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Dia 12 – Cunha (SP) – Paraty (RJ)

Total: 57 km

Acordo antes do despertador. Estou pensando sobre os 11 dias de viagem. Lembro-me de Paraty, lembro que falta mais um pouquinho só e que dessa vez, vou pedalar em grupo. Será uma novidade assim como foi os demais dias.

Saio do quarto para tomar o café da manhã e trabalhadores já estão lá, terminando seu lanche e partindo para suas rotinas. Fico mais feliz ainda em saber que não sou eu naquele caminho.

Encontro com os paulistas e tomamos café juntos (os dois viajantes estão “descendo” para Paraty. Vão zerar o odômetro e fazer o sentido contrário, para Ouro Preto, no dia seguinte).

Foi o dia que saí mais tarde. Próximo das 10 hs. O tempo já está quente e finalmente estamos na estrada rumo a Paraty!

Placa de Paraty na Estrada Real

Placa de Paraty na Estrada Real. Créditos: Rafael Barletta

Entramos na estrada de terra com bastantes subidas. Belas paisagens vão se formando. Vales são acompanhados por rios e cachoeiras. Mantemos um ritmo bom mesmo estando cansados e após cada subidão, paramos para respirar e apreciar a paisagem. Já sabíamos que a maioria do trajeto seria por asfalto, mas dessa vez ele não acabou com o meu humor. Desbravar a estrada de Cunha até Paraty é o que mais quero nesse momento.

Antes de chegar à divisa de estados (SP/RJ) enfrentaremos a temida subida da Serra do Mar. Mesmo sendo por asfalto, não vai ser fácil. E não foi!

Companheiros temporários de viagem na Estrada Real

Companheiros temporários de viagem na Estrada Real. Créditos: Rafael Barletta

“Mas por que a pressa?! Vamos parar naquele restaurante e fazer um almoço…” Não tinha almoço no restaurante! Então desce um salgado com coca-cola.

Do lado paulista é só subida. Em um determinado ponto aparece uma cachoeira ao lado da estrada e paramos para nos refrescar. Mais algumas horas de subida e lá está mais uma placa de divisa de estados! A mesma alegria que me tomou conta no dia que passei para São Paulo renasce. Agora estamos no Rio de Janeiro e o relevo vai ficando menos inclinado. Sinal de que estamos vencendo a Serra do Mar. Ao estudar a planilha desse dia, saberíamos que seriam aproximadamente 33 km de subida (generalizando) e quando os computadores de bordo e GPS mostraram essa quilometragem não deu outra e a descida chegou. Está nos levará direto a Paraty!

Divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, Estrada Real

Divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, Estrada Real. Créditos: Rafael Barletta

Agora é hora de apreciar o vento no corpo, a exuberante Mata Atlântica e não perder o mirante que aparecerá a qualquer momento!

Lembro-me da passagem pela serra da Mantiqueira e minha desatenção quanto ao túnel histórico e dessa vez não queria perder mais nenhum ponto. Feito isso, eu e os paulistas rumamos para baixo, mas com a atenção de visualizar o mirante a qualquer momento.

O mirante era uma abertura feita pela obra na estrada-parque que realmente dá para ver a baía de Paraty. Sorriso no rosto de nós três!

Mirante e ao fundo a baía de Paraty, Estrada Real

Mirante e ao fundo a baía de Paraty, Estrada Real. Créditos: Rafael Barletta

Mais abaixo a estrada-parque está em obras. Começamos a ultrapassar os carros que descem lentamente e mais uma vez, um mirante e paramos para lanchar. São aproximadamente 15h00minhs.

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Não tenho pressa nenhuma em chegar a Paraty. Já da pra sentir que estamos bem perto, mas ficar naquela paz cercado de floresta e montanha não tem preço. Vamos descendo brincando entre os obstáculos como crianças em um parque de diversões até esquecermos que carregamos bagagem e um dos suportes da bike do Antonio Carlos quebra, precisando reparar. Pausa de uns 30 min.

A descida começa a ficar menos acentuada e vamos acompanhando no GPS a altimetria. Cada nova medição é um sorriso a mais!

Várias placas nos alertam sobre cachoeiras e naquele momento a meta é a praia. Depois pensamos nas cachoeiras. Estamos no bairro da Penha com uma bela igreja, grande circulação de turistas e vamos descendo!

O sol já está se pondo. Já são mais de 50 km percorridos e lá está o portal de Paraty, na entrada da cidade. “Nossa. Que loucura! Todos esses dias pedalando e aqui estou!” Cada um com sua particularidade. Em silêncio e com um sorriso no rosto vamos entrando na cidade. “Uau! Que loucura!” era só o que me vinha à cabeça…

Os paulistas trouxeram barracas e os levei para o bairro Jabaquara, pois conheço um camping muito bom por lá. Ao deixa-los, saio à procura do hostel e combino de encontra-los mais tarde para jantar e tomar uma cerveja. Coloco as mãos no Atlântico e saio. Já está ficando escuro e quero arrumar minhas coisas para depois relaxar de vez!

Uma das maiores viagens de minha vida chega ao fim. Foram dias maravilhosos, únicos e nada solitários! A cada chegada em um destino, entrava em contato com minhas irmãs pelo Whatsapp e elas repassavam as informações aos meus pais. Sempre me preocupei em avisá-los. Eles me apoiam em tudo que faço e não poderia deixa-los ansiosos à espera de alguma notícia. Acredito que eles ficaram bem satisfeitos e aliviados ao saber que cheguei bem.

Essa viagem não foi uma aventura e nem uma busca espiritual. Foi uma escolha minha de viajar dessa forma. Uma forma diferente de vivenciar a estrada com suas cidades, personagens, histórias e culturas diversas. Muito se valoriza em uma viagem dessas como passar dias sem contato com pessoas que lhe provém facilidades no seu cotidiano e a partir daí, cria-se uma visão diferente do seu círculo diário.

Nunca me senti sozinho durante a viagem. Gosto de pessoas. Gosto de ficar com elas. Gosto dos meus amigos e familiares e em nenhum momento senti solidão. Conheci pessoas de várias partes da América e do Brasil. Norte americano, chileno, argentino, peruano, carioca, paulista, mineiro…

“A solidão é você ser desacreditado, você não ter eco naquilo que fala… ninguém te ouvir e respeitar…” Amyr Klink.

Vou ao encontro dos amigos paulistas em um quiosque na entrada do Jabaquara. Já estão lá saboreando a primeira cerveja e fizeram o pedido do jantar. Peço carne! Muita! E ali ficamos contando causos da vida, da nossa viagem, das nossas experiências e principalmente dos motivos que nos impulsionam a voltar para casa.

Último brinde em Paraty, Rio de Janeiro

Último brinde em Paraty, Rio de Janeiro. Créditos: Rafael Barletta

P.S.: Noutro dia os paulistas resolveram ficar mais dois dias na praia, curtindo a bela Paraty e seu inverno tropical.

Fiquei quase uma semana curtindo Paraty e depois fui para o Rio de Janeiro passar mais alguns dias na casa do meu amigo Adriano (mas dessa vez não foi de bike e sim de carona em um fusca de um amigo chileno. Desmontamos a bike e partimos). Aproveitei para comemorar meu aniversário na cidade maravilhosa!


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No Rio de Janeiro, o almoço simples sai por volta de R$30,00, já o fast-food sairá por mais ou menos R$25,37. Considerando o cappuccino, podemos dizer que o cafezinho da tarde custa R$6,44. Em restaurantes, a garrafa d'água de 330ml custa R$3,26, o refrigerante - considerando também o de 330ml - custa R$5,18 e o pint de cerveja R$8,00. Descubra quanto custa viajar para Rio de Janeiro.

Rafael Barletta

Possui bacharel e licenciatura em Geografia. Leciona para os ensinos médio e fundamental de escolas públicas e particulares. Gasta todo seu salário no mundo duas rodas e em viagens. Não dispensa um feriado.

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Créditos da imagem de capa: Rafael Barletta

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