Praias desertas no Rio de Janeiro: elas realmente existem?

O Rio de Janeiro ficou internacionalmente conhecido pela beleza das praias da Zona Sul. Copacabana, Ipanema e Leblon foram eternizadas em canções, poesias, fotos, filmes e novelas, atraindo pessoas que chegam dos quatro cantos do mundo.

No entanto, a fama também tem o seu lado negativo, que neste caso são as praias lotadas durante o verão. Por isso, quem já conhece bem a cidade tende a fugir dos lugares badalados e sair em busca de refúgios mais tranquilos, de preferência desertos. Mas será que ainda existem praias desertas no Rio de Janeiro?

Praias desertas no Rio de Janeiro: quais são, onde ficam, como chegar e onde se hospedar próximo a elas

Eu poderia relativizar e dizer que é possível encontrar praias desertas no Rio de Janeiro durante dias de semana na baixa temporada, mas eu sei que você espera – e merece – muito mais do que uma resposta tão cínica.

Quando digitamos o termo “praias desertas no Rio de Janeiro” nos sites de buscas, os resultados nos levam às praias da Joatinga, Reserva, Grumari, Prainha, Macumba e Praia do Secreto, que já deixaram de ser desertas há décadas! Tanto é que nos finais de semana é praticamente impossível encontrar um lugar para estacionar, todas as vagas são ocupadas ainda antes das 8h30 da manhã!

As praias mais isoladas são a do Perigoso, Búzios (não se trata da cidade), do Meio, Funda e do Inferno, além da praia de Abricó, a única praia nudista em perímetro urbano do Rio de Janeiro. Todas elas ficam na Zona Oeste, entre o Recreio dos Bandeirantes e a Barra de Guaratiba.

Onde se hospedar próximo às praias desertas do Rio de Janeiro?

Todas as praias mencionadas ficam a 50 km do centro do Rio, uma viagem longa e desgastante dependendo da intensidade do tráfego e do meio de transporte escolhido. Sendo assim, a melhor opção é se hospedar na Barra de Guaratibal (bem perto das praias) ou no Recreio dos Bandeirantes, que é um bairro bem servido de transporte público e não levará uma eternidade para chegar às tão sonhadas praias desertas.

Na Barra de Guaratiba

No Recreio dos Bandeirantes

Hospedagem no Rio de Janeiro

Nossa indicação de hospedagem no Rio é o Hoshtel. Você pode conferir também nossos guia completo de onde se hospedar durante o Carnaval do Rio de Janeiro.

Como chegar às praias selvagens do Rio de Janeiro?

Não é fácil chegar ao paraíso e isso ajuda a garantir a preservação dessa atmosfera selvagem. Quem estiver hospedado no Centro ou na Zona Sul precisará acordar bem cedo, antes de o sol nascer, porém todo o esforço será recompensado. Algumas possibilidades para chegar às praias desertas são:

Transporte público

Praias da Barra de Guaratiba: a maneira mais simples de chegar até essas praias isoladas do Rio de Janeiro através do transporte público é combinando Metrô + BRT + Ônibus em uma viagem que pode demorar cerca de 3 horas e meia. Pegue a linha 1 ou 4 do metrô no sentido Jardim Oceânico e desça na estação final. Vá para a plataforma do BRT, tome a linha 25 e vá até a estação BRT Transoeste – Ilha de Guaratiba. De lá, faça o último trecho de ônibus com a linha 867 ou 874A para descer na Praia do Canto, onde começa a trilha para as praias desertas do Rio de Janeiro, como explicarei mais adiante para não confundir a sua cabeça.

Praia do Abricó: a maneira mais fácil de chegar é combinando Metrô + BRT. Pegue a linha 1 ou 4 do metrô no sentido Jardim Oceânico e desça na estação final. Vá para a plataforma do BRT e pegue a linha 21A ou 25, depois salte na estação BRT Recreio Shopping. A partir daí você pode tomar um táxi ou Uber (use o nosso cupom adrianoc135ue para ter desconto), que custará aproximadamente R$15. Aconselho agendar a viagem de volta, pois o sinal de internet é inconstante na praia deserta.

Surf Bus

Quem vai para a Praia do Abricó pode pegar o Surf Bus no Largo do Machado e descer na Prainha, parada final dessa linha. A viagem dura cerca de 1h30 e os horários das saídas podem ser consultados no site da empresa.

A partir desse ponto será necessário caminhar cerca de 1,5 km ou pegar um Uber, se você conseguir sinal de internet. É só continuar pela estrada que você verá a placa indicando a entrada da praia naturista, que fica escondida atrás de enormes pedras e tem sua privacidade garantida pela densa vegetação.

Carro

Praias da Barra de Guaratiba: quem vem pela Avenida das Américas pode dobrar à esquerda na Estrada Vereador Alceu de Carvalho, seguir pela Avenida Estado da Guanabara, até chegar na Estrada do Grumari e terminar na Estrada da Barra de Guaratiba. Nos finais de semana de fluxo intenso a Avenida Estado da Guanabara fica fechada, então é necessário fazer um contorno pela Estrada Roberto Burle Marx. Vá até o fim da Praia do Canto e estacione para começar a trilha.

Praia do Abricó: fica às margens da Avenida Estado da Guanabara, entre a Prainha e a Praia de Grumari. Embora essa seja uma praia isolada, as que estão em sua volta dela são bastante movimentadas. Ciente disso, saia cedo para encontrar um lugar apropriado para estacionar o carro.

⚠️ Dica importante: estacione apenas em locais permitidos. Mesmo que haja vários carros parados em vagas irregulares, não seja mais um a fazer isso, pois frequentemente a guarda passa multando (ou até rebocando) todo mundo. Os próprios moradores locais alugam vagas em suas garagens por preços que variam entre R$20 e R$35 por horas ilimitadas.

Como chegar às praias desertas do Rio de Janeiro de ônibus
Como chegar às praias desertas do Rio de Janeiro de ônibus? Créditos: Gisele Rocha

As praias selvagens de Guaratiba

A Barra de Guaratiba é uma das portas de entrada para o Parque Estadual da Pedra Branca, uma área de preservação de aproximadamente 12.500 hectares, classificada como a maior floresta urbana do mundo. Essa reserva se revela o verdadeiro Jardim do Éden, com floresta de Mata Atlântica intocada, cachoeiras deliciosas e cinco praias selvagens de águas verdes e claras.

Para chegar até lá é preciso encarar uma trilha não muito pesada, mas que se torna extremamente cansativa nas horas de sol a pino. O percurso começa na rua Parlon Siqueira, basta seguir as pegadas amarelas pintadas em postes, paredes, pedras, árvores e placas. Veja um exemplo:

👉 Outra opção é ir de barco. Na Praia do Canto o Bigode é o barqueiro mais conhecido, ele cobra R$350 para transportar até 7 pessoas em seu barco, ou seja R$50 por pessoa. Se você estiver sozinho, ligue com antecedência e tente se encaixar em algum grupo: (21) 98218-2875 ou (21) 96443-9326.

Praia do Perigoso

Essa é a primeira das cinco praias desertas do Rio de Janeiro localizadas em Guaratiba. São consideradas selvagens por não terem sofrido nenhuma interferência humana significativa até hoje.

Eu não estaria sendo honesta se dissesse que ela é completamente deserta, mas nem se compara à movimentação das demais praias da cidade. Mesmo sendo uma área protegida, infelizmente não há nenhuma fiscalização e banhistas sujismundos já começaram a fazer fogueiras e deixar lixo na areia. Quando estiver lá, faça a sua parte, pegue o lixo deles e o seu.

A praia recebeu esse nome por causa de uma lenda local, segundo a qual um bandido foragido do extinto presídio de Ilha Grande teria se escondido aqui durante muitos anos. Haja braçada!

Praia do Perigoso, uma das praias (quase) desertas do Rio de Janeiro
Praia do Perigoso, uma das praias (quase) desertas do Rio de Janeiro. Créditos: Gustavo Girard / Fonte: Flickr

Praia dos Búzios

A Praia dos Búzios (também chamada de Praia das Conchas) é a menor entre as cinco praias do parque e praticamente não tem areia, só pedras. Se quiser entrar na água, tome cuidado para não escorregar, pois não há salva-vidas no local.

A mesma trilha leva à Pedra da Tartaruga, um belo mirante natural com 101 metros de altura, de onde se pode ver todas as praias desertas do Rio de Janeiro, além de Grumari, Recreio, Pedra do Pontal e até a famosa Pedra da Gávea, de onde saem os voos de asa-delta.

Os mais corajosos ainda podem praticar rapel durante os finais de semana. Informe-se sobre agências credenciadas que organizam essa aventura.

Praia das Conchas, em Guaratiba, Rio de Janeiro
Praia das Conchas, em Guaratiba, Rio de Janeiro. Créditos: Gustavo Girard / Fonte: Flickr

Praia do Meio

A Praia do Meio recebeu esse nome justamente por estar no meio do percurso. A trilha que leva até tem trechos em meio à vegetação fechada e é preciso descer com a ajuda de cordas, o que pode ser desafiante para quem não tem prática, mas não é tão difícil quanto parece.

É a maior entre as cinco praias, sendo mais procurada por surfistas do que por banhistas, tendo em vista o mar mais agitado.

Uma bifurcação nesse trecho leva à Pedra do Telégrafo, que nós ainda não conhecemos por falta de ânimo (não da trilha em si, mas da fila que se forma lá em cima para fazer as fotos).

Praia do Meio, uma das praias desertas do Rio de Janeiro
Praia do Meio, uma das praias desertas do Rio de Janeiro. Créditos: Gustavo Girard / Fonte: Flickr

Praia Funda

A partir desse ponto a trilha exige um pouco mais de condicionamento físico, com subidas mais íngremes e alguns desníveis. Além do acesso difícil, o mar é agitado, o que faz com que ela permaneça deserta até mesmo nos dias mais quentes de verão, sendo procurada apenas por surfistas e banhistas corajosos.

A Praia Funda tem ares primitivos e quem aceita o desafio se surpreende com um cenário deslumbrante: paredões rochosos cobertos por Mata Atlântica, areia branca e mar esverdeado. O lugar ideal para se desligar do mundo!

A Praia Funda é uma das praias desertas do Rio de Janeiro
A Praia Funda é uma das praias desertas do Rio de Janeiro. Créditos: Daniela Lopes Segadilha / Fonte: Wikimedia Commons

Praia do Inferno

Essa é a última das cinco praias selvagens do Rio de Janeiro e para chegar até lá você vai passar pela Pedra da Lua, com diversas “crateras” que rendem fotos engraçadas.

Poucos são os que chegam até aqui, mas se você já foi até a Praia Funda, não desanime. São mais 15 minutos de caminhada, no máximo! Depois você pode recarregar as baterias tomando um delicioso banho de mar. Missão cumprida!

Praia do Inferno, uma das praias desertas do Rio de Janeiro
Praia do Inferno, uma das praias desertas do Rio de Janeiro. Créditos: Monique Figueira / Fonte: Wikimedia Commons

Dicas para aproveitar as praias desertas no Rio de Janeiro

  • O circuito todo tem cerca de 7 km. Aqueles que não são adeptos das longas caminhadas podem ir de barco até a Praia do Inferno e fazer o caminho de volta até a Praia do Perigoso.
  • Não faça a trilha sozinho. Embora o percurso seja bem sinalizado, você pode se perder, torcer o pé, tomar um escorregão, ter dificuldade para subir ou descer nas cordas… uma boa companhia pode te salvar de diversos perrengues.
  • Use botas apropriadas para trilhas, não vá de chinelo.
  • Há dias em que o mar fica bastante agitado, então tome cuidado. Não há salva-vidas em nenhuma das praias desertas do Rio de Janeiro!
  • Chegue antes das 8h e, se possível, vá durante a semana. Com a popularização da Pedra do Telégrafo, o volume de pessoas que se dirigem às praias selvagens aumenta a cada temporada. Não chegam a ficar lotadas, mas perdem aquele charme de lugar inexplorado. (Inclusive, se você quiser visitar a Pedra do Telégrafo, recomendo a leitura do guia publicado pelo blog Viciada em Viajar).
  • Não há quiosques nas praias e apenas durante a alta temporada é possível encontrar um ou outro ambulante vendendo água e sanduíches naturais a preços exorbitantes. Sabendo disso, leve o que for comer e beber, mas não se esqueça de recolher o lixo depois. O recomendável é ao menos 3 litros de água.
  • Além de bebidas e alimentos, leve também protetor solar, óculos escuros, chapéu e canga ou toalha. Um remédio para curar dor de cabeça também pode ser útil se você não conseguir se hidratar adequadamente.

Praia do Abricó

Eu pensei muito antes de adicionar a Praia do Abricó à lista de praias desertas do Rio de Janeiro, tendo em vista que ela não é necessariamente uma praia deserta. Mas já que várias pessoas comentaram sobre ela no nosso Instagram, resolvi acrescentá-la aqui a título de informação.

A Praia do Abricó é uma praia nudista, a única da cidade. E como a nudez ainda é um tabu na nossa sociedade, não é todo mundo que se sente confortável nesse ambiente e por isso a praia mantém-se mais vazia. Existe uma área de praia comum, para quem prefere não se despir ou está criando coragem.

Aos finais de semana ela tende a ficar um pouco mais cheia, não tanto quanto as suas vizinhas Grumari e Prainha. É possível encontrar famílias inteiras, com crianças, jovens e idosos, todos usufruindo da natureza com respeito e harmonia.

regras a serem seguidas nas praias naturistas, uma delas é fotografar outras pessoas sem autorização prévia. Informe-se antes de visitar e seja civilizado.

Recado importante: é recomendável ir à Praia do Abricó apenas aos finais de semana e feriados, quando há um esquema de segurança para garantir o cumprimento das regras e impedir atos libidinosos.

Passeio de barco pelas ilhas tropicais do Rio de Janeiro

Aqueles que não querem se aventurar pelas trilhas e não se familiarizam com praias naturistas têm a opção de fazer um agradável passeio de barco pelas ilhas tropicais da Baía de Mangaratiba, nos arredores do Rio de Janeiro. A região concentra o maior número de golfinhos do Brasil! Prepare a câmera para fotografá-los!

Representantes da agência buscam cada passageiro em casa (ou no hotel) e leva até o cais de Itacuruçá, de onde sai o barco. São quatro paradas de aproximadamente 60 minutos para mergulho nas águas límpidas em tons de esmeraldas típicas da Costa Verde.

Preço: atualmente (janeiro/2019) o passeio custa R$168, que podem ser divididos em até 12 vezes no cartão de crédito. Esse valor inclui: transporte com saída do Rio de Janeiro, café da manhã, almoço sem bebida, passeio de barco e guia bilíngue.

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Gisele Rocha

Formada em Comunicação Social pela UFJF. Andou meio mundo tentando descobrir o que queria fazer, até descobrir que queria mesmo era andar pelo mundo.

4 pensou em “Praias desertas no Rio de Janeiro: elas realmente existem?

      1. Li , adorei suas explicações e descrições das praias; porém hj Setembro de 2020, infelizmente,como Guia de Turismo recém formada, pensando em um atrativo exclusivo para meus futuros e potenciais clientes, já garanto que, desertas elas não tem mais nada!

        1. Obrigada pelo comentário, Tayane.
          Que triste que o cenário tenha mudado em tão pouco tempo. Mas creio que pelo difícil acesso elas ainda sejam muito menos movimentadas que a outras praias da Barra e da Zona Sul, né?

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