La Paz me assustou à primeira vista. Já estava receosa por conta da arbitrariedade dos policiais da fronteira, mas não queria deixar que esse contratempo estragasse a minha viagem. Entretanto, chegar ali no fim do dia, passar pelas ruas tumultuadas do Centro com a noite caindo, não favoreceu a minha experiência. Culpa minha. Mas uma boa noite de sono foi suficiente para me fazer esquecer dos perrengues passados e saí de casa com o coração aberto para descobrir e entender a capital administrativa da Bolívia, que superou as minhas expectativas, já tão baixas àquela altura do campeonato.

Não falta o que fazer em La Paz. São incontáveis pontos turísticos, que vão de museus, a praças, igrejas e palácios que presenciaram e hoje recontam a história dos povos andinos. Os mercados são a manifestação da cultura boliviana de uma maneira vivaz, alegre e palpável. Nos arredores da cidade é possível conhecer o que restou de um dos povoados mais antigos do mundo, bem como ir do gelo ao fogo em um só dia.

Para facilitar o entendimento do roteiro por La Paz, disponibilizo um mapa que você pode baixar no celular e consultar mesmo offline durante as suas andanças.

Para ler em seguida

1º dia – La Paz

Para o primeiro dia de roteiro por La Paz, escolhemos os arredores da Plaza Murillo. Dá para fazer tudo praticamente a pé e é o melhor roteiro para conhecer um pouco da história da capital boliviana. Por fim, ainda aproveitar o final do dia com uma vista incrível da cidade.

Plaza Murillo

Plaza Murillo, um dos cartões postais de La Paz, na Bolívia

Plaza Murillo, um dos cartões postais de La Paz, na Bolívia. Créditos: We travel the world

No centro de La Paz está a Praça Murillo. Marco zero e um dos principais pontos turísticos da cidade, a praça é uma homenagem a Pedro Domingo Murillo, precursor da Independência da Bolívia. O espaço é cercado pelos principais prédios públicos da cidade e também pontos turísticos. Por ali está a Catedral de La Paz, o prédio do governo boliviano e o congresso do país. Dá para aproveitar e fotografar a praça de vários ângulos.

Catedral de La Paz

O atual prédio da Catedral de La Paz é do século XIX, mas a igreja existe desde 1603. O altar-mor foi trazido da Itália e o todo o interior da catedral é de mármore. O prédio chama atenção de longe pelo tamanho, torres e cúpula. A catedral fica aberta para visitações de segunda a sexta, das 15h30 às 19h e sábado e domingo apenas na parte da manhã. Não é permitido tirar fotos de seu interior, então vale a pena ter atenção e seguir às regras.

Casa de Gobierno

A Casa de Gobierno, popularmente conhecida como Palácio Queimado, é a sede do governo da Bolívia. Durante o século XIV, funcionou ali o Cabildo, um tipo de administração colonial. O prédio foi demolido depois da Independência da Bolívia e o novo erguido em 1845. A Casa de Gobierno foi palco de vários momentos importantes, trágicos e históricos. Não é permitida visita ao interior do palácio, mas a fachada vale o passeio.

Teatro Municipal de La Paz

O Teatro Municipal Alberto Saavedra Pérez, também conhecido como Teatro de La Paz, é o mais antigo da América do Sul. Foi inaugurado em 1845 e ainda mantem boa parte de suas características originais.

Calle Jaén e seus museus

Calle Jaén, a rua mais colorida de La Paz, na Bolívia. Créditos: Manuel Menal / Fonte: Flickr

A Rua Jaén é, sem dúvidas, a mais charmosa de La Paz. Pequena, a calle mantém características coloniais e calçamentos de pedra. Para completar o retorno a La Paz dos séculos passados, a rua possui quatro museus que ajudam a contar um pouco da história da Bolívia: o Museo de Metales Preciosos, o Museo del Litoral, o Museo Costumbrista Juan de Vargas e a Casa Pedro Domingo Murillo. Todos os museus funcionam de terça à sexta, das 9h às 12h30 e das 14h30 às 19h, e sábado e domingo das 9h às 13h. A entradas variam entre 4 e 10 bolivianos, cerca de R$2 e R$5.

Mirador Killi Killi

La Paz é a capital administrativa mais alta do mundo e um bom lugar para vê-la de cima é o Mirador Killi Killi. Localizado no topo de uma colina, o mirante tem uma das melhores visões para La Paz, dando para avistar boa parte da cidade e suas principais construções. Saindo da Plaza Murillo ou da Calle Jaén dá para ir a pé, mas é preciso muita disposição, as ladeiras são muito cansativas e o ar rarefeito dos mais de 3 mil metros de altitude não ajudam muito. A melhor forma de chegar lá é tomar um ônibus ou ir de táxi.

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2º dia – La Paz

Para o segundo dia, os pontos turísticos de La Paz são ótimos para compras e para entrar em contato com a cultura local e as tradições andinas. Esse roteiro pega os arredores da Plaza de San Francisco e também pode ser todo feito a pé.

Plaza de San Francisco

Gisele e Laura na Plaza San Francisco, em La Paz, Bolívia

Gisele e Laura na Plaza San Francisco, em La Paz, Bolívia. Créditos: Viajei Bonito

A Praça de São Francisco é a maior de La Paz e o principal palco de manifestações políticas e protestos da capital boliviana. Ao seu redor está o Mercado de Lanza, a sede da Federação Sindical departamental de Trabalhadores da Fábrica de La Paz e a Igreja e Convento de São Francisco. Uma das melhores representações da La Paz colonial, a Igreja de São Francisco é em estilo barroco e sua fachada foi todo esculpida em pedra por índios nativos. A entrada é gratuita e a igreja abre de segunda a sábado, das 16h às 18h.

Calle Sagarnaga

Se você quer levar para casa várias lembrancinhas e peças artesanais bolivianas, o lugar certo para isso é a Calle Sagarnaga. Pertinho da Praça São Francisco, a rua é praticamente dedicada ao turismo. Por ali há casas de câmbio, e muitas, muitas, muitas lojinhas! As peças são muito baratas, então a dica é só pechinchar só quando perceber que o preço não condiz com a qualidade do item. Lembre-se que os artesãos vivem de suas vendas, então não é justo pedir descontos sabendo que o produto vale muito mais do que o preço pago por ele.

Museo de la Coca

Próximo à praça São Francisco está o Museo de la Coca. Controverso, já que a folha da coca é a matéria prima para a cocaína, o museu vem para desmistificar a planta e mostrar a relação histórica da coca com os povos andinos. Os visitantes podem por ali aprender sobre o uso da folha nos rituais indígenas, suas propriedades curativas e outras características da planta. O ingresso para o museu custa 13 bolivianos, cerca de R$6 e funciona de segunda a sábado, das 10h às 18h.

Mercado de las Brujas

Amuletos no Mercado de las Brujas, um mercado diferenciado em La Paz, Bolívia

Amuletos no Mercado de las Brujas, um mercado diferenciado em La Paz, Bolívia. Créditos: Carling Hale / Fonte: Flickr

Na rua paralela ao Museo de la Coca está o Mercado de las Brujas, outra grande oportunidade de conhecer, entender e mergulhar na cultura local. Por ali você encontra poções, amuletos, plantas medicinais e todo o tipo de artefato que carrega toda a tradição e crença do povo andino. Como sempre falamos aqui, o lugar é uma representação da fé de um povo, então nada de sair mexendo ou tirando fotos sem permissão. Respeito acima de tudo. Aproveite e leve alguns amuletos, proteção nunca é demais!

Mercado Uruguay

Se depois de passear pela Calle Saganarga ainda sobrar animação para olhar produtos artesanais, então vale a pena dar uma passada no Mercado Uruguay. Além disso, o mercado é um ótimo lugar para comer sem gastar muito. Se já estiver cansado de artesanatos, corra para o setor de comidas e aproveite!

Mi Teleferico

O passeio de teleférico é uma boa opção de passeio barato, quase de graça, em La Paz, Bolívia

O passeio de teleférico é uma boa opção de passeio barato, quase de graça, em La Paz, Bolívia. Créditos: David Almeida / Fonte: Flickr

Chegando em La Paz já dá para perceber que a cidade é cortada por teleféricos. Ao todo são 4 linhas em funcionamento e dezenas de estações que facilitam a vida de quem precisa transitar pelas regiões mais altas de La Paz. Na minha opinião, a linha mais interessante é a vermelha porque proporciona a melhor visão da cidade, além de sair da Estação Central, pertinho da parada de ônibus. Os carros do teleférico saem a cada 12 segundos e rodam das 5h às 22h. A passagem custa 3 bolivianos, um pouco mais de R$1.

3º dia – Tiahuanaco

Depois de conhecer os principais pontos turísticos da região central de La Paz, é hora de partir para os arredores da cidade e fazer um bate e volta até Tiahuanaco. Localizada a 72 km a oeste de La Paz, o local era uma cidade pré-colombiana e guarda vários achados arqueológicos do povo Tiahuanaco. Entre paredes, monólitos, portais e artefatos, esse povo foi um dos precursores dos Incas. Dizem até que se trata da cidade mais antiga do mundo, mas há controvérsias.

4º dia – Monte Chacaltaya e Valle de la Luna

No 4º e último dia em La Paz, o destino também é outro bate e volta, agora até Monte Chacaltaya e Valle de la Luna. Com mais de 5 mil metros de altura, o Monte Chacaltaya é um dos picos da Cordilheira dos Andes, localizado a 30 km de La Paz. Por ali funcionava a mais alta estação de esqui do mundo, a 5.395 metros acima do nível do mar, desativada por causa do derretimento do gelo, coisas do aquecimento global. Sabe aquela história que a chegada do homem à lua nunca aconteceu e que na verdade foi uma encenação da NASA? Pois é, o cenário teria sido o Valle de la Luna, ao sul de La Paz. Depois de passar por montes e montanhas, chegar ao vale é um contraste daqueles. A paisagem é quase desértica.

Dicas finais

Preze pela sua segurança! Os cuidados são os mesmos a serem tomados nos grandes centros brasileiros: não dar mole com o celular e manter a bolsa fechada sempre em frente ao corpo. Evite mochilas durante os passeios, mas se quiser mesmo usá-las, guarde os seus pertences de maneira estratégica (aprenda como aqui).

Use o discernimento, não compactue com a criminalidade. Andando pela cidade, trombei com várias barraquinhas vendendo aparelhos celulares, tablets e demais aparatos eletrônicos. Uma dessas barracas me chamou atenção por estar vendendo um smartphone da Samsung de última geração pelo equivalente a R$250. Das duas, uma: ou aquele produto era falsificado ou roubado. Eu chutaria a segunda opção, já que ele estava fora da caixa e sem a película protetora que vem do fabricante. Em qualquer uma das hipóteses você estaria cometendo um crime de comprasse o aparelho.

No mais, mantenha as baterias da câmera e do telefone recarregadas, pois a cidade é encantadora e cada canto merece uma fotografia de recordação. Aproveite o passeio!

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Em La Paz, o almoço simples sai por volta de R$12,04, já o fast-food sairá por mais ou menos R$24,53. Considerando o cappuccino, podemos dizer que o cafezinho da tarde custa R$10,72. Em restaurantes, a garrafa d'água de 330ml custa R$3,62, o refrigerante - considerando também o de 330ml - custa R$4,00 e o pint de cerveja R$9,03. Descubra quanto custa viajar para La Paz.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

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Créditos da imagem de capa: We travel the world / Fonte: Flickr

27 comentários em “Roteiro de 4 dias em La Paz e arredores”

    1. Isso só nas cercanias de La Paz, mas a Bolívia tem cidades mto interessantes, como Sucre, Potosí, Santa Cruz, e tantas outras. O Salar de Uyuni, na minha opinião, é o lugar mais maravilhoso daquele país.

  1. Gosto bastante desses posts com roteiros, acho bem praticos. Adorei suas fotos, muito impactantes. Gostei particularmente da que voce tirou do teleférico e a da Calle Jaén.

    1. Obrigada, Lid, mas essas duas que vc citou não são minhas, são do banco de imagens livres do Flickr. 🙂
      As minhas são a dos carros, dos bate e voltas, Museu da Coca e Plaza San Francisco. No Facebook tem um álbum de fotos minhas também.

  2. Legal ler o teu post. Me fez lembrar de La Paz. Eu fui lá em 2002 e nem me lembrava mais da cidade. Eu também tive uma péssima impressão da cidade qdo cheguei. Tem que ter muito cuidado lá. Boa as tuas dicas de segurança!

    1. Cristina, minha má impressão se desfez no momento que eu entrei em um “túnel” montado na Plaza San Francisco onde eles estavam mostrando os planos de melhoria do transporte urbano. Não me lembro com detalhes, mas incluía novas linhas do teleférico e ônibus de dois andares, para caber mais gente, diminuir o fluxo de carros e, por consequência, reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Fiquei fascinada com aquilo, agora quero voltar pra ver se já conseguiram implementar alguma coisa.

  3. Muito legal seu relato de La Paz! A cidade parece ser bem interessante! Não pude deixar de observar que existem muitas construções no tijolo. Você sabe se tem alguma relação com a tributação? Ouvi dizer que em algumas cidades do Peru, as pessoas só pagam o imposto (tipo IPTU) se a casa estiver finalizada. Por isso o pessoal deixa no reboco, pra não pagar. Você sabe se lá é igual?

    1. Tassia, ouvi algo sobre isso, mas agora não me lembro se era esse o motivo. De qualquer forma, as condições de vida em La Paz não são fáceis, então acho que muitos deixam suas casas no reboco por falta de grana mesmo.

  4. Apesar de ainda ter um pouco de insegurança, a Bolívia está cada vez mais na moda! E o mochilão pela América Latina continua a fervilhar nos meus planos… Vou voltar a este roteiro um dia, dicas muito úteis!

  5. Apesar de muitos falarem mal da Bolívia, tenho muita vontade de conhecer e adorei seu roteiro. Já salvei para me orientar para elaborar o meu quando for. =)

  6. Não tinha ideia que La Paz era tão fascinante assim! Bom saber, pois está mais perto da realidade atual (com essa crise financeira).
    Achei a arquitetura da cidade maravilhosa, obrigada pelas dicas!

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