preço diferenciado (mais elevado que o valor subsidiado para os locais).

Se você faz questão de dirigir, é melhor alugar um carro local, mas só recomendo para condutores experientes. Embora as rodovias principais sejam modernas e duplicadas, muitos acessos a vilarejos ou pontos turísticos envolvem estradas de terra estreitas e sinuosas na borda da cordilheira.

Seja bem criterioso na escolha da locadora e do veículo. Eu sempre recomendo a Rentcars, que é a maior comparadora de locação de veículos da América Latina. O grande diferencial para nós é o atendimento em português, a cobertura completa e a possibilidade de parcelar em até 12 vezes, garantindo que você tenha suporte caso surja qualquer imprevisto nas estradas.

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Onde ficar em La Paz

Os melhores bairros para se hospedar em La Paz são: Centro Histórico, Sopocachi e Zona Sur. A escolha depende do seu perfil de viagem, orçamento e prioridade (turismo cultural, vida noturna ou luxo).

Para viajantes que estão em La Paz pela primeira vez, ficar no Centro facilita o acesso aos pontos turísticos, comércio e transportes. Aqui vão algumas sugestões rápidas de hotéis e hostels. Para descrições mais detalhadas, leia o guia de hospedagem em La Paz.

O que fazer em La Paz

La Paz é um dos destinos mais surpreendentes do mundo. Enclausurada em um cânion profundo, a cidade mistura a arquitetura colonial de suas praças com a modernidade de suas linhas de teleférico. Se você busca o que fazer em La Paz, prepare-se para encontrar desde mercados de bruxaria até ruas boêmias cheias de lendas. Confira abaixo os pontos turísticos que fazem desta cidade um lugar onde o passado e o futuro convivem intensamente.

Praça de São Francisco

Se existe um lugar que resume a mistureba que é La Paz, esse lugar é a Praça de São Francisco. De um lado, arquitetura primorosa, do outro, o trânsito caótico causado pelo encontro das principais avenidas da cidade.

Nosso roteiro começa aqui justamente porque este é o grande ponto de encontro dos paceños. A Praça São Francisco é um local de manifestações políticas, mas também serve de palco para apresentações de artistas de rua.

Não importa o dia da semana, as pessoas se sentam nos degraus da praça e ficam vendo as apresentações. Eu vi algumas tão bem feitas, que pareciam programas de televisão, com apresentações, quadros, gente dançando e o público batendo palmas. Foi legal ver o pessoal dançando Envolver, como brasileira, fico feliz quando nossos artistas rompem fronteiras.

Praça de São Francisco, em La Paz
Praça de São Francisco, em La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Igreja e Convento de São Francisco

Construída originalmente no século XVI, a Igreja de São Francisco é uma obra-prima do estilo barroco-mestiço. Repare bem na fachada: você verá esculturas de símbolos católicos misturados a elementos da natureza andina, como papagaios e abacaxis, ilustrando perfeitamente o reflexo da fusão cultural entre espanhóis e indígenas.

Não fique apenas do lado de fora! O museu dentro do convento é fascinante, e ainda tem a vista do telhado. Mas vou me aprofundar isso na seção dedicada ao museu deste guia.

Praça Murillo

Diferente da vibração popular da Praça de São Francisco, na Praça Murillo o clima é mais solene, já que aqui é onde estão os principais prédios do poder boliviano, cercados por arquitetura neoclássica, segurança reforçada e uma rotina bem coreografada.

A praça leva o nome de Pedro Domingo Murillo, um dos principais líderes da luta pela independência da Bolívia. Foi nesse entorno que muitos dos momentos decisivos da história do país aconteceram.

Hoje, a Praça Murillo abriga o Palácio Quemado, que e á antiga sede do governo, o Palácio Legislativo e a Catedral Metropolitana de La Paz. Além de muito espaço para as crianças correrem, banquinhos ocupados por casais apaixonados e milhares de pombas a voar.

Plaza Murillo com o Palácio Legislativo e Palácio Quemado ao fundo
Plaza Murillo com o Palácio Legislativo e Palácio Quemado ao fundo. Créditos: Gisele Rocha

Palácio Quemado

O Palácio Quemado ganhou esse apelido depois de ter sido incendiado durante uma revolta em 1875. Hoje, o presidente despacha na moderníssima “Casa Grande del Pueblo” (o prédio alto e moderno que você verá se destacando atrás do palácio antigo), mas o Quemado continua sendo um símbolo histórico potente.

Diariamente, acontece a troca da guarda presidencial na frente do Palácio Quemado. Os Colorados de Bolivia, como são chamados devido aos seus uniformes vermelhos, marcham pela Praça Murillo junto com a banda militar, algo interessante de se assistir.

Palacio Quemado, em La Paz
Palacio Quemado, Palácio de Governo de La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Colorados na troca da guarda do Palácio Quemado, em La Paz
Troca da guarda do Palácio Quemado, La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Horário da troca de guarda: não consegui nenhuma informação oficial sobre os horários, mas há relatos de que ela acontece de hora em hora. Eu assisti às 12h e às 18h.

Palácio Legislativo

Quando você estiver lá, olhe atentamente para o relógio no topo do palácio. Você vai notar algo estranho, que os números e os ponteiros giram para a esquerda (sentido anti-horário).

Instalado em 2014, o “Relógio do Sul” foi uma decisão política para reforçar a identidade dos povos do hemisfério sul e o conceito de “descolonização”, já que para o governo boliviano, o relógio convencional (que gira para a direita) é uma imposição do hemisfério norte.

No hemisfério sul, o relógio de sol, que é um relógio natural, gira no sentido anti-horário. Seguindo esse raciocínio, a peça foi colocada ali para lembrar que o Sul tem sua própria trajetória, seu próprio tempo e sua própria forma de ver o mundo

O relógio do Palácio do Congresso de La Paz gira no sentido anti-horário
O relógio do Palácio do Congresso de La Paz gira no sentido anti-horário. Créditos: Gisele Rocha

Edit: em novembro de 2025, tiraram o “Relógio do Sul” e colocaram um convencional. Mas vou manter aqui as fotos e a explicação como registro.

Catedral Metropolitana de La Paz

A Catedral Metropolitana, em especial, chama atenção pelo tamanho e pela posição estratégica, dominando um dos lados da praça e reforçando a antiga ligação entre Igreja e Estado.

Não deixe de entrar nela. A obra se estendeu por quase 100 anos e, ao longo desse tempo, acabou criando uma mistura de estilos arquitetônicos bem interessante. Ao contrário da Igreja de São Francisco, mais adornada e com um clima interno mais “quente”, a Catedral apresenta um ar austero, frio e suntuoso, típico do neoclássico com alguns toques barrocos.

O interior é imponente, com tetos altos e vitrais que filtram a luz forte do Altiplano. É um bom lugar para fazer uma pausa silenciosa, longe do vaivém de pessoas. Ainda que você não seja católico, vai gostar de conhecer o templo por dentro.

Catedral Metropolitana de La Paz, na Praça Murillo
Catedral Metropolitana de La Paz, na Praça Murillo. Créditos: Gisele Rocha
Interior da Catedral de La Paz, Bolívia
Interior da Catedral de La Paz, Bolívia. Créditos: Gisele Rocha

Anexo à catedral, existe um pequeno museu que abriga relíquias religiosas e objetos coloniais preciosos. Vale uma visita rápida.

Horário de visitação: todos os dias, das 8h às 20h.
Preço: entrada gratuita

Teatro Municipal Alberto Saavedra Pérez

A caminho do próximo destino, passei pelo Teatro Municipal Alberto Saavedra Pérez e a beleza da fachada me chamou atenção. Não sabia do que se tratava, até procurar me informar de que esse é o teatro mais antigo da América do Sul em funcionamento contínuo. Ele foi inaugurado em 1845.

Mesmo que você não assista a uma ópera ou concerto, vale a pena passar em frente para admirar a arquitetura. Não é um dos principais pontos turísticos de La Paz, mas é lindo. E frequentemente há apresentações de danças folclóricas bolivianas (como a Morenada ou Caporales) em versões teatrais, o que é uma experiência cultural riquíssima.

Teatro Municipal Alberto Saavedra Pérez, La Paz
Teatro Municipal Alberto Saavedra Pérez, La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Rua Jaén

A Calle Jaén é uma das ruas mais fotogênicas de La Paz, com sua arquitetura histórica, casinhas coloridas, varandas de madeira, calçamento de pedrinhas e… fantasmas.

Duas figuras importantes da história da Bolívia moraram ali: Apolinar Jaén e Pedro Domingo Murillo, considerados heróis da independência da Bolívia

Hoje, quase todos os imóveis abrigam museus e galerias de arte, o que transforma a rua em um pequeno corredor cultural a céu aberto. Vamos falar deles na seção de museus deste guia.

Agora vem a parte que mais desperta curiosidade. A Calle Jaén é considerada por muitos moradores como a rua mais assombrada de La Paz. As lendas fazem parte do imaginário local e são levadas a sério por muita gente. Tanto que colocaram uma cruz verde neon no início da rua, para espantar os espíritos malignos.

Calle Jáen, La Paz
Calle Jáen, La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Calle Jáen é a rua mais fotogênica de La Paz
Calle Jáen é a rua mais fotogênica de La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Cholita passeando pela Rua Jáen, em La Paz
Cholita passeando pela Rua Jáen, em La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Mirante Killi Killi

No topo da Colina de Santa Bárbara, não muito distante do Centro da cidade, está o Mirante Killi Killi, de onde é possível ter uma das melhores vistas do Monte Illimani, a montanha de picos nevados que se eleva atrás de um mundaréu de casas. Ele é o principal cartão-postal de La Paz.

O diferencial do Killi Killi é o seu terraço com panorama de 360°, permitindo observar toda a bacia onde a cidade foi construída. É fascinante notar o contraste visual da transição entre o casario do centro histórico e os modernos arranha-céus que desenham o novo horizonte.

Se você está planejando o que fazer em La Paz, reserve o fim da tarde para este passeio. Ver o pôr do sol lá de cima é um espetáculo à parte, especialmente durante o crepúsculo, quando as luzes da cidade começam a se acender lá embaixo como se fossem um tapete de estrelas.

Mirador Killi Killi, La Paz
Vista do Monte Illimani a partir do Mirante Killi Killi, La Paz
Vista do Monte Illimani a partir do Mirante Killi Killi, La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Vista 360 do Mirante Killi Killi, em La Paz
Vista 360 do Mirante Killi Killi, em La Paz. Créditos: Gisele Rocha

FFCC de La Paz

Apesar de geralmente não entrar na lista de pontos turísticos de La Paz, a antiga estação ferroviária central merece uma visita rápida, se você tiver tempo sobrando. Ou se precisar usar as linhas vermelhas e laranjadas, cujas entradas ficam atrás da estação.

Pois bem, este edifício belíssimo foi inaugurado em 1930, e o que pouca gente sabe é que sua estrutura metálica tem a assinatura de Gustave Eiffel, que com esse sobrenome de peso, dispensa maiores apresentações.

Antiga estação de trem de La Paz projetada por Gustave Eiffel
Antiga estação de trem de La Paz projetada por Gustave Eiffel. Créditos: Gisele Rocha
Parte da coleção de trens da antiga estação de La Paz
Parte da coleção de trens da antiga estação de La Paz. Créditos: Gisele Rocha

O estilo neoclássico da fachada, combinado com o imponente teto de ferro e vidro, transporta a gente diretamente para a longínqua era em que os trens eram sinônimo de progresso.

A decadência veio em meados da década de 90, com as privatizações. Como as empresas visavam lucro e a margem era pequena, tiraram os trens de passageiros de circulação e o transporte passou a ser feito apenas por carros e ônibus.

Hoje em dia o edifício se divide entre alas administrativas e espaços culturais. No pátio externo, ainda é possível ver algumas locomotivas e vagões antigos estacionados nos trilhos originais.

DICA: Recomendo visitar a estação e já emendar o passeio na Linha Vermelha do Teleférico, que passa por cima do Cemitério Geral e oferece uma vista espetacular da cidade subindo em direção a El Alto.

Cemitério Geral de La Paz

Pode parecer estranho colocar um lugar desses na lista de coisas para fazer em La Paz, mas não estamos falando de um cemitério comum.

O Cemitério Geral de La Paz é, sem dúvida, um dos lugares mais fascinantes da cidade. Esqueça aquela imagem de cemitérios sombrios e silenciosos. Aqui, a “cidade dos mortos” é vibrante, colorida e cheia de vida, refletindo a relação profunda que os bolivianos têm com a ancestralidade.

Ao sobrevoá-lo com a linha vermelha do teleférico, podemos observar o quão extenso ele é. São blocos e mais blocos que se estendem até onde a vista alcança, criando uma verdadeira metrópole do Além dentro da cidade.

Mural no Cemitério de La Paz
Graffiti no Cemitério de La Paz
Cemitério é um dos pontos turísticos de La Paz
Cemitério Geral de La Paz
Cemitério Geral de La Paz. Créditos: geigerwe / Fonte: Flickr
Cholita no Cemitério de La Paz
Cholita no Cemitério de La Paz. Créditos: geigerwe / Fonte: Flickr

Se você gosta de grafitti, precisa conhecer o projeto “Pachamurales”. As paredes laterais dos grandes blocos de túmulos são cobertas por murais gigantes, que retratam desde cenas do cotidiano andino e símbolos da Pachamama até interpretações artísticas sobre a vida e a morte.

Sim, o maior corredor de arte urbana da Bolívia fica em um cemitério!

Outro fato interessante é que diferente do Brasil, a maioria dos corpos fica em nichos de parede. As famílias decoram o espaço atrás do vidro com fotos, flores de plástico e as coisas favoritas do falecido: garrafas de Coca-Cola, cerveja, maços de cigarro, miniaturas de comida, brinquedos e coisas do tipo. Você visitaria?

Museus em La Paz

Visitando os museus em La Paz, temos a oportunidade de conhecer a fundo a identidade andina, cobrindo temas que passam por arte sacra, metais preciosos, revolução, indumentárias e até a tão controversa folha de coca.

Eu visitei todos eles e agora trago um resumo para que você possa decidir quais quer incluir no seu roteiro.

Museu de São Francisco

O museu abrigado no Convento da Basílica de São Francisco é fascinante. Seu acervo é composto por uma coleção valiosa de pinturas da Escola de Cusco e de artistas locais. É muito interessante observar como os artistas indígenas da época inseriam elementos da sua própria cultura e natureza nas cenas bíblicas impostas pelos colonizadores.

Geralmente, as visitas no Museu de São Francisco são guiadas, e os guias são excelentes contadores de histórias, revelando detalhes que passariam despercebidos indo por conta própria.

Ao caminhar pelos claustros, você sente o contraste imediato com o barulho lá de fora. Os jardins e a arquitetura em arco são extremamente preservados e rendem belíssimas fotos.

Para fechar com chave de ouro, o Mirante do Telhado é, literalmente, o ponto alto da visita. O tour termina sobre o teto da igreja, onde é possível caminhar entre cúpulas e torres sineiras, observando a Praça de São Francisco e o centro da cidade sob um ângulo que poucos conhecem.

Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 17h.
Preço: 40 Bs.

Museu Nacional de Arte

Se você gosta de lugares que parecem cenários de filmes de época, o Museu Nacional de Arte (MNA) vai te conquistar.

Embora o acervo tenha me prendido por horas, eu me apaixonei mesmo foi pela arquitetura do palácio, considerada uma obra-prima do estilo barroco mestiço em La Paz.

Logo na entrada, a porta chama a atenção com suas colunas de pedra esculpidas cheias de detalhes. No topo ainda é possível ver o brasão de armas da família Arana, que fundou este espaço em 1775.

Ao atravessar o portal, você chega a um pátio interno, cercado por três andares de galerias com arcos de pedra e uma fonte central. Para completar o cenário aristocrático, a escadaria principal de mármore e pedra conduz os visitantes por um desenho largo e suntuoso, enquanto as portas originais de madeira maciça de cedro, com relevos e ferragens trabalhadas à mão, reforçam a sensação de que tudo ali atravessou os séculos praticamente intacto.

Museu Nacional de Arte de La Paz
Acervo do Museu de Arte de La Paz
Cerâmica no Museu de Arte de La Paz
MNA é um dos melhores museus em La Paz

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h30 às 16h30; sábado, das 8h30 às 16h; domingo, das 8h30 às 13h30.
Preço: 35 Bs.

Museu Nacional de Etnografia e Folclore

Se o Museu Nacional de Arte é o lugar da estética colonial, o Museu Nacional de Etnografia e Folclore (MUSEF) é o lugar da alma e da identidade viva da Bolívia.

Instalado na antiga casa dos Marqueses de Villa Verde, o museu é considerado por muitos viajantes o melhor museu de La Paz, porque diferente de outros que parecem “parados no tempo”, o MUSEF organiza suas exposições de uma forma muito moderna e sensorial. Ele não foca apenas em objetos, mas nas pessoas e nas histórias por trás de cada peça.

A Sala das Máscaras é a mais icônica. Sã centenas de máscaras usadas nas danças folclóricas bolivianas expostas de uma forma que parece que estão flutuando, contando a história das festas populares e do sincretismo religioso.

Tem também a Sala dos Têxteis, mostrando que os padrões e cores dos tecidos andinos são, na verdade, uma forma de escrita e linguagem que identifica cada comunidade.

Por fim, tem a Sala de Cerâmicas e Penas, com coleções incríveis de arte plumária e cerâmicas que datam de milhares de anos, desde as culturas pré-colombianas até os dias de hoje. Esse é um dos pontos turísticos de La Paz que todo mundo deveria visitar!

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h30 às 16h30; sábado, das 8h30 às 16h; domingo, das 8h30 às 13h30.
Preço: 35 Bs.

Museu de Costumes Juan de Vargas

Você lembra que eu disse que existem quatro museus na Calle Jáen? O Museu de Costumes Juan de Vargas é o primeiro deles.

O objetivo aqui é mostrar como era a vida em La Paz nos séculos passados, usando manequins e bonecos para recriar cenas históricas, festas tradicionais e costumes das épocas colonial e republicana.

A primeira sala não é muito atrativa, tem apenas um piano e vestidos antigos, mas ao subir para o segundo andar e chegar ao segundo pavilhão, os olhos começam a brilhar com maquetes minuciosas de alguns pontos turísticos e edifícios emblemáticos da Bolívia. O nível de detalhamento dessas miniaturas é impressionante!

Logo depois vem a Sala dos Ekekos. Para os povos andinos, o Ekeko é o Deus da fortuna e da prosperidade, responsável por atrair alegria e afastar adversidades. Curiosamente, ele também é considerado o protetor das uniões sexuais e dos casamentos

Por fim, a exposição que mais me cativou foi a das cholas paceñas. O museu faz um excelente trabalho ao esclarecer a origem do termo e explicar o significado simbólico de cada peça do vestuário dessas figuras icônicas.

Um dos exemplares da Sala dos Ekkekos no Museu de Costumes, em La Paz
Museo Costumbrista é um dos melhores museus em La Paz para aprender sobre a cultura da Bolívia
Exposição sobre os vestuários e costumes das cholas paceñas, no Museo Costumbrista de La Paz

Então, o Museu de Costumes é um dos melhores lugares para visitar em La Paz para entender a identidade boliviana além do óbvio. Não desanime na primeira sala!

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h à 12h30 e das 14h30 às 19h; sábado, das 9h às 17h.
Preço: 20 Bs (pacote de 4 museus)

Museu do Litoral Boliviano

Aí você me pergunta: “Como assim Museu do Litoral Boliviano se a Bolívia nem tem mar?”. Pois é, o que pode parecer engraçado, na verdade é uma ferida aberta no orgulho dos bolivianos.

O museu é dedicado à Guerra do Pacífico, que fez a Bolívia perder seu acesso ao Oceano Pacífico, abocanhado pelo Chile junto com o Deserto do Atacama. É aula de história e geopolítica em poucos metros quadrados.

Uniformes originais, armamentos pesados, estandartes e objetos pessoais dos soldados que lutaram nas batalhas de Calama e Alto da Aliança fazem parte do acervo.

A parte que mais chamou a minha atenção foi a de mapas antigos. Ver o território antes da perda do litoral dá pena, já que o impacto econômico foi devastador. Não é à toa que o desejo de recuperar o acesso ao mar é um tema recorrente em discursos políticos, livros escolares e até em feriados nacionais (como o Dia del Mar).

Uniforme dos soldados bolivianos na Guerra do Pacífico
Museu do Litoral explica como a Bolívia perdeu o acesso ao mar
Placa do Museu do Litoral na Calle Jáen
Mapas antigos no Museu do Litoral da Bolívia

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h à 12h30 e das 14h30 às 18h; sábado, das 9h às 13h.
Preço: incluso no ingresso de 20 Bs.

Museu de Metais Preciosos

O Museu de Metais Preciosos de La Paz concentra uma das coleções mais impressionantes de arte pré-colombiana em metais da América do Sul, reunindo peças que contam uma história profunda sobre tecnologia, simbolismo e poder econômico nas culturas antigas dos Andes, como os Tiwanaku, Incas, povos aimarás e outras culturas pré-hispânicas andinas.

Através de ornamentos, joias cerimoniais, amuletos, objetos para rituais, máscaras e adornos corporais, a gente observa como esses povos dominavam técnicas avançadas de fundição, chapa e design muito antes da chegada dos colonizadores e da tecnologia.

Museu de Metais Preciosos, Calle Jáen, La Paz
Adornos de ouro do período pré hispânico na Bolívia
Adornos masculinos dos povos pré-colombianos no Museu de Metais Preciosos, La Paz
Coroa pré-colombiana no Museu de Metais Preciosos, La Paz
Museu de Metais Preciosos de La Paz

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h à 12h30 e das 14h30 às 18h; sábado, das 9h às 13h.
Preço: incluso no ingresso de 20 Bs.

Museu Casa Murillo

Para fechar com chave de ouro o circuito da Calle Jaén, temos o Museu Casa de Murillo, fundado para homenagear o herói nacional que morou ali. Visitar esse lugar é como entrar no QG da revolução.

A casa é uma construção colonial típica, com dois andares, pátios internos, escadaria de concreto e portas de madeira. Ainda conserva parte do mobiliário original, pratarias, pinturas da Escola de Cusco e documentos que narram o processo de independência.

E já que reconta a história de Pedro Domingo Murillo, não poderia deixar de mencionar sua morte trágica, enforcado na praça que hoje leva seu nome.

Museu Casa Murillo, Calle Jaen, La Paz
Museo Casa Murillo, La Paz
Casa Museu Murillo, em honra ao herói da independência da Bolívia
Busto de Pedro Domingo Murillo no museu de La Paz

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h à 12h30 e das 15h às 18h; sábado e domingo, das 9h às 13h.
Preço: incluso no ingresso de 20 Bs.

Museu de Instrumentos Musicais

Se você é fã de música ou apenas curioso, o Museu de Instrumentos Musicais deve entrar na sua lista de coisas para fazer em La Paz. Apesar de estar na Calle Jaén, ele não faz parte do pacote dos últimos quatro museus e é preciso comprar ingresso separado, mas é barato e vale a pena.

Fundado pelo mestre do charango Ernesto Cavour, o espaço não tem a formalidade de museu tradicional, pois aqui você pode tatear a coleção e tocar os instrumentos que quiser.

O acervo é impressionante, tem mais de 2.000 peças, que vão desde flautas feitas de ossos humanos, de rochas vulcânicas, violões feitos de cascos de tatu, e até instrumentos pré-colombianos.

Geralmente, há apresentações musicais aos sábados, transformando a visita em uma experiência sonora prática. É o lugar perfeito para entender como a música é o coração da identidade andina e como o povo boliviano transformou elementos da natureza em arte.

Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 9h às 13h30.
Preço: 10 Bs

Museu da Coca

O Museu da Coca é um lugar que desperta reações opostas: curiosidade ou desprezo, porque ele mexe com tudo o que nós pensamos saber sobre essa planta tão polêmica.

Embora seja um espaço pequeno, ele é bastante informativo e essencial para quem busca o que fazer em La Paz com um olhar mais crítico e cultural.

Museu da Coca em La Paz
Museu da Coca em La Paz, Bolívia. Créditos: saiko3p / Fonte: Shutterstock
Brownie e chá de coca no Museu da Coca, La Paz
Brownie e chá de coca no Museu da Coca, La Paz. Créditos: Gisele Rocha

O museu traça uma linha do tempo desde o uso espiritual pelos Incas, passando pela exploração nas minas de Potosí (onde os espanhóis usavam a coca para manter os indígenas trabalhando por horas), até a guerra contra as drogas atual.

Há uma seção inteira dedicada à Coca-Cola e ao Vinho Mariani (um vinho com coca que era o favorito do Papa no século XIX), mostrando como o mundo ocidental já foi apaixonado pela planta antes de sua proibição.

Ao final da visita, não deixe de passar no pequeno café e loja do museu. Lá, você pode experimentar derivados totalmente legalizados, como balas, cervejas e licores. Eu optei pelo clássico, chá de coca acompanhado de um brownie de chocolate que estava delicioso

Chualluma: o bairro colorido de La Paz

Se você estiver procurando lugares fotogênicos em La Paz, vá ao Chualluma, o bairro mais vibrante da cidade.

Mas reduzir mas reduzir Chualluma a “casinhas coloridas” é simplificar demais. O que aconteceu ali foi um projeto de transformação urbana com impacto social real, que mudou a imagem da comunidade e atraiu visitantes para uma área antes ignorada.

Chualluma visto do teleférico de La Paz
Chualluma visto do teleférico de La Paz. Créditos: Gisele Rocha

A iniciativa fez parte do programa estatal “Mi Barrio, Mi Hogar”, que só saiu do papel porque pode contar com o trabalho braçal de moradores e artistas locais.

Hoje em dia, o lugar é uma galeria de arte a céu aberto com mais de 14 mil metros quadrados. O contraste das casas coloridas contra o fundo montanhoso de La Paz é a coisa mais linda!

Como chegar a Chualluma: vá à antiga estação central de trem e entre na linha vermelha do teleférico, desça na estação Entre Ríos. Você pode caminhar pelo bairro, subindo as escadarias, ou pedir um carro de aplicativo para te deixar no topo e você ir descendo a pé, o que é muito mais confortável.

El Alto: luta de cholitas, mercado de rua e yatiris

El Alto fazia parte de La Paz até 1987, quando se tornou uma cidade independente e autônoma. Graças a esta divisão, El Alto começou a crescer e se expandir, e hoje é o epicentro da cultura aimará moderna e um lugar onde a tradição e a ostentação se misturam de forma única.

Você pode fazer o passeio por conta própria, pegando a linha vermelha do teleférico, mas andar sozinho por essas áreas pode não ser tão seguro, principalmente para sacar celular e câmera para fazer fotos. Por isso, preferi me juntar ao tour guiado por El Alto e recomendo que você também o faça, assim, além de ter companhia, vai aprender muito sobre este lugar.

Arquitetura Cholet

Um dos símbolos mais curiosos de El Alto são os chamados cholets, prédios extravagantes, coloridos e geométricos que misturam referências andinas com estética futurista.

O nome é uma combinação de “chalet” com “cholo”, termo ligado à identidade indígena urbana. Muitos desses edifícios foram projetados pelo arquiteto Freddy Mamani, símbolo de prosperidade e orgulho cultural aimará.

Cholet é um estilo arquitetônico criado por Freddy Mamani na Bolívia
Cholet é um estilo arquitetônico criado por Freddy Mamani na Bolívia. Créditos: Aizar Raldes
Cholets representam a estética andina com elementos futuristas
Cholets representam a estética andina com elementos futuristas. Créditos: Lori Newman / Fonte: Flickr
Cholets têm cores fluorescentes, espelhos, luzes e formas geométricas inusitadas
Cholets têm cores fluorescentes, espelhos, luzes e formas geométricas inusitadas. Créditos: Lorena Samponi / Fonte: Flickr

Mercado 16 de Julho

Todas as quintas e domingos o Mercado 16 de Julio toma conta das ruas de El Alto. Ele é considerado um dos maiores mercados de rua do mundo e dá para achar de tudo, incluindo roupas, sapatos, acessórios, artesanato, joias, ervas medicinais e toda sorte de quinquilharias.

Yatiris

Ao lado do mercado, há uma rua dedicada aos Yatiris de El Alto, os xamãs aimarás. São várias cabanas coloridas enfileiradas uma após a outra. Cada cabana tem uma fogueira na frente, onde os xamãs fazem oferendas à Pachamama a pedido das pessoas que buscam sorte, prosperidade, fertilidade e o que mais elas precisarem.

Luta de Cholitas

Para fechar o dia, nada como o icônico espetáculo de Lucha Libre de Cholitas, um grande show coreografado inspirado no wrestling.

Ver essas mulheres lutando com suas saias rodadas (polleras), tranças e chapéus coco é divertido, mas também um símbolo de resistência e empoderamento feminino na Bolívia.

Horário de funcionamento: quinta-feira, das 16h às 18h e domingo, das 17h às 19h.
Preço: 100 BS.

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Compras em La Paz

É impossível falar de turismo em La Paz sem mencionar os mercados de rua e as lojas de artesanatos. A Bolívia é o paraíso para quem deseja comprar artigos em couro, prata e têxteis com motivos andinos, além de amuletos e talismãs para atrair coisas boas.

Agora, eu vou te mostrar onde encontrar cada um desses artigos.

Mercado das Bruxas

O Mercado das Bruxas é um dos principais pontos turísticos de La Paz, mas ainda assim, consegue manter a sua autenticidade. Vale lembrar que ele não é um mercado fechado, mas sim um emaranhado de lojinhas e barracas nas ladeiras entre as ruas Sagarnaga e Linares.

É impossível não ficar chocado com as coisas que se vê por aqui, como os fetos de lhama que servem como oferendas à Pachamama, a Mãe Terra. Ao caminhar pelas lojinhas, você verá amuletos, plantas e poções para curar todos os tipos de males, de falta de dinheiro à impotência masculina.

Mas não é só isso! La Paz é o paraíso para comprar artigos de couro, prata e têxteis com motivos andinos por preços acessíveis. Ainda assim, cabe espaço para negociar, mas seja sensato.

Chola no Mercado das Bruxas, em La Paz
Chola no Mercado das Bruxas, em La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Onde comprar roupas em La Paz, Bolívia
Onde comprar roupas em La Paz, Bolívia. Créditos: Gisele Rocha
Esquina da Rua Linares com Saganarga, Mercado das Bruxas, La Paz
Esquina da Rua Linares com Saganarga, Mercado das Bruxas, La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Mesa de oferendas a Pachamama no Mercado das Bruxas, La Paz
Mesa de oferendas a Pachamama no Mercado das Bruxas, La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Amuletos à venda no Mercado das Bruxas de La Paz
Amuletos à venda no Mercado das Bruxas de La Paz. Créditos: Gisele Rocha

O que fazer em La Paz à noite

A vida noturna em La Paz é variada e bem interessante, com opções que atendem a diferentes interesses, desde bares a baladas que varam a madrugada.

A cena se divide basicamente em três polos: o agito turístico do Centro, o charme boêmio de Sopocachi e o luxo da Zona Sur. Mas, para não ter erro, selecionei neste guia apenas os lugares que eu realmente frequentei e recomendo para uma noite memorável.

Diesel Nacional

O Diesel Nacional é, visualmente, o bar mais maneiro da cidade. Ele foi decorado com peças de trens antigos, aviões, engrenagens e muito metal, em uma pegada bem industrial. Só o visual já vale a visita, mas o clima lá dentro é o que realmente prende.

É um lugar para quem prefere aproveitar a vida noturna em La Paz de uma forma mais tranquila, bebendo e batendo papo. Tem uma lareira central que é um sucesso nas noites frias da cidade e mesas grandes de madeira que facilitam o entrosamento.

A carta de drinks é excelente. É um ótimo lugar para tomar uma cerveja artesanal boliviana ou um drink mais elaborado. Além disso, eles servem pratos deliciosos, como saladas, carnes e sobremesas, que acompanham perfeitamente as bebidas.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 19h à meia-noite; sexta e sábado, das 19h às 3h.

Malegria

Se você estiver procurando balada com ritmos latinos, o Malegria é disparado o melhor lugar para ir à noite em La Paz. Salsa, cumbia, saya afro-boliviana e até funk brasileiro são os ritmos que ditam as festas.

O ambiente é totalmente informal e relaxado, bolivianos e estrangeiros se misturam naturalmente. Por isso, é um lugar que eu indico tanto para grupos de amigos quanto para quem viaja sozinho e quer conhecer gente nova. Não tem dress code obrigatório, as pessoas vão arrumadas, mas sem exagero.

Além da pista animada, o Malegria é ótimo para quem não abre mão de uma “boquinha” na madrugada, já que ali são servidas pizzas deliciosas que acompanham muito bem a carta variada de drinks.

Por falar em bebida, aproveite para experimentar o Chuflay, um drink feito com Singani com Ginger Ale, muito consumido nas baladas da Bolívia. ou provar as exclusivas infusões da casa.

Horário de funcionamento: quarta, das 19h30 às 2h; quinta e sexta, das 21h às 3h e sábado, das 20h às 3h30.

Wild Rover

É impossível falar de balada em La Paz sem mencionar as noitadas homéricas do Wild Rover, o party hostel mais disputado da Bolívia. Mesmo que você não esteja hospedado lá, pode frequentar as festas, que são abertas ao público.

A agenda é super diversificada: tem noites de karaokê, DJs, bandas ao vivo, festas temáticas e quiz nights. Por isso, não importa quantas vezes você volte, a experiência nunca é a mesma.

Ah! E não deixe de experimentar o shot de sangue de lhama! Mas calma! Não é sangue de verdade. É uma bebida vermelha e picante usada para “batizar” quem chega. Beber um desses na altitude de La Paz é o caminho mais rápido para esquecer o próprio nome.

Wild Rover é um dos melhores lugares para aproveitar a vida noturna em La Paz, Bolívia
Wild Rover é um dos melhores lugares para aproveitar a vida noturna em La Paz, Bolívia. Créditos: Divulgação

Equinoccio

Se o Wild Rover é para os mochileiros e o Malegria é para quem quer ritmos latinos, o Equinoccio é o templo do rock em La Paz. Ele também está localizado no bairro de Sopocachi, é um dos bares mais icônicos da cidade e já tem décadas de estrada.

Para quem prefere bares underground, essa é a minha sugestão. Ele é o lugar ideal para conhecer a cena do rock e do metal boliviano, com bandas locais tocando covers e músicas autorais a noite toda.

Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 22h às 4h.

Passeios de bate e volta nos arredores de La Paz

No roteiro de 4 dias em La Paz, recomendo que dois dias sejam dedicados para passeios dentro da cidade, enquanto a outra metade seja livre para passeios nos arredores, com excursões e bate e voltas.

Estrada da Morte

Esse é para quem quer adrenalina! A famosa descida de mountain bike pela Yungas Road é o passeio mais procurado da região.

A Estrada da Morte liga os Andes à selva. Você sai do frio extremo do La Cumbre (4.700m) até o calor de Coroico (1.200m). São paisagens vertiginosas, montanha, neblina e floresta tropical.

Não é um passeio fácil, mas mesmo quem não é atleta consegue fazer com agência especializada. Procure uma empresa confiável, com guia credenciado e leia as revisões online antes de reservar.

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Tiwanaku

Se você curte história e mistérios arqueológicos, vá para Tiwanaku (ou Tiahuanaco). São ruínas de uma civilização pré-inca que durou quase mil anos e era super avançada. O destaque é a famosa Porta do Sol e os rostos esculpidos nas paredes dos templos subterrâneos.

O passeio por Tiwanaku é contemplativo, não exige esforço físico. Você atravessa o Altiplano em uma van, vê lhamas pastando com a Cordilheira ao fundo e volta com uma bagagem cultural gigante. É um ótimo bate e volta a partir de La Paz.

Monólito El Fraile em Tiwanaku, Bolívia
Excursão à Tihuanaco, cidade milenar pré-inca
Tiwanaku é um passeio de bate e volta a partir de La Paz
Tiwanaku é um passeio de bate e volta a partir de La Paz. Créditos: Gisele Rocha
Sítio arqueológico de Tiwanaku (ou Tiahuanaco), Bolívia
Sítio arqueológico de Tiwanaku (ou Tiahuanaco), Bolívia. Créditos: Gisele Rocha

Chacaltaya

Chacaltaya era considerada a estação de esqui mais alta do mundo, chegando a cerca de 5.300 metros de altitude. Nos anos 1940 e 1950, o local tinha um glaciar permanente e servia como ponto para esquiadores bolivianos e visitantes que queriam experimentar a neve nos Andes sem sair da América do Sul.

Só que devido ao aquecimento global, a geleira derreteu e praticamente desapareceu. Sem neve suficiente durante a maior parte do ano, a infraestrutura de esqui perdeu sentido operacional, e a estação acabou sendo desativada oficialmente nos anos 2000.

Hoje o que resta ali é um mirante natural com vistas panorâmicas da Cordilheira Real e das montanhas vizinhas, inclusive do Illimani. Ainda assim, é um passeio que vale a pena!

🔥 DICA QUENTE! Vá bem agasalhado, pois o vento lá em cima corta a pele. E pelo amor da Pachamama, não faça esse passeio no seu primeiro dia em La Paz. O risco de passar mal com o ar rarefeito é altíssimo!

Como ir de La Paz ao Chacaltaya
Como ir de La Paz ao Chacaltaya. Créditos: Gisele Rocha

Valle de la Luna

Se você quer sentir que saiu da Terra sem precisar de um foguete, o Valle de la Luna (Vale da Lua) é o lugar. Ele fica a apenas 10 km do centro de La Paz e é a prova viva de que a natureza é a melhor arquiteta que existe.

Bate e volta ao Vale da Lua, La Paz
Bate e volta ao Vale da Lua, La Paz. Créditos: Laura Almeida
Passeio ao Valle de la Luna, La Paz
Passeio ao Valle de la Luna, La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Diferente do que muita gente pensa, o vale não é formado por rochas vulcânicas, mas sim por argila e arenito. Ao longo de milênios, as chuvas fortes e os ventos do Altiplano corroeram a montanha, criando um labirinto de crateras, agulhas gigantes e torres de argila, em tons que variam entre o bege, o ocre e o dourado.

A trilha mais curta leva cerca de 20 minutos para ser percorrida, enquanto a mais longa varia entre 45 e 1 hora, dependendo da sua passada e das pausas para fazer fotos.

É o passeio perfeito para fechar o dia, especialmente se você combiná-lo com a subida ao Chacaltaya.

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Roteiro de 4 dias em La Paz

Com tantos pontos turísticos e lugares para visitar, fica difícil escolher o que fazer em La Paz. Sabendo disso, organizei um roteiro para quatro dias na cidade, colocando uma programação mais leve nos primeiros dias para o seu corpo se adaptar à altitude, e deixando os passeios mais cansativos para o final.

Dia 1

Manhã:

  • Praça Murillo
  • Catedral Metropolitana
  • Museu de Arte Nacional ou Museu Nacional de Etnografia e Folclore
  • Troca de guarda no Palácio Quemado

Tarde:

  • Almoço no Popular Cocina Boliviana
  • Mercado das Bruxas
  • Museu da Coca
  • Mirador Killi Killi

Noite:

  • Diesel Nacional (bar e jantar)

Dia 2

Manhã:

  • Praça São Francisco
  • Igreja e Convento de São Francisco
  • Calle Jaén (5 museus pequenos)

Tarde:

  • Lanche no Etnö Café Cultural
  • Museu de Instrumentos Musicais
  • Luta de Cholitas*

Noite

  • Mi Chola (jantar) ou Wild Rover (festa)

*verificar disponibilidade por dia de semana

Dia 3

Manhã:

  • Chacaltaya

Tarde:

  • Vale da Lua
  • Almoço no Banais
  • Passeio de teleférico (recomendo a linha vermelha)

Noite:

  • La Rufina (jantar) ou Equinoccio (música ao vivo)

Dia 4

Manhã e tarde:

  • Estrada da Morte

Noite:

  • Café del Mundo (jantar) ou Malegria (festa)

Mapa turístico de La Paz

Você pode montar o seu próprio roteiro por La Paz e arredores utilizando este mapa que montei contendo todos os pontos turísticos, passeios, restaurantes e hotéis citados neste guia. Baixe para usar offline.

Como se deslocar em La Paz

Para se deslocar em La Paz, você precisa entender que a cidade é um imenso labirinto. O transporte público pode parecer complicado à primeira vista, mas funciona melhor do que parece. Deixa comigo que eu explico de um jeito simples, para você se locomover sem se perder!

Como se deslocar em La Paz
Como se deslocar em La Paz. Créditos: Gisele Rocha

Micro

Na Bolívia, esses ônibus antigos e coloridos são chamados de micro. Eles percorrem rotas fixas pela cidade, e você consegue saber por onde passam porque os nomes dos bairros e das ruas principais ficam escritos nos vidros.

Não existem pontos oficiais de parada. Se quiser subir, basta fazer sinal que o micro para. Para descer, é só avisar o motorista que ele encosta onde for possível.

Um detalhe importante é que a passagem só pode ser paga em dinheiro vivo. Facilite o troco!

Mini

Pode parecer confuso, mas o mini é menor que o micro. Pelo menos na lógica dos transportes de La Paz.

Os mini são vans que também circulam em rotas preestabelecidas, com lotação de 12 pessoas (mas frequentemente carregam mais do que isso). As rotas estão escritas no vidro da frente, mas um vocador passa gritando para onde estão indo. Basta fazer sinal e eles param.

Mais uma vez, vale reforçar que a única forma de pagamento aceita é em dinheiro em espécie.

Trufi

O trufi é um tipo de táxi coletivo com rota predeterminada, escrita em uma placa no para-brisa. O esquema é simples: você acena na rua, confirma o destino com o motorista e, se houver lugar vago, entra.

É um serviço barato e consideravelmente mais rápido que os micros e minibuses, já que para menos vezes. Porém, não é uma opção para quem está com bagagem volumosa, pois não há espaço para nada além dos próprios passageiros.

O pagamento também só é feito em dinheiro.

PumaKatari

PumaKatari são os ônibus modernos cobertos por desenhos de puma que circulam por La Paz. Diferente dos minibuses, eles têm pontos fixos de parada, horários mais regrados e são muito mais organizados e limpos. Existem rotas específicas que ligam o centro a bairros mais afastados. Baixando o app La Paz Bus, você pode comprar passagens, traçar rotas e acompanhar o deslocamento dos ônibus em tempo real (ou quase).

Teleféricos

Os teleféricos são como o “metrô” de La Paz, só que com a melhor vista do mundo. É o transporte mais rápido, limpo, seguro e eficiente. Além de ser melhor jeito de fugir dos congestionamentos do centro.

Se você ficar muitos dias na cidade, é mais vantajoso comprar o cartão magnético recarregável para não precisar pegar fila toda hora. Veja as linhas e horários no site Mi Teleférico.

Aplicativos de corrida

Uber funciona em La Paz, mas Yango e inDrive são mais usados na capital. Levando em consideração que o transporte público não funciona 24 horas por dia e que estão constantemente lotados, os carros de aplicativo são uma mão na roda para quem chega com muitas malas e também para quem gosta de sair à noite.

🔥 DICA QUENTE! Você pode usar o aplicativo Callejero La Paz para conseguir traçar rotas incluindo todos os meios de transporte que a cidade oferece (micro, minibus, trufi, ônibus e teleférico)

Seguro viagem para a Bolívia (não serve qualquer um!)

Embora o seguro viagem não seja obrigatório para entrar na Bolívia, ele é essencial. O sistema público de saúde do país é bastante precário e, importante ressaltar, não oferece atendimento gratuito para estrangeiros. Qualquer imprevisto médico pode custar caro e gerar muita dor de cabeça.

Mas para a Bolívia, não serve “qualquer seguro”. Se você pretende fazer trekking nas montanhas do Vale das Almas e Chacaltaya, ou se pretende descer a Estrada da Morte, precisa ler as letras miúdas. A maioria dos planos padrão não cobre montanhismo ou incidentes acima de 2.500 metros de altitude, e lembre-se que La Paz já começa acima dos 3.600 metros!

Para não ficar na mão, minhas recomendações são:

  • My Travel Assist: Uma excelente opção por não fixar um limite de altitude em suas coberturas.
  • Assist Card: Recomendamos a contratação da cobertura adicional para prática de esportes radicais, que oferece a proteção específica que os viajantes mais aventureiros necessitam nos Andes.

Com eles, você pode escolher o que fazer em La Paz sem se preocupar com coberturas médicas. Use o nosso cupom especial para conseguir o maior desconto possível:

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

27 pensou em “O que fazer em La Paz, Bolívia: pontos turísticos, passeios e dicas

    1. Isso só nas cercanias de La Paz, mas a Bolívia tem cidades mto interessantes, como Sucre, Potosí, Santa Cruz, e tantas outras. O Salar de Uyuni, na minha opinião, é o lugar mais maravilhoso daquele país.

  1. Gosto bastante desses posts com roteiros, acho bem praticos. Adorei suas fotos, muito impactantes. Gostei particularmente da que voce tirou do teleférico e a da Calle Jaén.

    1. Obrigada, Lid, mas essas duas que vc citou não são minhas, são do banco de imagens livres do Flickr. :)
      As minhas são a dos carros, dos bate e voltas, Museu da Coca e Plaza San Francisco. No Facebook tem um álbum de fotos minhas também.

  2. Legal ler o teu post. Me fez lembrar de La Paz. Eu fui lá em 2002 e nem me lembrava mais da cidade. Eu também tive uma péssima impressão da cidade qdo cheguei. Tem que ter muito cuidado lá. Boa as tuas dicas de segurança!

    1. Cristina, minha má impressão se desfez no momento que eu entrei em um “túnel” montado na Plaza San Francisco onde eles estavam mostrando os planos de melhoria do transporte urbano. Não me lembro com detalhes, mas incluía novas linhas do teleférico e ônibus de dois andares, para caber mais gente, diminuir o fluxo de carros e, por consequência, reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Fiquei fascinada com aquilo, agora quero voltar pra ver se já conseguiram implementar alguma coisa.

  3. Muito legal seu relato de La Paz! A cidade parece ser bem interessante! Não pude deixar de observar que existem muitas construções no tijolo. Você sabe se tem alguma relação com a tributação? Ouvi dizer que em algumas cidades do Peru, as pessoas só pagam o imposto (tipo IPTU) se a casa estiver finalizada. Por isso o pessoal deixa no reboco, pra não pagar. Você sabe se lá é igual?

    1. Tassia, ouvi algo sobre isso, mas agora não me lembro se era esse o motivo. De qualquer forma, as condições de vida em La Paz não são fáceis, então acho que muitos deixam suas casas no reboco por falta de grana mesmo.

  4. Apesar de ainda ter um pouco de insegurança, a Bolívia está cada vez mais na moda! E o mochilão pela América Latina continua a fervilhar nos meus planos… Vou voltar a este roteiro um dia, dicas muito úteis!

  5. Apesar de muitos falarem mal da Bolívia, tenho muita vontade de conhecer e adorei seu roteiro. Já salvei para me orientar para elaborar o meu quando for. =)

  6. Não tinha ideia que La Paz era tão fascinante assim! Bom saber, pois está mais perto da realidade atual (com essa crise financeira).
    Achei a arquitetura da cidade maravilhosa, obrigada pelas dicas!

  7. Ótimo Roteiro! Parabéns!
    Recomendo a todos que forem a La Paz conhecerem a creperia “La Creperie, El Atelier de Los Sentidos”. Lugar perfeito para um crepe!!

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