De Bike Pela Estrada Real – Dia 1: É logo ali
“Mas você vai sozinho?!”
“Por que você vai de bicicleta?”
“Essa sua bicicleta é antiga e sem suspensão! Você não vai nela, vai?!”
“Está pagando promessa?”
E foram essas frases curiosas que me alimentaram durante o planejamento de minha viagem.
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Como tudo começou
Estava pedalando com certa frequência desde o início do ano. Gosto de pedalar. Faz bem para o corpo e para a mente. Minhas férias se aproximavam e silenciosamente ia desenvolvendo a ideia para minha primeira viagem de bike. Tinha trinta e um dias de recesso e caso chegasse a Paraty, voltaria em quinze dias no máximo. Ótimo.
Não tenho muita grana e viajar de bike não vai me custar um tostão. Estava errado. Se gasta muito com hospedagem. Consegui hotéis/pousadas/estalagens/hostels variando entre 30 a 60 reais.
Um dos maiores arrependimentos foi o de não ter levado barraca. Para evitar o peso na bicicleta e me comprometer, preferi não arriscar, mas vi que isso é possível. Vivendo e aprendendo!
Meu alforje possui apenas 35 l então as coisas foram bem limitadas.
Meu maior interesse era viajar de bicicleta e isso saiu do papel. Em nenhum momento eu quis criar um feito heróico. Não!
O medo é real, existe e estará presente todos os dias.
Se você não souber administrá-lo ficará em sua zona de conforto para o resto da vida porque não há coragem que o faça sair. E quem tem coragem, tem plena consciência do seu medo.
Conversei com meus familiares e amigos mais próximos e desenvolvi a ideia. Pronto. Agora é só esperar pelas férias.
No caminhar dos próximos textos, você caro leitor, descobrirá as respostas das perguntas lá de cima.
Dia 01: Alto Maranhão / São Brás do Suaçuí / Entre Rios de Minas / Casa Grande
Total: 79 km
Saí da minha cidade Ouro Branco as 07:30 hs com meu pai. Colocamos a bike na carroceria da pick-up e partirmos para a o Alto Maranhão, município de Congonhas em Minas Gerais. Pegaria a Estrada Real a partir desse ponto. Ao me despedir do meu pai, sento na bike, ponho os fones de ouvidos ligados e Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town do Pearl Jam começa a tocar. Como sonhava. Em paz.
O tempo estava ensolarado, porém o lugar é muito alto aonde o vento soprava frio… A estrada é tranqüila e está bem conservada. Pequenos sítios com seus agricultores estão ali, roçando o solo ou cuidando do gado.
Ao chegar ao distrito de Pequeri a Estrada Real segue sentido a uma fazenda, adentrando em sua área. (É autorizado pelos donos a seguir por esse caminho). Ao sair do terreno da fazenda, a trilha começa com uma descida muito boa em mata fechada. No final da trilha encontrei com uma cavalgada! Estavam voltando de São Brás do Suaçuí. Cidade está que seria minha primeira parada estratégica.
Para ir sentido a São Brás os totens da Estrada Real desapareceram! Não encontrei ninguém para me informar e fui seguindo pelo “instinto”. Depois de uma hora pedalando desconfiado, chego à estrada para Jeceaba. Ela está em obras e os operários me informaram o caminho para se chegar a São Brás. Foram aproximadamente 04 km de asfalto até lá.
Em São Brás os totens também desapareceram! Busquei informação nas ruas, com os moradores locais e me encaminharam para a zona rural da cidade.
Nada a ver com o sentido da Estrada Real.
Comecei a entender o que significa aqui nas nossas Minas Gerais o verdadeiro significado de “é logo ali”. Meu Deus! Como esse “logo ali” é longe! rs…
Desloquei-me por 22 km até encontrar a BR 383 e segui por mais 15 km para Entre Rios de Minas em uma estrada sem acostamento! (Nos primeiros dias eu não estava com a planilha cedida pelo Portal Estrada Real por opção.)
Utilizei a cidade de Entre Rios de Minas como apoio e fiz minha primeira refeição (que na verdade foi um pão com linguiça e coca-cola).
Conheci na lanchonete uma professora de geografia e sua filha que era estudante de geografia da UFSJ. Três Geógrafos em uma lanchonete, conversando sobre a Estrada Real! Ah, o famoso nada acontece por acaso…
Senti-me confortável e seguro em buscar informação sobre a Estrada Real até Casa Grande, a próxima cidade.
Após uma boa conversa, despeço das amizades e parto para o segundo trecho do dia.
Começo a me sentir feliz novamente, pois a estrada está bem sinalizada, o trecho é ótimo e bonito. Muito “sobe e desce”. No caminho você se depara com a Capela de Nossa Senhora da Lapa de Olhos D’água do século XVII e seu cemitério. Muito bonita!
Adiante há o vilarejo de Camapuã. Um lugar calmo, simples e organizado aonde faço a parada estratégica e me alimento.
Mais uma hora e meia de pedal chego em Casa Grande. Ao todo foram 79 km em um terreno que altera entre subidas e descidas.
Pernoitei em Casa Grande numa estalagem simples e barata. Apesar do conforto não consegui dormir direito. Acho que ainda estava no ritmo daquele dia.
Amanhã o destino será Lagoa Dourada e depois Prados, ainda em Minas Gerais. Até a próxima!
Leia todos os posts da série 'De bike pela Estrada Real'
- Dia 1: Alto Maranhão (MG) / São Brás do Suaçuí (MG) / Entre Rios de Minas / Casa Grande (MG)
- Dia 2: Casa Grande (MG) / Lagoa Dourada (MG) / Prados (MG)
- Dias 3 e 4: Prados (MG) / Tiradentes (MG) / São João Del Rei (MG) / São Sebastião da Vitória (MG) / Caquende (MG)
- Dia 5: Capela Do Saco (MG) / Carrancas (MG)
- Dias 6 e 7: Carrancas (MG) / Traituba (MG) / Cruzília (MG)
- Dia 8: Cruzília (MG) / Caxambu (MG) / São Lourenço (MG)
- Dia 9: São Lourenço (MG) / Pouso Alto (MG) / Itamonte (MG) / Itanhandu (MG) / Passa Quatro (MG)
- Dia 10: Passa Quatro (MG) / Vila do Embaú (SP) / Guaratinguetá (SP)
- Dia 11: Guaratinguetá (SP) / Cunha (SP)
- Dia 12: Cunha (SP) / Paraty (RJ)
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Rafael Barletta
Possui bacharel e licenciatura em Geografia. Leciona para os ensinos médio e fundamental de escolas públicas e particulares. Gasta todo seu salário no mundo duas rodas e em viagens. Não dispensa um feriado.
